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SÃO PAULO – A correção da bolsa brasileira, acompanhando a realização de lucros nos principais mercados globais, fruto da sensação de exagero na valorização das ações frente aos sinais de retomada, escolheu o setor imobiliário para impor seu maior revés. O pregão desta quarta-feira (2) ilustra bem essa tendência.
As ações da Rossi Residencial (RSID3) despencaram 5,40%, para R$ 10,86 – principal destaque negativo do Ibovespa, que perdeu 0,77%. Os ativos de Gafisa (GFSA3) e Cyrela Realty (CYRE3) sofreram baixas de 5,31% e 4,93% (para R$ 24,95 e R$ 21,01), respectivamente. No acumulado do ano, os ativos exibem elevação de 193,03%, 140,38% e 131,52%, respectivamente.
Com essas variações, as ações das incorporadoras perderam posições neste início de setembro na corrida pela liderança dos ganhos do índice paulista em 2009. A estreante no Ibovespa MMX Mineração (MMXM3) herdou o topo da lista. Os papéis também sentiram o ajuste da bolsa, mas sustentam alta de 200% em 2009.
Diluição acionária
Por trás da desvalorização dessas blue chips da construção civil na BM&F Bovespa, aparece a trivial recepção negativa do mercado a futuras capitalizações. Dentro do previsto por analistas, a volta de projetos ao pipeline diante da melhora na demanda por imóveis poderia representar novas emissões na bolsa, a título de financiar maior número de lançamentos.
Primeiro foi a PDG Realty (PDGR3), depois a Rossi. Mais papéis à disposição no mercado implica em cotações menores. “Considerando as ofertas de ações anunciadas, e nós acreditamos que outra, potencialmente da Cyrela, deve ocorrer nos próximos seis meses, esperamos que as incorporadoras brasileiras permaneçam sob pressão no curto prazo”, interpreta o Bank of America Merrill Lynch.
Atualizando estimativas, o banco norte-americano cortou a recomendação das ações da Gafisa, de compra para neutro, mas manteve o preço-alvo de R$ 27,00 para os papéis. Além do espectro da diluição acionária, os analistas apontaram para o valuation elevado depois da valorização de 48% entre junho e agosto.
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Extremos
O pregão não foi só de oscilações negativas para o setor imobiliário. As ações da Klabin Segall (KSSA3) remaram na direção contrária e terminaram com ganhos de 6,58%. Juntamente com a Abyara Planejamento Imobiliário (ABYA3) e a Agra Empreendimentos (AGIN3), cujos papéis desabaram 2,11% e 11,11%, nesta ordem, as empresas anunciaram a fusão de suas operações e a criação de uma nova companhia, a Agre Empreendimentos Imobiliários.
A nova empresa, resultado da unificação das bases acionárias das companhias, nasce com uma capitalização de R$ 2,3 bilhões e um banco de terrenos (landbank) de R$ 19 bilhões. A operação não envolve dinheiro, apenas a substituição das ações das companhias por novos papéis da Agre.
Segundo o comunicado, a nova companhia irá emitir 100 milhões de novas ações e um novo comunicado será emitido quando for finalizado o processo de incorporação de ações. A Agre será comandada por Luiz Roberto Horst Silveira Pinto, atual diretor presidente da Agra. Os acionistas que não concordarem com a operação terão assegurado o direito de retirada.