Ações de semicondutores entram em correção, mas Ashmore vê apenas ajuste técnico

Venda generalizada não representa deterioração dos fundamentos das empresas, afirma gestora

Erick Souza

Chips semicondutores em placa de circuito de computadores
25/02/2022 REUTERS/Florence Lo
Chips semicondutores em placa de circuito de computadores 25/02/2022 REUTERS/Florence Lo

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O setor de semicondutores dos Estados Unidos tem intensificado seu movimento de queda nas últimas semanas. O Philadelphia Semiconductor Index (SOX) — principal índice de empresas de semicondutores do país — recuou quase 20% em junho.

Em paralelo, as ações sul-coreanas de fabricantes de memória também registraram quedas expressivas, com a SK Hynix acumulando quase 40% de baixa em relação às máximas do mês passado.

Ainda que essa queda generalizada dê sinais de mudança de apetite pelo setor, a Ashmore Group acredita que o cenário é mais complexo que isso — e que o setor continua bem.

Mesmo com a movimentação recente, a gestora de investimentos destaca que ainda não houve retirada significativa dos fluxos de investimentos para as ações de semicondutores nos EUA.

Para a Ashmore, essa venda generalizada é muito mais resultado da desmontagem de posições, da reversão do impulso dos preços e da redução do uso de alavancagem financeira, do que de uma deterioração dos fundamentos das empresas.

Em primeiro lugar, de acordo com os analistas, já era esperado que a especulação dos investidores de varejo na Coreia do Sul produziria, em algum momento, uma elevada volatilidade durante a queda. O movimento ainda foi intensificado pelo uso de ETFs alavancados (que ampliam os ganhos e perdas)

Além disso, ainda na Coreia do Sul, a primeira alta de juros em três anos, elevando a taxa para 2,75%, acelerou o movimento para baixo.

Do outro lado do globo, o mercado americano de semicondutores também teve que lidar com o uso de alavancagem e o comportamento especulativo dos investidores de varejo.

IA de código aberto

As preocupações dos investidores ficaram ainda mais elevadas na semana passada, após o lançamento do Kimi K3. O modelo chinês de inteligência artificial de código aberto foi comparado com um possível DeepSeek 2.0. O desempenho da ferramenta ainda é comparável com a dos seus pares mais avançados, como Anthropic e OpenAI.

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Apesar das tensões sobre a rentabilidade, a Ashmore acredita que o modelo não deve alterar de forma significativa a trajetória de expansão da infraestrutura de IA.

Em primeiro lugar, pelos custos. De acordo com a gestora, o preço é quase equivalente ao do GPT-5.6. Além disso, com modelos mais baratos, os analistas acreditam que o efeito seja de aumento de consumo de semicondutores, e não uma redução de demanda.

Neste caso, os economistas avaliam que é mais provável que haja uma redistribuição das margens de lucro. Assim, com os resultados saindo dos laboratórios proprietários e migrando para a infraestrutura e para a camada de aplicações.

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