Destaques da Bolsa

Ação do BB destoa da alta dos pares privados e fecha estável monitorando risco político; aéreas e CVC disparam até 8,5%

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quinta-feira (14)

O ex-presidente do HSBC Brasil, André Brandão (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO – A sessão foi de ganhos para o Ibovespa após a forte queda de 1,67% da véspera. Os papéis de Vale (VALE3) e de siderúrgicas como CSN (CSNA3, R$ 37,39, +3,14%), Gerdau (GGBR4, R$ 27,72, +4,17%) subiram depois da baixa da última sessão, enquanto Usiminas (USIM5, R$ 15,76, +1,81%) teve ganhos menores, mas ainda ficou no positivo.

No radar das commodities, os preços futuros de minério de ferro na China subiram nesta quinta-feira, estendendo os ganhos pela segunda sessão consecutiva, alimentados pela demanda de reabastecimento nas siderúrgicas e margens de lucro decentes para produtos de aço. Os contratos futuros de minério de ferro mais negociados na bolsa de Dalian DCIOcv1, para entrega em maio, fecharam em alta de 1,6%, a 1.055 iuanes (US$ 163,09) por tonelada.

As importações de minério de ferro da China atingiram um recorde em 2020, chegando a 1,17 bilhão de toneladas, mostraram dados da alfândega oficial. Mas as importações de dezembro caíram à medida que o mercado externo está se recuperando.

Por outro lado, o petróleo tem uma sessão de perdas, uma vez que os sinais de alta dos dados de importação chineses e de queda dos estoques de petróleo dos EUA foram superados pelo aumento de casos de coronavírus na Europa e novos bloqueios na China. Os futuros de petróleo bruto Brent caíam 0,71%, a US$ 55,66 o barril, enquanto o WTI tinha baixa de 0,47%, a US$ 52,66.

As ações da PetroRio (PRIO3, R$ 78,00, -1,86%) tiveram um dia de perdas, enquanto a Petrobras (PETR3, R$ 29,86, +0,40%; PETR4, R$ 29,45, +1,03%) subiu após a baixa de quase 5% na véspera, também monitorando o noticiário político. Na véspera, o noticiário sobre uma potencial greve dos caminhoneiros e uma reclamação no órgão regulador antitruste CADE alegando que a estatal estaria praticando preços predatórios de combustíveis nas refinarias, abaixo dos níveis de paridade de importação impactou a ação da estatal e segue no radar dos mercados.

Já após a baixa de quase 5% na véspera e depois de cair mais de 1% no início do pregão, a ação do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 37,46, -0,24%) fechou com leve queda, destoando do dia de alta dos ativos dos principais bancos, como Itaú (ITUB4, R$ 32,59, +2,97%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,40, +3,17%; BBDC4, R$ 27,50, +3,07%) e Santander (SANB11, R$ 46,00, +2,79%).

Os papéis chegaram a subir 1,60% o começo tarde, o jornal Valor Econômico informou que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, saiu em defesa de André Brandão e conseguiu reverter a possível demissão do atual mandatário do Banco do Brasil.

Contudo, não está claro para Brandão se ele terá que rever o programa de enxugamento que pretende colocar o Banco do Brasil em uma situação mais próxima dos seus concorrentes, embora ainda ligeiramente aquém dos resultados dos grandes bancos.

As ações do Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 20,57, +1,03%) viraram para ganhos após abrirem com perdas de cerca de 1%. Na véspera, os papéis CRFB3 fecharam com alta de cerca de 1% após chegarem a disparar 8,83% no intraday.

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Bruno Le Maire, ministro das finanças da França, afirmou que o governo francês pode bloquear uma proposta de aquisição do Carrefour pela operadora canadense de lojas de conveniência Alimentation Couche-Tard para proteger empregos e a cadeia de abastecimento alimentar da França.

Com os investidores já monitorando as dificuldades para a aquisição, os papéis da subsidiária brasileira já tinham amenizado a alta na véspera (veja mais clicando aqui), enquanto hoje as ações do Carrefour Global chegaram a cair 5% na Bolsa de Paris, mas também amenizaram.

Já entre as maiores altas, destaque para os papéis da Embraer (EMBR3, R$ 9,98, +8,48%), Azul (AZUL4, R$ 38,57, +7,26%), Gol (GOLL4, R$ 24,20, +4,49%) e CVC (CVCB3, R$ 20,37, +5,49%). As aéreas dispararam em meio à forte queda do dólar comercial, de 1,90%, a R$ 5,2087 na compra e R$ 5,2097 na venda, uma vez que as companhias têm boa parte de sua dívida atrelada à moeda americana.

Além disso, os investidores seguem acompanhando o noticiário sobre a vacinação no mundo, mesmo que ainda regidos por cautela em meio à aceleração dos casos de coronavírus em diversos países como no Reino Unido, Alemanha, EUA e também no Brasil.

Confira os destaques:

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 37,46, -0,24%)

Já após a baixa de quase 5% na véspera e depois de cair mais de 1% no início do pregão, a ação do Banco do Brasil fechou perto da estabilidade.

Os papéis chegaram a subir 1,60% o começo tarde, o jornal Valor Econômico informou que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, saiu em defesa de André Brandão e conseguiu reverter a possível demissão do atual mandatário do Banco do Brasil.

Contudo, não está claro para Brandão se ele terá que rever o programa de enxugamento que pretende colocar o Banco do Brasil em uma situação mais próxima dos seus concorrentes, embora ainda ligeiramente aquém dos resultados dos grandes bancos.

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Curiosamente, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República confirmou ao G1 nesta quinta que o presidente Bolsonaro pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a demissão de Brandão, mas que a saída não foi comunicada porque o ministro estaria tentando reverter o pedido – ou seja, a situação ainda estaria indefinida.

Em fato relevante mais cedo, o BB informou que não recebeu comunicação formal sobre sobre suposta demissão de Brandão. Já o presidente Jair Bolsonaro silenciou nesta quinta-feira sobre a possível demissão. Perguntado por apoiadores sobre a notícia, Bolsonaro não respondeu.

Já segundo o Estadão, a avaliação no Palácio do Planalto é de que Bolsonaro pode até desistir de demitir o presidente do BB por temer como a ingerência política vai afetar as ações do banco, mas exige que seja informado de tudo por conta do contexto das eleições na Câmara e no Senado.

Funcionários do BB estariam temerosos com o risco de o impasse em torno do plano de reestruturação do banco abrir a porteira para as indicações do “Centrão” no banco nesse momento em que compromissos estão sendo assumidos para a eleição do comando das casas legislativas. O risco maior é lotear os bancos com indicações políticas ou ideológicas.

Para o Credit Suisse, a notícia da saída do CEO seria negativa, pois lançaria dúvidas sobre a continuação das iniciativas recentes de corte de custos, ao mesmo tempo que aumentaria o medo da interferência do governo. Segundo o Bradesco BBI, mais do que as razões por trás da decisão de substituir o CEO é o fato de que BB deve passar por mais uma mudança importante em sua equipe de gestores em apenas dois anos. Isso deverá ser visto como negativo para os preços das ações.

Marcel Campos, analista da XP Investimentos, também destacou em nota que a notícia seria ruim. Isso porque i) Brandão sinalizou positivamente para o mercado que seu mandato seria voltado para o ganho de eficiência por meio de uma reestruturação organizacional; ii) o executivo é um veterano respeitado com mais de 30 anos de experiência em bancos privados, como Citi e HSBC, incluindo uma posição de CEO na operação local do HSBC de 2012 até sua venda para o Bradesco em 2016; e iii) pode ser visto como interferência política do governo (acionista controlador) em detrimento dos acionistas minoritários.

De acordo com um operador que não quis se identificar, o motivo para a saída iminente de Brandão diminui muito as expectativas sobre o novo CEO, mesmo que ele seja alguém do mercado financeiro. “A questão também é que já colocaram uma pessoa do mercado [Brandão]. Nem se fosse outra pessoa de mesmo perfil adiantaria, pois o próprio investidor teria dificuldade de acreditar na possibilidade de um bom executivo atuar dentro do banco. E ainda existe a possibilidade de indicação política, o que implicaria em uma situação muito desconfortável”, avalia o operador.

Leita também: De greve dos caminhoneiros à reorganização barrada: o risco político voltou para as ações de Petrobras e BB?

Petrobras (PETR3, R$ 29,86, +0,40%; PETR4, R$ 29,45, +1,03%)

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Os analistas da XP Investimentos destacaram a forte queda das ações da Petrobras ontem, com os ativos PN caindo 4,83%.

O desempenho das ações refletiu uma combinação de notícias. A primeira, mencionando que a Associação Brasileira dos Importadores Independentes de Combustíveis (ABICOM) entrou com uma reclamação no órgão regulador antitruste CADE alegando que a Petrobras estaria praticando preços predatórios de combustíveis nas refinarias, abaixo dos níveis de paridade de importação.

Outra, a respeito de uma potencial greve de caminhoneiros no dia 1º de fevereiro de 2021, após fala do presidente da “Associação Nacional do Transporte Autônomo do Brasil” (ANBT), com reclamações a respeito dos preços do diesel, além de outras reinvindicações como como o preço mínimo do frete (ainda em análise no Supremo) e outros compromissos firmados pelo governo no passado.

“Embora continuaremos monitorando cuidadosamente desenvolvimentos acerca da política de preços da Petrobras no futuro, acreditamos que o mercado pode ter reagido de forma exagerada às notícias acima mencionadas”, apontam os analistas. Eles possuem recomendação de compra para ações da Petrobras, com preços-alvo de 12 meses de R$35 para PETR4 e PETR3.

BR Properties (BRPR3, R$ 9,76, +1,99%)

A BR Properties comunicou a compra de 100% da Torre Paineiras e 30% da Torre Jatobá no Condomínio Parque da Cidade, localizado em uma área nobre da cidade de São Paulo, por R$ 832 milhões em parceria com o fundo imobiliário HSI V Real Estate.

Já foram pagos R$ 756 milhões pelo empreendimento, sendo que o restante será quitado após determinadas condições do vendedor.

Ao todo, as duas torres possuem Área Bruta Locável (ABL) de 55,8 mil metros quadrados.

O Condomínio Parque da Cidade será composto por uma torre de salas comerciais, cinco torres corporativas, dois edifícios residenciais, um shopping e um hotel cinco estrelas. Com a aquisição destas propriedades, a BR Properties passa a ser detentora de 101.865 m² de ABL do referido empreendimento, compreendida nas torres corporativas: Aroeira, Paineira e Jatobá, destacou a empresa no comunicado.

Smiles (SMLS3, R$ 23,15, +2,21%) e Gol (GOLL4, R$ 24,20, +4,49%)

De acordo com informações do Valor Econômico, o comando executivo da Smiles, companhia que administra o programa de milhagem da Gol, recomendou aos acionistas que rejeitem a proposta de abertura de uma ação de responsabilidade civil contra membros do conselho de administração relacionada à compra de passagens aéreas da Gol. A companhia convocou assembleia para 5 de fevereiro sobre o tema, após pedido de dois acionistas minoritários.

B2W (BTOW3, R$ 77,35, +2,72%)

Os analistas do Itaú BBA destacaram as mudanças feitas pela B2W em sua operação de marketplace. A empresa não cobrará mais de seus vendedores com base nos custos de entrega, oferecerá aos vendedores frete grátis em pedidos acima de R $ 100 e não cobrará dos vendedores por vendas canceladas durante o período de processamento da entrega (expedição).

“Acreditamos que esta mudança proporciona maior previsibilidade de receita para vendedores menores e pode levar ao crescimento de GMV [volume bruto de mercadoria] adiante”, avaliam os analistas do banco. Na visão deles, essas medidas adotadas podem ser compensadas por um melhor crescimento do GMV decorrente de preços mais competitivos e
melhor penetração da rede gerenciada.

O BBA ressalta que as mudanças refletem um ambiente de e-commerce ainda mais competitivo e a B2W está fazendo um movimento para garantir ganhos de participação de mercado em 2021.

“Dito isso, esperamos que a B2W continue a se beneficiar de sua exposição total ao e-commerce, dada a provável mudança estrutural no comportamento do consumidor causada pela pandemia, com mais compras online. Dada a dificuldade em estimar o impacto financeiro das novas medidas, mantemos nossa recomendação outperform [desempenho superior à média do mercado] para BTOW3, com preço-alvo de R$ 128 por ação, até ajustarmos nosso modelo” apontaram os analistas. O preço-alvo representa um potencial de valorização de 70% em relação ao fechamento de quarta-feira da ação, de R$ 75,30.

Iochpe Maxion (MYPK3, R$ 15,86, +5,45%)

O Bradesco BBI reiterou a sua recomendação outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado) para a Iochpe Maxion, com preço-alvo de R$ 20, ou um potencial de valorização de 33% frente o fechamento da véspera.

Segundo os analistas, o mercado parece excessivamente preocupado com a liquidez financeira e com a alavancagem da Iochpe Maxion.

O banco ressalta que a empresa reportou uma posição de caixa de R$ 1,6 bilhão no terceiro trimestre de 2020, R$ 695 milhões abaixo da dívida de curto prazo, e uma razão entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de sete vezes.

Mas o banco ressalta que a Iochpe está prolongando o perfil de sua dívida, com uma nova linha de crédito de sete anos de R$ 940 milhões, e um período de carência de dois anos. Além disso, a expectativa do banco é de que a alta do Ebitda reduza a alavancagem para 3,4 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

O Bradesco ressalta, no entanto, algumas questões, como gastos potenciais de R$ 642 milhões com operações de compra e relocação de ativos imobiliários, descontos sobre recebíveis e emissão de títulos conversíveis.

BR Distribuidora (BRDT3, R$ 22,33, +0,54%), Raízen e Ultrapar (UGPA3, R$ 23,32, -0,60%)

Segundo dados do Bradesco BBI, o volume de combustíveis vendido no Brasil está apenas 0,5% abaixo dos níveis de 10 de janeiro de 2020. Na mesma comparação, houve alta de 5,1% de etanol, seguido por diesel, com alta de 1%. Volumes de gasolina caíram 0,5%, e os volumes de gasolina premium estão em linha com o patamar anterior.

O banco afirma que os volumes de combustíveis deixaram, em grande medida, os efeitos da pandemia para trás. E os efeitos da nova alta de casos de covid no Brasil ainda não aparecem nos dados, o que pode mudar à medida que lockdowns e novas restrições são implementados no Brasil.

Em 12 meses, a BR Distribuidora teve a melhor performance, acima das outras empresas do setor. A empresa teve alta de 8,7% em volumes. Ipiranga, de propriedade da Ultrapar, teve redução de 6,5%, Raízen teve queda de 1,5% e postos sem marcas tiveram queda de 6,9%.

Com base nos dados de dezembro, o BBI diz esperar que a Raízen ganhe participação de mercado sobre BR Distribuidora e Ipiranga. O banco diz que a Raízen perdeu 0,67 ponto percentual em novembro, e deve recuperar 0,64 pontos percentuais em dezembro.

Em dezembro, Ipiranga deverá perder 0,45 pontos percentuais, e BR Distribuidora deverá perder 0,2 ponto percentual, afirma o Bradesco BBI.

Santander (SANB11, R$ 46,00, +2,79%)

Na última quarta-feira, a administração do Santander Brasil realizou reunião com analistas de mercado. Conforme aponta a XP Investimentos, no geral, a reunião foi positiva sobre as perspectivas da administração, mas sem grandes surpresas, com destaque para a perspectiva muito otimista da administração sobre o possível nível de índices de inadimplência em 2021 e a rentabilidade no futuro.

A equipe de análise, contudo, reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 32, para a ação, pois avalia que o banco: i) apresenta um mix de crédito mais arriscado com a maior porção de crédito de varejo em relação aos concorrentes e um índice de inadimplência abaixo da média; ii) está menos provisionado do que os pares privados, o que pode afetar o lucro em 2021; e iii) tem múltiplos de 2021 acima da média com 2,1 vezes o preço sobre patrimônio líquido (P/PL) e 13,5 vezes o Preço sobre lucro (P/L).

SulAmérica (SULA11, R$ 42,90, +0,23%)

A Sul América vai emitir R$ 700 milhões em debêntures, informou a companhia em comunicado ao mercado. Os recursos de emissão de debêntures serão usados para reforço e adequação de níveis de liquidez e outros fins.

Simpar (SIMH3, R$ 36,17, +2,32%)

A Fitch Ratings atribuiu nota BB-, com perspectiva estável às notas propostas a serem emitidas pela Simpar Europe, subsidiária integral da Simpar. A Fitch diz que a nota reflete o modelo forte de negócios da Simpar. A avaliação foi divulgada na quarta.

BTG Pactual (BPAC11, R$ 91,52, +0,28%)

O banco BTG Pactual informou a realização de uma oferta pública primária de ações composta por 22.222.222 ações. A cotação de fechamento das ações do banco na B3 em 13 de janeiro foi de R$ 91,26 por unidade, um valor que a empresa afirma ser “meramente indicativo do preço por unit”.

MRV (MRVE3, R$ 20,70, +2,42%)

A MRV informou que seu conselho de administração deliberou o pagamento de R$ 100 milhões para distribuição como dividendos extraordinários à conta de lucros do exercício de 2019. Isso equivale a R$ 0,207093497 por ação de emissão da Companhia, a serem pagos em 28 de janeiro de 2021 aos acionistas.

Dommo (DMMO3, R$ 1,25, -0,79%)

A Dommo Energia informou que o percentual de ações detidas pelas Entidades Pimco foi reduzido de 15,0824% do capital social para 13,4664%.

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