Destaques da bolsa

Ações de Vale e Petrobras desabam 10%, Gol e Azul caem até 14%; 45 papéis do Ibovespa têm queda superior a 5%

Aumento dos temores com coronavírus se espalhando por outros países (incluindo Brasil) levou a forte movimento de aversão ao risco no mercado

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SÃO PAULO – A bolsa brasileira registrou expressiva queda na sessão desta quarta-feira (26), de 7%, a maior baixa desde o “Joesley Day”, quando o Ibovespa fechou em baixa de 8,8%.

O destaque ficou para as blue chips, cujos ADRs (American Depositary Receipts) despencaram na bolsa de Nova York durante os dois dias em que a B3 esteve fechada (veja mais clicando aqui) por conta do aumento dos temores com o coronavírus. O primeiro caso da doença no Brasil foi confirmado nesta quarta pelo Ministério da Saúde, enquanto mais casos têm se espalhado pela Europa, com destaque para a Itália, elevando os receios sobre o impacto da doença para a economia mundial.

Petrobras (PETR3;PETR4), Vale (VALE3) e siderúrgicas como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) caíram entre 9,5% e 12%, enquanto bancos como Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC3;BBDC4) e Santander Brasil (SANB11) tiveram forte baixa entre 5% e 7,5%.

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“Para o mercado brasileiro, caso os impactos do surto se prolonguem no médio prazo, a pressão deve continuar principalmente para ações ligadas à economia global, como empresas de commodities – caso de Suzano (SUZB3), Vale -, frigoríficos exportadores – caso de JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), BRF (BRFS3) -, companhias aéreas e de turismo- como Gol (GOLL4), Azul (AZUL4) e CVC (CVCB3) -, além de empresas domésticas de consumo que possam ter seus resultados deteriorados a depender do impacto para a economia brasileira”, destaca a XP Investimentos em relatório.

A Levante Ideias de Investimento também avalia que, no caso de Vale, a pressão de baixa vem sobretudo da perspectiva de baixa demanda por minério de ferro enquanto ainda lida com a recente divulgação de seu balanço, com a tragédia de Brumadinho trazendo mais prejuízos do que o esperado com o aumento das provisões (veja mais clicando aqui).

Já a Petrobras acompanhou o mergulho dos preços internacionais do petróleo. Os contratos futuros da commodity fecharam em território negativo, nesta quarta-feira. O WTI teve o fechamento mais baixo desde janeiro de 2019. O petróleo WTI para abril fechou em queda de 2,34%, a US$ 48,73 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para maio, contrato mais líquido, recuou 2,67%, a US$ 52,81 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

A queda foi a quarta consecutiva para os dois contratos. Ao longo do pregão, a commodity chegou a oscilar em território positivo, logo após a divulgação do relatório semanal de estoques nos EUA do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês). O DoE informou que os estoques de petróleo dos EUA cresceram 452 mil barris na última semana, abaixo da previsão de avanço de 2,1 milhões de barris dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. Já os estoques de gasolina e destilados recuaram acima do esperado pelos economistas.

Já a queda dos ativos do setor bancário acontece por causa da aversão aos riscos de emergentes em cenários de incerteza global. “No caso do Brasil, por serem papéis altamente negociados, servem de porta de saída fácil para estrangeiros – que, por sua vez, já retiraram da B3 em 2020, em menos de dois meses, o equivalente a um terço de todo o volume resgatado no ano passado inteiro”, avalia a Levante Ideias de Investimento.

As maiores baixas percentuais ficaram justamente com as ações de empresas ligadas ao setor de turismo, com a Gol fechando com perdas de 14,31%, Azul em baixa de 13,30% e CVC em queda de 11,33%. Os investidores temem pelos impactos do coronavírus nas viagens, principalmente após a Itália confirmar novos casos, Grécia relatar seu primeiro caso e 700 pessoas permaneceram confinadas em um hotel em Tenerife, nas Ilhas Canárias. Além disso, empresas aéreas também sofrem com a nova alta do dólar, que chegou aos R$ 4,44 em um novo recorde, uma vez que boa parte da dívida é atrelada à moeda americana.

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Contudo, a baixa foi generalizada, com nenhuma ação registrando ganhos no Ibovespa: apenas a ação do IRB (IRBR3), que registra forte perda no ano, fechou em baixa de menos de 2%. 45 ações registraram queda superior a 5% no benchmark da bolsa.

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (26):

Azul (AZUL4)

A Azul informou na sexta-feira ter assinado acordo para a compra da TwoFlex por R$ 123 milhões. O fechamento do negócio está condicionado a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras informou em comunicado na sexta início da fase não vinculante referente à venda de 100% de sua Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III ( UFN-III ) em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os potenciais compradores habilitados para essa fase receberão informações detalhadas sobre o ativo, além de instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes.

Segundo a Petrobras, a operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhora de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor para os seus acionistas.

Conforme a estatal, a construção da UFN-III teve início em setembro de 2011, mas foi interrompida em dezembro de 2014, com 81% da obra concluída. A unidade terá capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 t/dia e 2.200 t/dia, respectivamente, e a conclusão da obra será de responsabilidade do potencial comprador.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil comunicou na sexta-feira a renúncia de Marco Túlio Moraes da Costa do cargo de Diretor de Agronegócios, com efeitos a partir desta quarta-feira.

Sanepar (SAPR11)

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A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) planeja aumentar o capital social em R$ 1,14 bilhão, usando parte do saldo da reserva de lucros da empresa. Com a mudança – que precisará ser aprovada na Assembleia marcada para 27 de março – o capital social da estatal paranaense de água e saneamento passará para R$ 4 bilhões. Segundo a empresa, a reserva de lucros excedeu o capital social atual da empresa, de R$ 3 bilhões. A Sanepar publicou em fevereiro o balanço de 2019, informando um lucro líquido de R$ 1,09 bilhão no ano passado – um crescimento de 21% sobre 2018.

Marfrig (MRFG3

A Marfrig comunicou na manhã de hoje que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e o Serviço de Inspeção e Inocuidade Alimentar (FSIS) informaram ao Ministério da Agricultura do Brasil a abertura do mercado americano à importação de carne bovina brasileira. A Marfrig já exporta carne bovina das suas plantas no Uruguai e na Argentina para os EUA, mas agora pretende ampliar as vendas a partir dos frigoríficos brasileiros. “A abertura irá contribuir para aumentar o portfólio da operação América do Norte”, comentou a empresa.

Minerva (BEEF3

A Minerva também informou que o Ministério da Agricultura do Brasil recebeu autorização do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) permitindo que o Brasil retome as exportações de carne bovina aos EUA. A Minerva também já exporta carne bovina aos EUA a partir da Argentina e do Uruguai, mas destacou que cinco dos seus frigoríficos no Brasil poderão retomar as exportações para os EUA em breve. Segundo a empresa de Barretos (SP), esses cinco frigoríficos têm a capacidade de abate de 6.040 cabeças por dia.

A empresa também comunicou que deverá propor, em Assembleia Geral Extraordinária a ser realizada na sede em Barretos (SP) em 20 de março, a redução do capital social da empresa em R$ 380 milhões, para a soma de R$ 960,3 milhões. Segundo o Conselho da empresa, a manobra será feita apenas para “fins contábeis” e para permitir que no futuro sejam distribuídos lucros aos acionistas.

A Minerva afirmou que nenhuma das 458.558.919 ações ordinárias da companhia será cancelada. A empresa, que reportou lucro líquido de R$ 16 milhões em 2019, após anos de prejuízos, informou que a redução de capital é uma manobra legal para destinar R$ 380 milhões “para a absorção dos prejuízos acumulados”. Em 24 de janeiro, a Minerva levantou R$ 1,04 bilhão com uma oferta de ações na B3. A empresa pretende liquidar as dívidas e voltar a pagar dividendos aos acionistas.

Cyrela (CYRE3

A construtora e incorporadora Cury, na qual a Cyrela tem participação de 48,25%, entrou com pedido de registro de oferta pública primária e secundária da ações na B3. A informação partiu de um comunicado da Cyrela, no qual a empresa também informa que a Cury pediu a adesão ao Novo Mercado da B3. A Cury atua nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa afirma que teve lucro líquido de R$ 204 milhões no ano passado, um crescimento sobre 2018, quando lucrou R$ 176 milhões.

PetroRio (PRIO3)

A Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições o ato de concentração envolvendo a PetroRio O&G Exploração e Produção de Petróleo Ltda e a Dommo Energia S.A. O despacho pela aprovação está publicado na edição desta quarta-feira, 26, do Diário Oficial da União.

A operação consiste na aquisição, pela PetroRio, de 80% do Campo de Tubarão Martelo, localizado na Bacia de Campos (RJ), atualmente detido pela Dommo.

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Segundo dados do parecer do Cade, ao final da operação, a PetroRio ingressará no campo de Tubarão Martelo passando a atuar como nova operadora do campo, enquanto a Dommo ficará com os 20% restantes.

De acordo com os dados disponibilizados pelo Cade, para a PetroRio, “a operação está alinhada com seu modelo de negócios e sua estratégia de expansão, além de representar uma oportunidade para futura simplificação do sistema de produção entre os Campos de Tubarão Martelo e Polvo, gerando sinergias significativas e redução dos custos”.

Já para a Dommo, “a operação representa uma significativa redução dos seus custos de operação, além de representar uma oportunidade para revitalização do campo e extensão da sua vida útil”.

A operação foi formalizada por meio do Farm Out Agreement (FOA), em 3 de fevereiro de 2020, e está sujeita à aprovação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Oi (OIBR4)

A operadora de telefonia Oi, em recuperação judicial, informou na manhã de hoje que concluiu a venda de um imóvel na rua General Polidoro, no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. A empresa recebeu R$ 120 milhões pela venda no dia 21, quando ocorreu a liquidação da transação financeira.