Destaques da bolsa

Ações da MRV saltam 6% com corte de juros e lei sancionada; Empresas de saneamento caem após “manobra” da Câmara

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (12)

SÃO PAULO – Em uma sessão nova máxima histórica para o Ibovespa, o destaque ficou para as ações da MRV (MRVE3), que dispararam em meio às sinalizações do Copom, com o anúncio de corte de juros para financiamento imobiliário pela Caixa Econômica Federal e com o aumento do valor do saque do FGTS para R$ 998 sancionado por Bolsonaro. A Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) também subiram forte.

Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3) avançaram com a elevação de recomendação pelo Credit Suisse. Enquanto isso, a Notre Dame (GNDI3) teve ganhos após a oferta de ações.

As empresas de saneamento, por sua vez, caíram mesmo após a aprovação do novo marco do saneamento por conta de manobra feita pela Câmara, que aprovou o projeto do Poder Executivo em vez daquele de autoria do Senado. Para a XP, manobra abriu “espaço para mais uma longa jornada de discussões em torno do tema”.

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Além disso, no caso da Sabesp, uma fonte da Bloomberg afirmou que é improvável que a privatização da empresa aconteça antes de 2021, diante do tempo que ainda é necessário para que o marco regulatório do setor passe pelo Congresso.

Confira os destaques:

Petrobras (PETR3;PETR4)

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse ontem no Rio de Janeiro que a estatal venderá no segundo semestre de 2020 toda a sua participação na Gaspetro, através de um IPO.

Segundo ele, a Gaspetro pretende se desfazer dos 51% de participação que possui em 19 distribuidoras de gás natural ao redor do Brasil. A Petrobras possui esta participação com a japonesa Mitsui. Em matéria publicada hoje no diário Valor Econômico, Castello Branco disse que “vamos sair definitivamente do negócio de distribuição de gás natural”.

Castello Branco afirmou que a Mitsui, após uma resistência inicial, concordou com a venda. Em 2018, a Gaspetro teve faturamento líquido de R$ 417 milhões e lucro de R$ 271,5 milhões. Castello Branco também afirmou que a Petrobras venderá sua participação na petroquímica Braskem até o final de 2020.

A Petrobras ainda  pagou à União R$ 34,42 bilhões referentes a parcela do bônus de assinatura da aquisição do bloco de Búzios, na licitação de volumes de óleo e gás excedentes ao contrato da cessão onerosa.

Diante do pagamento, a União repassou à Petrobras R$ 34,414 bilhões, referentes ao valor previsto no termo aditivo ao contrato da cessão onerosa, que foi atualizado pela taxa Selic até a data de pagamento.

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A Petrobras arrematou dois blocos no leilão de novembro. Por Búzios, arcou com R$ 61,38 bilhões para ter 90% de participação nessa área – as chinesas CNODC e CNOOC ficaram com 5% cada. A estatal ainda levou Itapu, com bônus de R$ 1,77 bilhão.

Questionada sobre quando fará os pagamentos restantes, a Petrobras citou uma nota do dia da realização do leilão, em 6 de novembro, segundo a qual o bônus total de assinatura será pago até 27 de dezembro. A companhia disse anteriormente que os pagamentos não alterarão seu patamar da dívida e serão suportados pela atual disponibilidade de caixa e pela geração de caixa no quarto trimestre.

Construtoras

O presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos a Lei que institui a modalidade de saque aniversário no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A Lei 13.932 está publicada na edição desta quinta-feira, 12, do Diário Oficial da União (DOU).

Em mensagem encaminhada ao Congresso, o governo explica as razões dos vetos feitos ao texto da lei. Foram vetados dispositivos que estabeleciam fixação de porcentual do resultado do FGTS como condição para que as aplicações em habitação popular possam contemplar sistemática de desconto, direcionada em função da renda familiar do beneficiário.

Sobre os percentuais de distribuição de lucro, antes da MP 889 esse percentual estava limitado a 50% do resultado de cada exercício. Agora, o resultado será definido pelo Conselho Gestor, que poderá distribuir valores superiores.

O Bradesco BBI vê as notícias como positivas para os construtores de baixa renda pois, se os vetos forem mantidos pelo Congresso, espera-se: (i) que o subsídio do programa MCMV para os próximos anos siga nos níveis atuais (de R$ 9 bilhões) e ii) distribuição de lucros volta a 50%.

A maior restrição de crédito da Caixa desde o início deste ano deve continuar, avalia o banco. Enquanto isso, as novas regras esperadas para o programa MCMV podem diminuir ainda mais o subsídio médio por unidade (como já aconteceu em 2019).

“No entanto, mesmo nesse cenário, continuamos confiantes de que os players mais eficientes, como nossas principais opções no segmento de baixa renda, Direcional e Tenda, provavelmente continuarão a ter um desempenho superior, pois estão focados em produzir unidades mais acessíveis – e compradores de baixa renda são muito sensíveis aos preços”, afirmam os analistas.

Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3)

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A Lojas Americanas e a B2W tiveram a recomendação elevada, respectivamente para outperform e neutra, pelo Credit Suisse.

Os analistas do banco suíço destacam que as ações da companhia tiveram uma forte alta recentemente por conta do cenário macroeconômico. Contudo, ainda há um potencial de alta relevante. No caso das Lojas Americanas, há uma combinação interessante de um negócio de lojas físicas que parece descontado e um ambiente mais favorável para a B2W.

“A Lojas Americanas tem um forte histórico de crescimento no segmento de lojas físicas que nos parece descontado e um ambiente bem mais favorável para a B2W”, afirmam os analistas.

Sabesp (SBSP3), Copasa (CSMG3) e Sanepar (SAPR11)

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do PL do Saneamento, com algumas alterações para garantir a votação final permanecesse na Câmara (ao invés do Senado).

O Credit Suisse destacou quatro pontos: (i) a extensão do prazo (março de 2022) para a formalização de contratos irregulares e a permissão de renovação dos contratos de programa (ate março de 2022), ambos por até 30 anos; (ii) os contratos existentes serão modificados para incluir metas visando alcançar maiores níveis de cobertura ate 2033; (iii) melhor definição da titularidade das concessões; e (iv) definição de interesse comum.

“Acreditamos que algumas companhias poderiam escolher estender as concessões (adiar a privatização). No entanto, com novas metas de operação, qualidade e investimentos, muitas não serão capazes de manter os contratos. Acreditamos que deve haver maior regionalização e agrupamento de concessões segundo interesses em comum. Destacamos que as orientações regulatórias da ANA e os incentivos para a aplicação das novas regras foram mantidos,o que já deve justificar menor risco”, afirma o Credit.

Os deputados aprovaram o projeto do Poder Executivo em vez daquele de autoria do Senado, assim, possíveis mudanças feitas pelos senadores terão de ser analisadas novamente pelos deputados antes da sanção presidencial.

Para XP, manobra abriu “espaço para mais uma longa jornada de discussões em torno do tema, já que possivelmente haverá alterações por parte do Senado“.

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Além disso, segundo uma fonte da Bloomberg, é improvável que a privatização da Sabesp aconteça antes de 2021, diante do tempo que ainda é necessário para que o marco regulatório do setor passe pelo Congresso.

O governo de São Paulo está esperando pela conclusão da tramitação para, com as novas regras em vigor, poder analisar a melhor opção entre privatização ou capitalização. Em qualquer um dos casos, há poucas chances de que o processo aconteça no próximo ano, disse a pessoa.

Notre Dame (GNDI3)

A ação da Notre Dame Intermédica na oferta subsequente (follow on) foi definida em R$ 57,00, de modo que a operação alcançou R$ 5 bilhões.

A distribuição primária, de 65 milhões de novas ações, somando R$ 3,705 bilhões irá para o caixa da companhia. Também foram colocadas ações secundárias, tendo como o vendedor Alkes II – Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, em lote adicional de 22.750.000 papéis, ou 35% da quantidade da oferta base.

Os bancos coordenadores foram Itaú BBA (líder), JPMorgan, Bradesco BBI, Citi, Morgan Stanley, Santander, Credit Suisse e UBS. O início das negociações das ações objeto da oferta será nesta sexta-feira, dia 13.

MRV (MRVE3

A MRV Engenharia informou ontem (11) que encerrou com sucesso a primeira oferta pública de cotas do Luggo Fundo de Investimento Imobiliário, com a captação de R$ 90 milhões.

Segundo a MRV, a oferta obteve a captação máxima, com quase dois mil cadastros de pessoas físicas. A empresa afirma que o fundo Luggo adotou um modelo de negócios inovador no mercado da locação de imóveis nas grandes cidades brasileiras, tanto para o consumidor como para o investidor.

Nesse modelo, o consumidor interessado em alugar um apartamento procura na internet o imóvel e pode realizar todo o processo em três dias – muitas unidades já vêm mobiliadas com cozinha e eletrodomésticos.

“A Luggo é a única empresa totalmente verticalizada do mercado, atuando em toda a cadeia – desde a compra do terreno até a venda para o FII (fundo)”, comenta. O fundo já entregou duas torres de apartamentos, uma em Belo Horizonte, o Luggo Cipreste, e outra em Curitiba, o Luggo Ecoville.

Segundo a MRV, na primeira metade de 2020 serão entregues torres da Luggo na Zona Leste de Campinas (SP) e em Curitiba. A empresa afirma que adquiriu terrenos em são Paulo, Salvador, Brasília e Porto Alegre, onde serão construídas torres Luggo em 2020.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil reorganizará a sua estrutura de comando, através da redução da diretoria executiva e da reatribuição das suas funções, comunicou a estatal em fato relevante à CVM. Segundo o BB, a redução da diretoria faz parte da estratégia do banco para 2020 a 2024. “O número de diretores foi reduzido para 26”, afirmou.

O presidente do BB, Rubem de Freitas Novaes, indicou dois executivos para o novo Conselho Diretor da empresa: Walter Malieni Júnior e Mauro Ribeiro Neto. A posse dos conselheiros ainda depende de eleição pelo Conselho de Administração da estatal.

Cia. Hering (HGTX3)

A Hering distribuirá juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 18,1 milhões. O pagamento aos acionistas será feito no dia 30 de dezembro, usando como base a posição acionária da empresa no dia 16 deste mês. A empresa também comunicou que o pagamento será efetuado pelo Banco Itaú.

LOG-IN (LOGN3)

A Log-In, Logística Intermodal S.A., comunicou ontem (11) à CVM que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital social da companhia, com a emissão de 900 mil ações ordinárias, que representarão um aumento de capital ao redor de R$ 1,2 milhão.

B2W (BTOW3) e Linx (LINX3)

A B2W assinou memorando de entendimentos com a Linx, permitindo que ela conecte lojistas ao marketplace da plataforma de comércio eletrônico.

Desta forma, lojistas parceiros da Linx poderão vender no B2W Marketplace sem a necessidade de se conectarem individualmente à plataforma, e tendo maior facilidade na integração de estoques e no gerenciamento de vendas, diz o comunicado.

Além disso, lojas físicas poderão ser habilitadas para coleta, retirada e envio de produtos, permitindo que os clientes tenham acesso à retirada do produto na loja em até uma hora ou entrega a partir da loja em até 2 horas no endereço indicado.

Gol (GOLL4)

A Delta Airlines vendeu a sua participação na Gol, informou a empresa aérea brasileira em comunicado à CVM. Segundo a Gol, a Delta vendeu 32,9 milhões de ações preferenciais nos últimos dias na B3, cerca de 5% do total de ações preferenciais da empresa brasileira. Segundo o banco de investimentos Morgan Stanley, com a operação a Delta embolsou R$ 1,1 bilhão e encerrou sua participação como sócia minoritária na Gol. Já a Gol comentou que suas ações são uma das que têm maior liquidez na B3, com um volume médio diário negociado de R$ 200 milhões.

BBM Logística

A BBM Logística informou ontem (11) à CVM que comprou a totalidade das cotas da transportadora gaúcha Translovato, de Caxias do Sul (RS), por R$ 100 milhões. O valor será pago em cinco anos. Segundo a BBM, a Translovato atende a 2,5 mil clientes em 3.200 municípios brasileiros, com um faturamento de R$ 400 milhões em 2018. Com a aquisição, a BBM pretende ampliar o seu próprio raio de ação e planeja atingir um faturamento de R$ 2 bilhões em 2020.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)