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Gol e bancos lideram altas, mas elétricas e imobiliárias caem mais de 3%

Dados de fevereiro animaram ações da companhia aérea; ainda no Ibovespa, Anhanguera vira para alta após resultado e Dasa despenca pelo 2º dia em meio às dúvidas sobre nova OPA

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(Divulgação)

SÃO PAULO - O repique tão esperado do Ibovespa chegou, mas sem a intensidade que muitos esperavam. Ao final do dia, 7 dos 72 papéis do Ibovespa fecharam o dia com queda de mais de 3%, enquanto apenas 4 subiram mais de 2%. Se por um lado os bancos conseguiram ficar entre os maiores ganhos, as imobiliárias e empresas do setor elétrico lideraram as perdas e renovaram mínimas.

Com altas na faixa de 2%, as ações do Bradesco (BBDC3, +1,58%, R$ 28,31; BBDC4, +2,12%, R$ 26,93), Itaú Unibanco (ITUB4, +2,08%, R$ 29,90) e Itaúsa (ITSA4, +1,12%, R$ 8,10), que representam 17% da carteira teórica do Ibovespa, ficaram na ponta positiva e susentaram a alta do Ibovespa. As units do Santander Brasil (SANB11, R$ 11,12, +1,28%) perderam forças e subiram pouco mais de 1%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,70, -0,74%) virou para queda e renovou sua mínima do ano.

Do lado negativo, a MRV Engenharia (MRVE3) seguiu seu movimento de queda da sexta-feira após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2013. Em duas sessões, os papéis da companhia já recuaram 17,2%, sendo 5,44% apenas neste pregão, cotada a R$ 6,95 - mínima desde agosto do ano passado. Dentro do setor, destaque ainda para Rossi (RSID3, R$ 1,41, -3,42%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 1,27, -3,79%) - menor fechamento desde 2004 e da história, respectivamente.

Vale perde força após subir mais de 2%
Umas das empresas de maior peso no Ibovespa, a Vale (VALE3, +0,17%, R$ 29,31; VALE5, -0,38%, R$ 26,00) perdeu força também durante a tarde após ver suas ações chegarem a subir mais de 2%, sendo que os papéis ordinários chegaram a subir 2,70%. Se mais cedo os dados positivos da China ajudaram os ativos a subirem, o vencimento de opções sobre ações trouxe volatilidade para os papéis no resto da sessão.

Mais cedo o mercado mostrava-se animado com a decisão do banco central chinês de relaxar o controle sobre o iuan neste sábado ao duplicar a faixa diária de negociação da moeda, seguindo na direção de sua promessa de permitir que forças do mercado tenham um papel mais importante na economia e nos seus mercados.

Elétricas têm segundo dia de queda
As ações das elétricas, que esboçaram mais cedo uma reação à forte queda da última sessão, viraram para o negativo durante a tarde. Entre as principais perdas do pregão, atenção para a Energias do Brasil (ENBR3), com desvalorização de 3,65%, a R$ 8,72, Light (LIGT3, -2,17%, R$ 16,69), Copel (CPLE6, -0,68%, R$ 24,98) e Eletropaulo (ELPL4, -1,68%, R$ 7,60), com queda superior a 1%.   

Segundo a coluna Radar, da Veja, a semana iniciou com um volume recorde de participação das termelétricas no total de energia gerado no Brasil, de 28%. Aos poucos, está aumentando cada vez mais as termelétricas no parque gerador. A conta de acionamento das térmicas já chega a R$ 22 bilhões.

Na última quinta-feira, o governo anunciou um pacote de medidas para ajudar o setor, mas o anúncio não foi tão bem recebido e analistas apontaram que ainda existem algumas dúvidas sobre como os problemas das companhias serão resolvidos, além de ainda existir um risco de racionamento de energia.

Gol lidera ganhos após dados de fevereiro
As ações da Gol (GOLL4) lideram a ponta positiva do Ibovespa, com valorização de 3,73%, cotadas a R$ 10,02. Essa é a primeira alta depois de quatro pregões seguidos no negativo, período em que caiu 5,7%. A companhia aérea informou nesta manhã que sua receita de passageiro por assentos-quilômetro oferecidos (Prask) líquida registrou crescimento de 27% em fevereiro deste ano frente ao mesmo mês de 2013. Segundo a empresa, o Prask foi impulsionado pelo aumento de 12,7 pontos percentuais na taxa de ocupação na mesma base de comparação, para 76,7%. Em relação a janeiro deste ano, a taxa de ocupação caiu 1,1 p.p. no mês passado. 

De acordo com a XP Investimentos, esse é outro indicador positivo para a empresa, em linha com o processo de melhoria operacional já apresentado anteriormente. Eles lembram ainda que, devido ao cenário externo (combustível e dólar) e Copa do Mundo (restrição de voos), os ajustes observados são suavizados.

Dasa despenca de novo; e a OPA?
As ações da Diagnóstico da América (DASA3) voltaram a cair forte nesta sessão - a segunda seguida. Os papéis caíram 4,50%, cotados a R$ 14,44. Na última quinta-feira as ações da companhia dispararam mais de 12% com rumores de que poderia ocorrer uma nova OPA das ações. Porém, já na sexta-feira, os ativos já caíram 9,67%.

Nesse momento os papéis da companhia operam seguindo a possibilidade da Cromossomo, empresa de Edson Godoy Bueno e sua ex-mulher, fazer uma nova OPA pelas ações da companhia. Na última quarta-feira, eles concluíram a oferta de aquisição de 150,8 milhões de ações, quando totalizaram participação de 71% na empresa.

Como parte das ações deixaram de ser negociadas na Bovespa, a Dasa vem perdendo significativa liquidez - nesta segunda-feira, elas movimentaram R$ 1,35 milhão, contra média diária de R$ 17,2 milhões. Em relatório divulgado na última semana, o Deutsche Bank avaliou que os papéis da companhia deixaram de ser um "case" de investimento, considerando arriscado os investidores aguardarem uma segunda proposta da Cromossomo Participações.

Citi fala bem, mas Usiminas vai mal
As ações da Usiminas (USIM5, -1,33%, R$ 8,91) também perderam força durante este pregão após chegarem a subir 2,55%. Mesmo assim, a siderúrgica teve sua recomendação elevada para compra pelo Citi. O preço-alvo foi mantido em R$ 14, o que representa um potencial de valorização de 55% em relação ao fechamento de sexta-feira. Os analistas apontaram que um potencial racionamento de energia é um risco significativo, mas lembraram que as siderúrgicas elevaram as vendas domésticas (em toneladas) e seus lucros durante a última crise de energia entre 2001 e 2002. 

Na última sexta-feira, o JPMorgan também revelou um relatório animador sobre o setor. Na ocasião, o banco de investimentos elevou a recomendação das ações da Usiminas e Gerdau (GGBR4, -0,92%, R$ 14,01), de neutra para overweight (desempenho acima da média).

CSN perde força mas fecha em alta
As ações da CSN (CSNA3, R$ 9,63, +0,21%), apesar de perderem força, fecharam em alta nesta segunda-feira, depois de fecharem a última sexta-feira em alta de 11,74%. O movimento ocorre após a siderúrgica ter informado uma recompra agressiva de ações, com o prazo de um mês (entre 14 de março e 14 de abril). A empresa aprovou na semana passada um programa que prevê a recompra de 70.205.661 papéis, o que representa quase 10% das ações em circulação em mercado da companhia.

Cemig avança após aquisição
As ações da Cemig (CMIG4) subiram 0,70%, a R$ 12,99, nesta sessão. A companhia anunciou que elevou sua participação na Santo Antonio Energia, hoje em 10%. A operação ocorreu com a aquisição, por meio do FIP Melbourne, no qual a Cemig GT é cotista, de 83% do capital total e 49% das ações com direito a voto da SAAG Investimentos, detidas pela Andrade Gutierrez Participações. O preço da aquisição será de R$ 835,3 milhões, corrigido pela variação do IPCA verificada entre 31 de dezembro de 2013 até a data da conclusão da transação. A SAAG deterá 12,4% de participação na Madeira Energia, mais conhecida como Santo Antonio Energia.

Segundo a XP Investimentos, essa é mais uma aquisição que visa o crescimento da capacidade de geração de energia da empresa no longo prazo, o que esta em linha com aquilo que o management da empresa já havia informado que iria buscar. Conforme avaliaram os analistas, a aquisição adiciona algo em torno de 440 MW de potência instalada para Cemig, algo em torno de 6,4% de sua capacidade de geração total.

Anhanguera sobe apesar de resultado fraco
Após chegar a cair 3,21%, a Anhanguera (AEDU3) viu suas ações subirem 1,92%, cotadas a R$ 12,71. A empresa divulgou seu resultado trimestral com uma queda de 84,4% no seu lucro líquido no quarto trimestre do ano passado ante igual período de 2012, para R$ 2,7 milhões, impactada por piora nos resultados financeiros, pagamento de impostos e pelas despesas de depreciação e amortização.

Por outro lado, o Ebitda da companhia cresceu 37,1% no quarto trimestre em relação ao mesmo período anterior, atingindo R$ 69,6 milhões e no ano o resultado foi de R$ 337,7 milhões, evolução de 5,1% sobre 2012. A margem Ebitda no comparativo anual caiu de 19,9% para 18,6%.

 

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