Destaques da Bolsa

Ações de varejistas de e-commerce caem até 4% seguindo EUA; Taurus desaba quase 10% após medida do governo e Oi avança 5%

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (9)

SÃO PAULO – O Ibovespa teve um início de sessão morno nesta quarta-feira (9), passando para um dia de queda no início da tarde com o impasse para as negociações do pacote fiscal nos EUA e também com os investidores monitorando o risco fiscal no Brasil.

Em entrevista coletiva, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, reafirmo que não haverá votação da prorrogação de calamidade, nem da PEC da guerra. Mais cedo, a Folha de S. Paulo afirmou que técnicos do Ministério da Economia trabalham com a possibilidade de prorrogar o estado de calamidade e o Orçamento de guerra caso ocorra uma segunda onda da covid-19.

Em meio a esse cenário nebuloso, mas ainda de uma certa forma amortecido pela continuidade da entrada de fluxo estrangeiro em meio ao otimismo com as vacinas, os bancos registraram movimentos distintos, com Banco do Brasil (BBAS3, R$ 35,96, -1,37%) e Santander Brasil (SANB11, R$ 42,95, -0,60%) em queda, enquanto Itaú (ITUB4, R$ 30,54, +0,59%) teve leve alta e Bradesco (BBDC3, R$ 22,73, -0,22%; BBDC4, R$ 25,73, +0,27%) fechou com sentidos distintos para seus papéis ON e PN.

Por outro lado, as ações de áreas, que abriram em alta em meio ao movimento positivo com a expectativa pela retomada das operações com as vacinas, viraram para baixo e fecharam em queda de cerca de 1%, caso de Gol (GOLL4, R$ 27,31, -1,37%) e Azul (AZUL4, R$ 40,89, -1,21%). Por outro lado, ações de shoppings, como Iguatemi (IGTA3, R$ 39,21, +2,11%) e Multiplan (MULT3, R$ 24,84, +,43%), que também se beneficiam de um cenário com vacina por conta da redução das medidas de isolamento social, tiveram ganhos expressivos na sessão.

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 27,26, +0,11%; PETR4, R$ 26,94, +1,05%), por sua vez, fecharam com ganhos, em um dia de bastante volatilidade para o petróleo. A commodity tinha alta amena durante a manhã, à medida que notícias sobre vacinas para Covid-19 alimentavam expectativas sobre recuperação na demanda por combustíveis, o que ofuscou preocupações com dados que mostraram salto nos estoques de petróleo dos Estados Unidos na semana passada, segundo dados preliminares do API da véspera.

Contudo, no final da manhã, foi divulgado o dado de estoque de petróleo semanal nos EUA pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) do país, reportando alta de 15,189 milhões de barris na semana; analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam queda de 1,2 milhão de barris no período. Os estoques de gasolina subiram 4,221 milhões de barris, a 237,859 milhões de barris, ante expectativa de alta de 2,0 milhão de barris. Já os estoques de destilados avançaram 5,222 milhões de barris, a 151,092 milhões de barris, ante projeção de alta de 500 mil barris. Com isso, as cotações do minério WTI e brent chegaram a cair para depois amenizarem durante a tarde. Os contratos do WTI para janeiro recuaram 0,17%, a US$ 45,52 o barril, enquanto os futuros do Brent para fevereiro fecharam quase estáveis, aos US$ 48,86 o barril.

Ainda entre as altas do Ibovespa, ainda que mais amenas, estiveram as ações da EzTec (EZTC3, R$ 42,90, +0,82%), que tiveram o preço-alvo elevado de R$ 51 para R$ 53 pelo Credit Suisse, que reforçou recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos. Por outro lado,  Cyrela (CYRE3, R$ 29,47 -1,90%), cujo preço-alvo foi elevado de R$ 32 para R$ 35, virou para queda.

“Apesar do rating de outperform para toda a cobertura de ações de companhias de renda média entre as construtoras, preferimos as empresas com ações mais líquidas e bem posicionadas, como EzTec e Cyrela. Eztec está bem posicionada para capturar o aumento nos preços em SP e também conta com uma gestão de alta qualidade, Cyrela também conta com um momento operacional impressionante junto com uma plataforma de real estate bastante atrativa que deve dar um impulso em ganhos no curto prazo”, avaliam os analistas.

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As ações da Vale (VALE3, R$ 82,70, -0,24%) registraram leve queda. A sessão, contudo, foi de mais um dia de ganhos para as cotações do minério de ferro, com a commodity à vista negociada em Qingdao registrando ganhos de 0,5%, a US$ 150,75 a tonelada. Ainda em destaque, está o acordo para a venda da Vale Nova Caledônia, o que foi considerado um passo positivo de desinvestimento da mineradora.

Enquanto isso, seguem as negociações por um acordo em Brumadinho. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o acordo de reparação de danos associados ao rompimento de uma barragem da empresa na cidade mineira  deve envolver a injeção de bilhões de reais pela Vale em fundos a serem geridos pelo Estado.

As conversas por ora focam na chamada “governança” do acerto, e não valores, com objetivo de definir responsabilidades pelos trabalhos de compensação e como eles seriam executados, e há alinhamento entre as partes contra a criação de uma organização voltada especificamente a essas tarefas, acrescentaram as fontes,.Há expectativa de que um acerto inicial sobre a governança do acordo pelos danos causados por Brumadinho possa ser alcançado eventualmente até mesmo nesta quarta-feira, durante reunião de mediação de um órgão da Justiça agendada entre Vale e autoridades mineiras, disse uma das fontes.

A melhor estimativa da Vale para os custos associados a Brumadinho neste momento é de um total de R$ 29,6 bilhões, sendo R$ 19 bilhões em um potencial acordo global como o buscado junto ao governo de Minas e outros órgãos como o Ministério Publico Federal.

O papel do Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3, R$ 75,25, +0,47%) teve leve alta na sessão. A companhia anunciou mais uma aquisição, desta vez a do hospital da Lifetime Sistemas de Saúde em Belo Horizonte (MG). O NotreDame pagou R$ 240 milhões por uma estrutura com 205 leitos, sendo 40 de UTI, 13 salas cirúrgicas e 12 consultórios de pronto socorro, além de ressonância magnética, tomografia, ultrassonografia, endoscopia, radiografia e laboratório de análises clínicas.

“Acreditamos que a aquisição é positiva para a companhia e terá um impacto positivo no preço das ações no curto prazo. A NotreDame segue com caixa líquido robusto de aproximadamente R$ 3 bilhões e vem melhorando sua rentabilidade, apesar do rápido crescimento via aquisições. Ainda enxergamos espaço para a empresa seguir no movimento de consolidação em um ritmo forte daqui em diante”, destaca a equipe de análise da Levante Ideias de Investimentos.

Entre as maiores quedas, atenção para varejistas com exposição ao e-commerce como o Magazine Luiza (MGLU3, R$ 23,98, -3,89%), B2W (BTOW3, R$ 81,40, -2,81%) –  a sua controladora Lojas Americanas (LAME4, R$ 24,34 -4,32%) – e Via Varejo (VVAR3, R$ 17,21, -2,77%), fecharam com baixa entre 2,5% e 4,5%. A sessão é de forte queda para os papéis de techs dos EUA, com o Nasdaq fechando em baixa de 1,94%.

Ainda no radar do setor, a Amazon (AMZO34, R$ 102, -1,69%) anunciou nesta quarta a chegada de um programa global de logística ao Brasil: o Fulfillment By Amazon (FBA), ou Logística da Amazon. Na prática, a varejista americana vai centralizar em seus próprios centros de distribuição armazenamento, empacotamento e envio ao consumidor final dos produtos de parceiros de venda no marketplace (sellers, em inglês).

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Na prática, a Amazon tira boa parte do processo logístico da mão desses varejistas associados e concentra em sua própria infraestrutura. “Com a Amazon cuidando de toda a parte logística, o parceiro terá mais tempo para focar em sua expertise. Já o consumidor ganha ao ter mais opções de frete grátis e celeridade no envio”, disse Rafael Ferreira, diretor do FBA no Brasil, em entrevista coletiva na qual o InfoMoney estava presente. Veja mais clicando aqui. 

Segundo a Levante Ideias de Investimentos, esta notícia é positiva para os acionistas da Amazon, mas destacando que  a operação no Brasil representa apenas “uma gota no oceano” para a gigante do varejo. Contudo, apontaram que a notícia deve trazer efeitos negativos nas varejistas concorrentes aqui no Brasil, como B2W, Magalu e Mercado Livre (MELI34, R$ 66,34, -1,69%).

“A logística é ponto chave nas teses de investimento das empresas do setor. Ao possuir e operar bem a malha logística disponível – o que requer a combinação tanto de terra, capital (ativos físicos e financeiros), trabalho (pessoas) e tecnologia – os fatores de produção básica em um sistema produtivo, a companhia consegue tanto atrair mais compradores como vendedores para sua plataforma. Assim, ela aumenta a recorrência de receita junto aos clientes, fortalece sua marca e aumenta o sortimento/categoria de produtos vendidos na plataforma. Com mais produtos disponíveis, ela atrai mais clientes, o que a torna capaz de melhorar ainda os seus ‘fatores de produção'”, destacam os analistas.

Fora do índice, atenção ainda para as ações da Oi (OIBR3, R$ 2,45, +5,15%;OIBR4, R$ 3,65, + 5,19%), com alta de mais de 5%. Os analistas do Bradesco BBI elevaram o preço-alvo para os papéis OIBR3 de R$ 3,10 para R$ 3,40, reiterando recomendação equivalente à compra e citando os efeitos que a venda do segmento de telefonia móvel da companhia deve ter no mercado e a expansão dos serviços de fibra ótica pelo País. Confira a análise sobre a companhia clicando aqui. 

Também em destaque, o papel PN da Taurus Armas (TASA4, R$ 16,30, -9,70%), o mais líquido, caiu cerca de 10%, mas ainda acumulando ganhos de cerca de 170% no acumulado do ano. Na sessão, ganha destaque a notícia de que o governo decidiu zerar a alíquota do Imposto de Importação de revólveres e pistolas a partir do dia 1º de janeiro de 2021. A companhia informou em comunicado não ver impacto relevante da decisão para as operações da empresa.

Veja mais destaques:

Tupy (TUPY3, R$ 21,06, -5,26%)

A Tupy informou que a Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) emitiu parecer técnico inicial desfavorável à aquisição da subsidiária brasileira.

A companhia apontou que o processo, com a mencionada recomendação, será submetido à apreciação do Tribunal do Cade, “ocasião em que as partes (Tupy e Teksid) reapresentarão todas as evidências que apontam que a transação não oferece
quaisquer efeitos concorrenciais danosos ao mercado brasileiro”.

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“As partes esclarecem que, nos termos do contrato de compra e venda firmado, eventual reprovação das autoridades brasileiras não enseja o cancelamento do perímetro remanescente da transação. A companhia continuará colaborando com o Cade e adotando todas as diligências necessárias com vistas a obter a aprovação integral da transação e manterá o mercado e seus acionistas informados sobre quaisquer atualizações relevantes relativas ao tema”, informou ainda.

Na avaliação do Bradesco BBI, se a transação for rejeitada no Brasil, a Tupy e a Teksid poderiam excluir as operações brasileiras da operação, ajustando a avaliação e seguindo em frente com o negócio. Autoridades europeias já aprovaram o negócio. Autoridades mexicanas e norte-americanas ainda estão analisando.

“Apesar dessa surpresa negativa, Tupy e Teksid terão a oportunidade de defender a transação durante julgamento do Cade. No cenário mais pessimista, Teksid poderia excluir as operações brasileiras, o que significa que a Tupy iria adquirir as fundições de aço para blocos de motor no México, Portugal, Polônia e China. De acordo com nossas estimativas, o
o valor empresarial desta transação cairia de 210 milhões de euros para 113 milhões de euros e nosso preço-alvo para 2021 passaria de R$ 35 para R$ 33”, apontam os analistas, que seguem com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para o papel, destacando que a ação está sendo negociada na casa dos R$ 21, que não embute a aquisição da Teksid (que representa R$ 4 do preço-alvo dos analistas).

Taurus (TASA4, R$ 16,30, -9,70%)

O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) decidiu zerar a alíquota do Imposto de Importação de revólveres e pistolas a partir do dia 1º de janeiro de 2021. A Resolução que inclui os artigos na lista de exceções à tarifa externa comum, reduzindo a alíquota do imposto de 20% para zero, está publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (9).

Pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro comentou a medida. “A Camex editou resolução zerando a Alíquota do Imposto de Importação de Armas (revólveres e pistolas). A medida entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2021”, escreveu. Nos comentários da publicação, o chefe do Executivo respondeu um usuário que cobrou o “direito ao armamento”.

O seguidor do presidente escreveu “Cadê o direito de armamento também Jair Messias Bolsonaro, ficou só no papel né”. Em resposta, Bolsonaro citou que o projeto sobre o assunto está no Legislativo. “PL está no Congresso”, disse. Nesta quarta-feira, está prevista na agenda pública de Bolsonaro a participação na reunião do Conselho de Estratégia Comercial da Camex.

Em comunicado ao mercado, a Taurus afirmou que o impacto dessa resolução em seus negócios não causará efeito
significativo na sua operação. O mercado doméstico/nacional é inferior a 15% de suas vendas, cujas margens são inferiores as das exportações. “Além do que, somos uma multinacional com fábrica nos EUA e uma futura operação na Índia o que nos dá as mesmas vantagens da resolução da CAMEX”.

A companhia aponta ainda que essa resolução não altera a incidência de outros impostos, tais como: ICMS, PIS/COFINS e IPI, sobre as importações de armas.

“Nos últimos 3 anos a Taurus passou por uma forte reestruturação focada na redução de custos que lhe permite, mesmo com essa isenção, manter seus preços, no mercado brasileiro, mais atrativos frente a seus concorrentes internacionais.
Conforme divulgado anteriormente, a companhia possui mais de 1,1 milhão de pedidos em carteira no mercado americano, o que representa 8 meses de vendas. Por outro lado, lamentavelmente essa medida irá acelerar o processo de priorização de
investimentos nas fabricas nos EUA e na Índia, em detrimento aos investimentos que iriam gerar empregos e riqueza no Brasil, essa medida não muda os planos de investimentos”, destacou.

Vale (VALE3, R$ 82,70, -0,24%)

A Vale informou na terça à noite que sua subsidiária Vale Canada assinou um acordo vinculante de opção de venda de sua participação na planta de níquel na Nova Caledônia. A Vale afirma que uma reserva de US$ 500 milhões destinadas à proposta, com execução prevista para o primeiro trimestre de 2021, será incluída em suas demonstrações financeiras consolidadas.

A Nova Caledônia é um arquipélago no sul do Oceano Índico, pertencente à França. Em novembro, a Vale havia anunciado um período de exclusividade para negociações com um consórcio formado em uma nova empresa chamada “Prony Resources”. A empresa é apoiada pelas autoridades de França e Nova Caledônia, e liderada pela atual administração e funcionários da Vale Nouvelle-Calédonie. A Trafigura é acionista minoritária.

“A Vale e todos os envolvidos no processo de desinvestimento – incluindo a Província do Sul da Nova Caledônia, o Estado francês e os funcionários e a administração da VNC – podem se orgulhar do fato de que esses esforços produziram um resultado tão positivo”, destacou Mark Travers, diretor executivo de metais básicos da Vale, em comunicado ao mercado.

A Vale afirma que a transação está sujeita a consulta ao conselho de trabalhadores da Vale Nouvelle-Calédonie, aprovações pelas autoridades de Nova Caledônia e França, entre outras.

O Credit Suisse disse avaliar a venda da Vale Nouvelle-Calédonie como positivo para a Vale, já que se trata de um ativo que foi, historicamente, desafiador e de alto custo de gestão, gerando Ebitda negativo nos últimos 5 anos, de US$ 128 milhões negativos em média por ano.

O acordo representa um passo importante para a Vale, no sentido de reduzir sua perda de recursos, já que a alternativa seria continuar a pagar pela manutenção do ativo nos próximos anos. Segundo o banco, a Vale vinha buscando formas de deixar o negócio há tempos, e concordou em contribuir com US$ 500 milhões para dar suporte à transição.

O banco avalia que o preço do minério de ferro e a produção da Vale devem continuar atrativos em 2021. O Credit mantém avaliação em outperform para a Vale, com perspectiva de ganhos atrativos no futuro, com perspectiva de reavaliação dos papéis e mantém preço-alvo de US$ 18 para os papéis da Vale negociados na Bolsa de Nova York, frente os US$ 16,19 atuais.

Ainda no radar, a Vale tem nova audiência nesta quarta-feira sobre Brumadinho. Em meados de novembro, o governo de Minas Gerais e instituições do sistema de Justiça não aceitaram proposta financeira da mineradora para um acordo global relacionado a reparações pelo desastre ocorrido em janeiro de 2019.

IRB (IRBR3, R$ 7,22, -4,12%)

A AM Best retirou da classificação (rating) com implicações negativas e afirmou o Rating de Solidez Financeira (FSR) A- (Excelente) e o Rating de Crédito de Emissor de Longo Prazo “a-” do IRB-Brasil Resseguros SA (IRB) (Brasil). A perspectiva atribuída a esses Ratings de Crédito (ratings) é negativa.

As classificações refletem a solidez do balanço patrimonial do IRB, categorizada pela AM Best como mais forte, bem como desempenho operacional forte, perfil empresarial neutro e gestão de risco da empresa (ERM) marginal.

As classificações também refletem a visão da AM Best sobre o desempenho operacional do IRB, recentemente impactado pelo desenvolvimento de reservas de anos anteriores, em razão de eventos catastróficos naturais e sinistros provenientes das linhas de resseguro de vida, exigindo que a empresa republicasse suas demonstrações financeiras de 2018 e 2019, além da pandemia COVID-19. Se os resultados continuarem a ser impactados negativamente e as reservas continuarem a se desenvolver adversamente no curto prazo, a AM Best vê potencial para deterioração do desempenho operacional e do balanço patrimonial do IRB.

Embora a AM Best reconheça as melhorias recentes no ERM da companhia, o IRB ainda está sob inspeção regulatória especial pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP, autoridade regulatória do setor de (res)seguros brasileiro). A AM Best entende que, após a resolução da supervisão regulatória, o ERM da companhia ainda precisará ser testado e avaliado por um período mais longo antes de ser considerado como adequado, dado o perfil de negócios do IRB.

A AM Best reconhece que mudanças estratégicas estão sendo feitas nas práticas de underwriting do IRB, que têm potencial para reduzir a volatilidade operacional e restaurar a lucratividade após as renovações de 1º de janeiro de 2021. No entanto, o desempenho operacional do IRB se compara favoravelmente com seus pares quando considerado em uma média de cinco anos.

As perspectivas negativas refletem as preocupações da AM Best com relação à pressão contínua sobre o desempenho operacional e a lucratividade da companhia, bem como a solidez do balanço patrimonial no médio prazo. Enquanto a empresa continua a executar uma estratégia de recuperação viável, o IRB enfrenta instabilidade em seus resultados operacionais decorrentes de certas linhas de negócios e desenvolvimento de reservas de anos anteriores, aumentando o risco de execução, destaca a agência.

Fatores que podem causar ações de rating negativas são deterioração material da solidez do balanço patrimonial ou do desempenho operacional; em particular, o desenvolvimento adverso contínuo de reservas de anos anteriores ou underwriting não lucrativo. A AM Best acredita que os ratings da companhia estão apropriados neste momento e não vê nenhum movimento positivo a curto prazo, afirmou em comunicado.

Ânima (ANIM3, R$ 38,00, 0,00%)

Segundo informações do jornal Valor Econômico, a Ânima está analisando a possibilidade de fazer uma cisão do seu braço de negócios de cursos de medicina e uma oferta inicial de ações (IPO) dessa unidade, após a aprovação da compra da Laureate Brasil, em 2021.

A transação visa desbloquear o valor da operação medicina, que parece estar subvalorizado hoje quando comparamos com o que o mercado está pagando pela Afya – empresa focada em cursos de medicina – que negocia a um EV de mais de R$4mil/vaga, que para a Ânima poderia representar um EV implícito de mais de R$9B, em comparação com a avaliação atual de R$8B (já considerando o EV combinado da Laureate e da Ânima).

Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 19,27, +0,10%)

A S&P Dow Jones Indices excluiu o Carrefour Brasil de um índice que reúne ações de empresas comprometidas com boa governança e padrões mais rígidos de postura social e ambiental. A medida ocorre semanas após a morte de um homem negro em uma loja do grupo em Porto Alegre (RS), após ter sido espancado por seguranças que atuavam na unidade.

Em nota, o Carrefour Brasil afirmou ter apresentado as informações e documentos solicitados pela S&P Dow Jones, “a fim de reforçar sua agenda positiva, que inclui ações afirmativas voltadas à promoção da diversidade e sua pauta antirracista”.

A empresa informou ainda que comunicou à B3 sobre medidas recentes, incluindo a criação de um comitê de diversidade e inclusão e a adoção de uma política de tolerância zero ao racismo, a transformação de seu modelo de segurança e a criação de um dispositivo para denúncias de discriminação ou violência.

Notre Dame (GNDI3, R$ 75,25, +0,47%)

A Notre Dame Intermédica anunciou a aquisição do hospital Lifecenter, em Belo Horizonte (MG), por R$ 240 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 1,2 milhão por leito. O valor será pago à vista, descontado o endividamento líquido e uma parcela retida para contingências.

O Hospital Lifecenter opera uma estrutura de alta complexidade com 205 leitos, sendo 40 de UTI, 13 salas cirúrgicas e 12 consultórios de pronto socorro, além de ressonância magnética, tomografia, ultrassonografia, endoscopia, radiografia e laboratório de análises clínicas. Em 2019, o Hospital Lifecenter apresentou faturamento líquido de R$ 153,9 milhões.

De acordo com o comunicado da Notre Dame Intermédica, o hospital está entre as instituições mais reconhecidas de Belo Horizonte, certificado pela Joint Comission International (JCI) e ONA3. A companhia passará a deter, de forma indireta, 100% das ações do Hospital Lifecenter.

O plano de integração prevê sinergias operacionais e administrativas com as demais operações adquiridas no Estado de Minas Gerais, em especial Belo Horizonte, afirma a Notre Dame, e irá aumentar a oferta comercial de produtos de planos de saúde GNDI verticalizados na região, segundo informou a empresa em nota. A consumação da Transação está sujeita à aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O Credit Suisse afirmou que a aquisição do Hospital Lifecenter em Belo Horizonte pela Notre Dame é positiva. A empresa gastou o equivalente a R$ 1,2 milhão por leito, em meio ao aumento da competição por hospitais. O banco diz que o hospital serve a vários tipos de clientes, incluindo os de maior poder aquisitivo, e afirma que está entre os dez melhores da microrregião.

PetroRio (PRIO3, R$ 54,45, +0,83%)

A PetroRio divulgou seus dados operacionais do mês de novembro, quando produziu 27.293 barris de óleo equivalente por dia (boepd), ante 30.942 boepd em outubro, uma queda de 11,8%.

Em relação ao mês anterior, a maior queda na produção ocorreu no campo de Polvo, de 9.049 para 6.391 boepd, recuo de 29,3%. Segundo explica a PetroRio em comunicado, a produção em Polvo foi impactada por um vazamento na caldeira do terminal, o que provocou a interrupção das atividades por nove dias.

Houve queda também na produção no campo de Frade, onde a PetroRio tem participação de 70%, de 12.331 para 11.654 boepd. Em Tubarão Martelo, a produção caiu de 7.369 para 6.919 boepd. Houve aumento somente no campo de Manati, onde a companhia tem fatia de 10%, de 2.193 para 2.330 boepd.

As vendas de óleo pela PetroRio totalizaram 906.375 barris em novembro, ante 993.619 barris em outubro.

Ômega Geração (OMGE3, R$ 37,15, -0,46%)

A Omega Geração concluiu a aquisição de 50% das ações dos Complexos Eólicos Ventos da Bahia 1 e Ventos da Bahia 2, atualmente detidos pela EDF Renewables do Brasil. Os dois complexos eólicos têm capacidade de geração de 182,6 megawatts.

O valor final da operação foi de R$ 680,3 milhões (R$ 661,7 milhões, ajustado pelo capital de giro), dos quais R$ 360,5 milhões foram pagos em caixa e R$ 319,8 milhões assumidos em endividamento líquido.

“Os valores mencionados poderão sofrer ajustes em função de diferenças de endividamento líquido e capital de giro dos ativos entre a projeção para a data do fechamento e o balanço efetivo da data de fechamento”, afirmou a companhia.

Qualicorp (QUAL3, R$ 34,45, -0,43%)

A Qualicorp Consultoria e Corretora de Seguros informou na terça que fechou, junto com a subsidiária Qualicorp Administradora de Benefícios, a aquisição de contratos de planos privados de planos de saúde celebrados entre a Muito Mais Saúde Administradora de Benefícios e as operadores da planos de saúde Grupo Notre Dame Intermédica, Assim Saúde e Amil.

O negócio tem valor de R$ 176 milhões, e foi celebrado com a Muito Mais Saúde Administradora de Benefícios e com a Soma Corretora de Seguros. A Qualicorp adicionará a seu portfólio cerca de 55 mil novos clientes, no segmento coletivo por adesão, localizados nos Estados de Rio de Janeiro e de São Paulo e atendidos pelas operadoras.

BRF (BRFS3, R$ 22,68, -1,95%)

A BRF comunicou na terça que criou uma vice-presidência de relações institucionais, reputação e sustentabilidade, que se tornará efetiva a partir de 2021, e será liderada por Grazielle Tallia Parenti. A executiva ocupa, desde 2019, o cargo de diretora de relações institucionais na BRF.

Segundo a BRF, Parenti é formada em administração de empresas na FGV, com MBA com ênfase em marketing pela FIA e pós graduação em políticas públicas na FGV. Ela tem mais de 25 anos de experiência na indústria de alimentos, com passagem pela Diageo e Mondelez. Ela acumula os cargos de presidente da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), diretora do Instituto BRF e é membro de conselhos de administração de “diversas associações de classe”.

Na terça, a BRF divulgou seu plano de crescimento para os próximos dez anos. A empresa afirmou que pretende dobrar seu lucro Ebitda até 2023, e mais do que triplicá-lo até 2030, levando a valorização de seus papéis acima da média do mercado na terça.

O Bradesco BBI afirma que o anúncio marca uma mudança do foco da BRF em reestruturação para crescimento, o que pode melhorar a avaliação de investidores sobre seus papéis. O banco diz acreditar que, caso a empresa seja capaz de efetivar seu plano de investimentos, há espaço para valorização relevante das ações.

O Bradesco diz avaliar que o segmento de comida processada deve ganhar nos próximos trimestres espaço nos negócios da empresa, em comparação com o de comida fresca. Isso pode levar a uma reavaliação do rating (classificação) das ações.

No momento, o banco manteve avaliação das ações em outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado, e não alterou o preço-alvo, de R$ 28, frente os R$ 23,13 atuais, por avaliar que é necessário obter mais informações sobre os principais pontos a levarem crescimento, e as oportunidades de aquisição da empresa.

O Credit Suisse avaliou que o plano apresentado pela BRF em seu dia do investidor é “ousado”, com foco em refeições prontas, carne vegetal e suína, que devem crescer entre as vendas da empresa. O

As vendas entre 2027 e 2030 devem atingir R$ 100 bilhões, e o lucro Ebitda deve crescer 3,5 vezes, a R$ 17,2 bilhões. Neste cenário, a margem Ebitda deve se manter acima de 15%, e a margem líquida deve ficar acima de 6%. O retorno sobre capital investido deve se elevar a 16%.

Segundo o Credit Suisse, esse desempenho deve ser impulsionado por investimentos “agressivos”, de R$ 55 bilhões em dez anos. A primeira fase deve ter capex de R$ 6 bilhões ao ano, três vezes mais alto do que o dos últimos cinco anos.
A empresa pretende crescer 25% no mercado internacional ao ano nos próximos seis anos. No mercado nacional, espera crescer 8% ao ano no período.

O Credit Suisse afirma que a empresa apresentou planos ambiciosos de crescimento no mercado internacional no passado, mas sem o sucesso pretendido, o que o torna cético quanto à promessa mais recente. No mercado doméstico, a empresa deve enfrentar o provável fim do auxílio emergencial.

O banco diz avaliar que os desafios de crescer no mercado internacional e ampliar a participação da comida processada nos negócios não são tarefas simples, especialmente com os desafios esperados em 2021. Por isso, mantém avaliação neutra para os papéis da companhia, com preço-alvo de R$ 22, frente os R$ 23,13 atuais.

TIM (TIMS3, R$ 14,32, +0,35%), Oi (OIBR3, R$ 2,45, +5,15%) e Vivo (VIVT3, R$ 45,30, +2,23%)

O Bradesco BBI diz avaliar que há um cenário positivo para as empresas brasileiras de telecomunicações, com o crescimento da conexão de internet FTTH (sigla em inglês de da fibra ao lar), em que a conexão de internet é fornecida por meio de um cabo de fibra óptica que vai do operador até o cliente. É uma internet mais rápida e segura.

O banco avalia que a Oi deve ter aumento de receita com a expansão da rede FTTH, com adição de 140 mil lares por mês. O plano da empresa é atingir 14 milhões em 2021. A Oi também se beneficia de uma receita média por unidade maior do que o esperado, o que pode levar a aumento de 9% na receita em 2021. O banco espera que o plano de recuperação judicial se encerre em 2021, e o Ebitda cresça 31% no ano. Isso deve levar mais investidores a buscarem as ações na B3. O banco aumentou o preço-alvo de R$ 3,40, frente os R$ 2,33 do fechamento da véspera.

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A TIM teve queda de 6% em sua base de clientes no ano até o momento, com, no entanto, aumento da receita por unidade. O Bradesco espera que a receita cresça 5,4% em 2021. A TIM Live deve ter crescimento de 27% em 2021, na previsão do banco, compensando pela retração em 11% de outros serviços. O Bradesco espera que o lucro Ebitda cresça 6,3% em 2021. E que a conclusão da venda da TIM Live ocorra no primeiro trimestre de 2021. O banco mantém preço-alvo de R$ 19,5, frente os R$ 14,27 da véspera.

O banco avalia que a Vivo mantém um bom crescimento de usuários, que deve impulsionar o faturamento. O Bradesco espera que a base de clientes de celular cresça 5% em 2020 o que, junto ao ao ajuste da inflação e dos preços de pré-pagos, deve impulsionar o faturamento com serviços em 2,2% em 2021, na avaliação do banco. Com a propagação da FTTH em substituição a outras tecnologias, a receita com banda larga deve crescer 13% em 2021, atingindo cerca de 11% da receita total. O Bradesco mantém preço-alvo de R$ 61, frente os R$ 44,31 de ontem.

(com informações da Agência Estado, Bloomberg e Reuters)

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