Destaques da bolsa

Ação do IRB salta 25%, enquanto aéreas e CVC disparam até 16%; bancos sobem forte e frigoríficos caem

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (3)

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SÃO PAULO – Mais uma vez, a sessão foi de ganhos praticamente generalizados para a bolsa brasileira em meio ao otimismo com a reabertura econômica de muitos países desenvolvidos e até mesmo em nível nacional, além dos dados de produção industrial no Brasil e do mercado de trabalho com quedas mais brandas do que o esperado pelo mercado ajudando a animar os investidores.

O grande destaque da sessão, assim como na véspera, ficou para os papéis que mais sofreram com a pandemia do coronavírus, caso da CVC (CVCB3, R$ 19,82, +6,56%), Gol (GOLL4, R$ 17,59, +16,41%), Embraer (EMBR3, R$ 8,52, +3,40%) e Azul (AZUL4, R$ 18,45, +10,15%), com fortes ganhos.

A alta ocorre apesar de Azul e Gol terem sido rebaixadas de B1 para CAA1 pela Moody’s. Ainda no radar da Azul, a Folha destaca que, para negociar plano de dívidas com credores, a aérea contratou escritório de advocacia responsável pela recuperação judicial da Avianca Brasil, mas diretor financeiro diz que companhia não pensa em entrar em processo semelhante.

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Bancos, caso de Bradesco (BBDC3, R$ 19,91, +2,15%), Santander Brasil (SANB11, R$ 29,39, +4,48%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 5,09, +5,27%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 34,75, +5,88%), que também registram forte queda de seus papéis no acumulado do ano, subiram forte, entre 4% e 6%. IRB (IRBR3, R$ 10,75, +25,00%), uma das maiores baixas de 2020 no Ibovespa também por problemas internos da companhia de resseguros, teve alta expressiva de seus ativos, superando os 20%.

Já a Braskem (BRKM5, R$ 27,95, -4,87%), que tem leves perdas para as suas ações no ano, foi uma das poucas baixas do Ibovespa nessa sessão pós-balanço do primeiro trimestre. A variação cambial levou a companhia a registrar um prejuízo líquido de R$ 3,649 bilhões, ante lucro de R$ 928 milhões nos primeiros três meses de 2020.

Os frigoríficos também ficaram entre as maiores baixas, com JBS (JBSS3, R$ 83,20, -1,08%), Minerva (BEEF3, R$ 12,45, -3,34%), Marfrig (MRFG3, R$ 12,75, -2,07%) e BRF (BRFS3, R$ 22,65, -3,00%) com queda entre 3% e 5%. No radar do setor, MPT ajuizou ação civil pública pedindo a interdição da unidade de Ana Reich, em Caxias do Sul (RS), nesta quarta-feira devido a um surto de Covid-19 na unidade, disse à Bloomberg Priscila Schvarcz, procuradora do trabalho no Rio Grande do Sul.

Enquanto isso, a Petrobras (PETR3, R$ 22,06, +0,91%; PETR4, R$ 21,47, +0,33%) subiu, mas teve ganhos mais modestos em meio à sessão de leve queda para o petróleo em meio às dúvidas sobre se ocorrerá a reunião em junho da Opep+ (veja mais clicando aqui). Segundo a Reuters, Rússia e Arábia Saudita chegaram a um princípio de acordo para prorrogar os atuais cortes na produção de petróleo por mais um mês, mas a dúvida sobre o encontro segue pesando negativamente na commodity.

Confira os destaques:

Vale (VALE3, R$ 53,66, +0,45%)

A Vale teve a recomendação para os seus ADRs (American Depositary Receipts ou, na prática, as ações da empresa negociadas nos EUA) elevada de neutra para compra pelo UBS, com preço-alvo caindo de US$ 13 para US$ 12. Entre os fatores que sustentam a recomendação, estão a diluição dos custos de produção pela Vale. Embora o aumento da produção eleve o custo do frete, isso é positivo para as mineradoras, com a Vale, que têm maior participação de frete à vista.

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“A meta da administração é um aumento gradual 70 a 90 milhões de tonelada na produção e venda de minério de ferro e, nesse processo, a diluição dos custos fixos da Vale deve impulsionar o desempenho das ações em relação aos pares globais”, afirmaram, em relatório, os analistas.

Ainda no radar da mineradora, o governo intensificou o diálogo com a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar a renovação antecipada da Estrada de Ferro Carajás (EFC), da Vale, que teve parecer desfavorável pelo tribunal.

Segundo o jornal “O Estado de São Paulo”, o Ministério da Infraestrutura irá enviar nos próximos dias um documento para responder os pontos levantados pelo TCU.

Ainda sobre o setor de mineração, a Sul Americana de Metais (SAM), controlada pela chinesa Honbridge Holdings, espera um atraso de cerca de um ano para o início da operação do complexo minerário que espera operar no norte de Minas.

Copasa (CSMG3, R$ 57,10, -1,72%), Sanepar (SAPR11, R$ 29,93, +2,75%) e Sabesp (SBSP3, R$ 54,84, +0,40%)

A XP rebaixou de neutro para venda as ações da Copasa, levando em conta a recente valorização do papel e a retomada das discussões do Novo Marco do Saneamento, no Senado Federal. O preço-alvo foi reduzido de R$ 53 para R$ 46. As recomendações para Sabesp (neutro) e Sanepar (compra) foram mantidas, mas com o preço-alvo reduzido para R$ 50 e R$ 32, respectivamente.

Na avaliação dos analistas da XP, a Copasa pode ter maiores dificuldades em avançar em um processo de privatização mesmo com uma nova regulamentação para o setor. Isso porque a companhia de saneamento de Minas possui contratos que exigem consulta a alguns municípios atendidos caso opte por esse caminho.

“Além dos desafios na esfera municipal, destacamos também as complexidades para privatizar a Copasa na esfera estadual, dado que seriam necessárias mudanças na Constituição Estadual de Minas Gerais para viabilizar tal processo”, explicaram.

Qualicorp (QUAL3, R$ 26,82, +9,87%), Hapvida (HAPV3, R$ 58,05, +6,40%), Notre Dame (GNDI3, R$ 62,75, -0,81%), Odontoprev (ODPV3, R$ 14,92, +2,19%), Fleury (FLRY3, R$ 25,85, +0,94%) e SulAmérica (SULA11, R$ 47,54, +3,35%)

O Credit Suisse iniciou sua cobertura para o setor de saúde destacando que as operadoras devem perder 3,7 milhões de clientes devido aos efeitos da crise econômica decorrente da pandemia do coronavírus. Isso porque os planos corporativos respondem por 68% dos beneficiários do setor. Entre as empresas cobertas, a preferida é a Qualicorp.

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A empresa está com recomendação de “outperform” e preço-alvo de R$ 33. “A empresa consegue uma boa geração de caixa mesmo em um ambiente de menor crescimento”, avaliaram os analistas do banco suíço.

A Hapvida também recebeu recomendação de “outperform” e preço-alvo de R$ 63, baseado na expectativa de ganho de mercado em regiões de maior renda.

A NotreDame Intermédica (R$ 63), Odontoprev (R$ 14) e Fleury (R$ 25) receberam classificação neutra.

Já a recomendação para a SulAmérica é de “underperform”, com preço alvo de R$ 39. “A dependência de receita financeira e o segmento premium podem aparecer como um problema”, avaliaram os analistas.

Ainda no noticiário do setor, sobre Fleury, o Valor informa que, em um cenário de retomada gradual das atividades, a companhia começou a oferecer ao mercado serviços de consultoria que engloba desde oferta de testes para diagnóstico da covid-19 e atendimento médico virtual aos funcionários das empresas até desenho do modelo de como deve ser a rotina a fim de evitar as contaminações. Os dois primeiros clientes são o grupo de shopping centers Iguatemi e o banco Bradesco, acionista do Fleury.

Braskem (BRKM5, R$ 27,95, -4,87%)

A Braskem  reverteu lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 928 milhões no primeiro trimestre de 2019 em prejuízo de R$ 3,649 bilhões no mesmo período de 2020.

O prejuízo também é 25% maior na comparação com o quarto trimestre do ano passado, quando as perdas chegaram a R$ 2,922 bilhões. Os dados foram enviados nesta quarta-feira (3) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O relatório de resultados informa que o prejuízo ocorreu em função, principalmente, do impacto da variação cambial no resultado financeiro da empresa, que tem dívida em moeda estrangeira, além do ciclo de baixa do setor petroquímico que sofre em todo o mundo com a queda da demanda provocada pelo novo coronavírus (covid-19).

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Na mesma base de comparação, a receita líquida com produtos teve um leve queda de 3%, para R$ 12,625 bilhões. O Ebitda recorrente ficou em R$ 1,313 bilhão, recuo de 22%. O resultado, segundo a companhia, foi motivada pelos menores spreads cobrados no mercado internacional. Veja mais clicando aqui. 

Na avaliação dos analistas do Morgan Stanley, a empresa tem uma perspectiva de resultados melhores nos próximos trimestres e possui recursos em caixa, dois fatores que podem contribuir para a alta das ações e por isso a manutenção da indicação em “overweight” (exposição acima da média do mercado).

“Embora os resultados do primeiro trimestre tenham sido fracos, eles não refletem os maiores spreads e a taxa de câmbio mais fraca no Brasil”, disseram, em relatório, os analistas, destacando ainda a melhora na geração de caixa da empresa.

JBS (JBSS3, R$ 83,20, -1,08%)

A JBS foi acusada de violar direitos de trabalhadores indígenas. O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina ingressou com uma ação civil pública contra a JBS por suposta violação de direitos de trabalhadores indígenas após 40 terem sido demitidos de uma planta no município de Seara, segundo documentos judiciais de 1 de junho, segundo informações da Bloomberg.

Para os procuradores, a JBS desobedeceu legislação estadual que inclui povos indígenas no grupo de risco para o coronavírus, o que significa que eles deveriam ser afastados das atividades com licença remunerada, e não demitidos.

A JBS disse em comunicado que as demissões, ocorridas em 6 de maio, ocorreram em razão da descontinuidade da linha de ônibus que fazia o transporte dos colaboradores em um percurso de cerca de 600 km diários, ida e volta, até a unidade. A JBS disse ainda que a planta emprega 200 pessoas de outras comunidades indígenas de um total de 3.700 trabalhadores na unidade e que todos estão afastados preventivamente.

Dois casos de Covid-19 foram confirmados na comunidade indígena Terra Indígena Serrinha, segundo a ação.

Ainda sobre o setor, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, informou na terça-feira que o governo do Vietnã habilitou frigoríficos brasileiros de carne suíça para a exportação de carne ao país, segundo informações do jornal ‘Valor Econômico”. Ela informou que a habilitação valia para “cinco ou seis frigoríficos”, mas os nomes não foram revelados, mas os analistas do Bradesco BBI acreditam que JBS, que é dona da marca Seara, e a BR Foods podem ser beneficiadas pela medida.

“Embora ainda não tenhamos tido acesso para ver quais plantas foram aprovadas, o aumento das exportações de frango e suínos pode resultar em uma oferta mais restrita no mercado interno, o que favoreceria preços mais altos de carne”, afirmaram em relatório.

Gol (GOLL4, R$ 17,59, +16,41%) e Azul (AZUL4, R$ 18,45, +10,15%)

Gol e Azul foram rebaixadas de B1 para CAA1 pela Moody’s. Ainda no radar da Azul, a Folha destaca que, para negociar plano de dívidas com credores, a aérea contratou escritório de advocacia responsável pela recuperação judicial da Avianca Brasil, mas diretor financeiro diz que companhia não pensa em entrar em processo semelhante.

Cielo (CIEL3, R$ 4,54, +3,18%)

Relatório do Itaú BBA mostra a competição no segmento de meios de pagamento, com avanço da GetNet, do Santander, que passou a deter 14,4% desse mercado no primeiro trimestre, ante 12,9% entre janeiro e março de 2019.

“Os números apontam para um impressionante ganho de participação de mercado da GetNet, explicado possivelmente explicado pelo forte crescimento de volume no segmento de grandes contas”, avaliaram os analistas.

PagSeguro também viu sua fatia de mercado aumentar de 6,6% para 7,7%. No caso da Stone, o ganho foi de dois pontos percentuais, para 9,2%. As líderes de mercado, Cielo e Rede, perderam participação, indo para 39% e 29,7%, respectivamente.

Os dados operacionais mostram ainda que houve crescimento de 11% dos volumes das operações de cartões de crédito e débito no primeiro trimestre em relação a igual período de 2019. Apesar da alta, é uma desaceleração em relação a trimestres anteriores.

Multiplan (MULT3, R$ 23,56, +3,74%)

A Multiplan anunciou a reabertura de mais de um de seus estabelecimentos. A partir desta quarta-feira, será retomada a operação do Jundiaí Shopping, em Jundiaí (SP).

O estabelecimento estava fechado desde março, quando foram adotadas medidas de isolamento social para conter o avanço do coronavírus no país. Na reabertura, irá operar em horário de funcionamento restrito, das 14h às 20h, atendendo ao decreto da prefeitura local.

Romi (ROMI3, R$ 11,60, -2,03%)

A fabricante de máquinas Romi passou a oferecer aos clientes a opção de aluguel de equipamentos, como tornos e injetoras de plástico. Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”, a decisão faz parte das medidas para conter os efeitos da retração da economia causada pela pandemia do coronavírus.

A ideia é que os clientes possam ter equipamentos para concluir projetos pontuais, em especial aqueles que possuam faturamento de até R$ 30 milhões.

Medicamentos

O Senado Federal aprovou projeto para congelar os reajustes dos preços de medicamentos por 60 dias dos planos de saúde por 120 dias. O texto, no entanto, precisa passar pela Câmara dos Deputados. Por outro lado, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou o reajuste médio de 4,1% sobre os preços dos medicamentos.

Os analistas do Bradesco BBI afirmam que falta clareza sobre a possibilidade do projeto de lei, caso aprovado, ter um efeito retroativo. “Se o projeto mencionado for totalmente aprovado e sancionado pelo presidente, gostaríamos de entender se o impacto será retroativo para a autorização da CEMD.”

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(Com Bloomberg)