Destaques da Bolsa

Ações de Multiplan e brMalls saltam 7%, enquanto Petrobras, Vale e bancos sobem até 5%; Ânima cai 2% com follow-on

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (24)

SÃO PAULO – A continuidade no movimento de rotação de ações de companhias que tiveram um desempenho superior durante o auge dos temores do mercado com a pandemia do coronavírus para papéis que tiveram forte queda durante o período, como bancos, shoppings e petroleiras, foi destaque durante boa parte da sessão desta terça-feira (24). Contudo, no final do pregão, até mesmo os papéis de empresas com exposição ao e-commerce, com forte alta no ano, também subiram nesta terça-feira (24), em uma sessão em que o Ibovespa saltou 2,24%, a 109.786 pontos.

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 26,84, +5,34% ;PETR4, R$ 26,35, +4,98%) registraram ganhos que chegaram a ser superiores a 6% no intraday, em meio ao otimismo com o desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus e também com boas notícias vindas da empresa no sentido de reduzir a sua dívida, como o resgate antecipado aos investidores de cinco títulos globais com vencimento em 2021 e 2022.

Também no radar da empresa, o Bank of America elevou a recomendação para o ADR (American Depositary Receipts) para a companhia de neutra para compra, com o preço objetivo indo de US$ 10,50 para US$ 14, destacando que a melhora do mercado de petróleo deve ser positivo para o fluxo de caixa, processo de venda de ativos, redução da dívida e eventual pagamento de dividendos. O plano de negócios, a ser divulgado no dia 30, deve destacar o aumento do foco no pré-sal, avalia a equipe de análise.

No mercado de commodities, os preços do petróleo avançaram cerca de 4% nesta terça-feira, atingindo os maiores níveis desde março. Além de uma terceira vacina promissora contra o coronavírus gerar esperanças de recuperação na demanda por combustíveis, o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, iniciou sua transição para a Casa Branca. O petróleo Brent fechou em alta de3,9%, a US$ 47,86 por barril, enquanto o WTI subiu 4,3%, para  US$ 44,91 o barril, com ambos os valores de referência registrando o mais alto nível de fechamento desde 6 de março.

Bancos também tiveram uma sessão de ganhos, caso de Bradesco (BBDC3, R$ 22,98, +3,84%;BBDC4, R$ 25,74, +5,15%), Santander Brasil (SANB11, R$ 40,20, +3,55%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 35,63, +3,22%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,76, 2,98%), com altas que foram de até 5,15%.

Os papéis de shoppings também avançam, com destaque para brMalls (BRML3, R$ 9,99, +7,07%), Iguatemi (IGTA3, R$ 36,30, +5,99%) e Multiplan (MULT3, R$ 23,50, +7,16%). O Credit Suisse atualizou suas estimativas para o setor de shoppings brasileiro, após a divulgação dos dados do terceiro trimestre de 2020 e ressaltou que o setor está se recuperando de forma mais forte do que o esperado pelo mercado. O banco recomenda como top picks no setor as ações de Multiplan e Iguatemi.

As ações de Vale (VALE3, R$ 74,82 4,95%), que abriram em queda, viraram para a alta  forte, renovando máxima histórica. Assim como Petrobras, os papéis da mineradora também são beneficiados com a entrada de fluxo estrangeiro no país. Por aqui, mesmo em meio às dúvidas no cenário fiscal, investidores estrangeiros seguem com ingresso em ações; novembro acumula saldo positivo líquido de R$ 26 bilhões, o maior valor mensal desde pelo menos 2008, destaca a Bloomberg. Siderúrgicas, que também tiveram queda no início da sessão, passaram a registrar fortes altas, caso de Usiminas (USIM5, R$ 12,48, +6,12%), CSN (CSNA3, R$ 22,63, +6,00%), Gerdau (GGBR4, R$ 22,65, +2,72%).

Enquanto isso, os papéis das empresas voltadas ao e-commerce, caso de Magalu (MGLU3, R$ 23,80 1,62%), Via Varejo (VVAR3, R$ 18,46, +3,71%) e B2W (BTOW3, R$ 74,10, 0,32%), conseguiram registrar ganhos, ainda que a última companhia tenha registrado apenas leves ganhos.

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Fora do índice, a ação da Ânima (ANIM3, R$ 30,54, -1,96%) chegou a cair 4,96% após a companhia anunciar que realizará oferta primária de ações (follow on) de até R$ 1,135 bilhão, para financiar parte da aquisição dos ativos da americana Laureate no Brasil. Contudo, fechou com perdas de 1,96%.

Confira os destaques:

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
BRML37.395510.02
USIM56.6326512.54
MULT36.3839523.33
IGTA36.3065736.41
CSNA35.6206122.55

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
PRIO3-2.816645.2
TOTS3-2.2752726.2
VIVT4-2.263445.34
RADL3-1.9756825.8
IRBR3-1.952587.03

Petrobras (PETR3, R$ 26,84, +5,34% ;PETR4, R$ 26,35, +4,98%)

A Petrobras informou na segunda-feira que sua subsidiária integral Petrobras Global Finance enviou notificações de resgate antecipado aos investidores de cinco títulos globais com vencimento em 2021 e 2022.

O valor equivale a US$ 2 bilhões, excluindo juros capitalizados e não pagos, e será financiado com recursos próprios da empresa.

A operação envolve os títulos 3,750% Global Notes, 5,375% Global Notes e 8,375% Global Notes, com vencimento em 2021, e 6,125% Global Notes e 5,875% Global Notes vincendos em 2022, informou a petroleira. A precificação do resgate e a liquidação serão feitas em dezembro deste ano, nos dias 18 e 23, respectivamente.

Conforme destaca a Levante Ideias de Investimentos, o pré-pagamento de dívidas é mais um passo em direção à redução do endividamento da Petrobras. O valor é significativo considerando o valor restante necessária para a empresa atingir a meta endividamento bruto.

No último balanço divulgado (no terceiro trimestre de 2020) a companhia reportou dívida bruta de cerca de US$ 79 bilhões, sendo a meta definida de US$ 60 bilhões. Esse pré-pagamento representa aproximadamente 10% do valor que falta para alcançar um dos principais objetivos da gestão atual da companhia.

“Enxergamos a notícia como positiva para a Petrobras e impacto positivo nas ações (PETR3/PETR4) no curto prazo, embora o otimismo em relação aos preços do petróleo tenha impulsionado o preço das ações nos pregões recentes. A amortização realizada com recursos próprios (caixa da companhia) é um bom indicativo de geração de caixa saudável neste último período do ano”, avaliam os analistas.

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A companhia ainda informou que realizará o Petrobras Day nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro de 2020, quando apresentará seu novo Plano Estratégico de 2021-25.

Por fim, ela informou ter lançado o Programa Mais Valor, ferramenta de soluções financeiras para estimular a cadeia produtiva atingida pela pandemia, com potencial de registrar R$ 3 bilhões em transações por mês.

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Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 19,20, -0,52%)

O Carrefour Brasil reiterou, em Fato Relevante divulgado nesta terça-feira, 24, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que está apurando todos os fatos e tomando as providências cabíveis sobre a morte do soldador João Alberto Silveira Freitas, assassinado em uma loja do grupo em Porto Alegre (RS), na última semana.

“A companhia não compactua com esse tipo de atitude e, como mencionado acima, está adotando todas as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos nesse ato criminoso”, diz o documento assinado por Sébastien Durchon, diretor vice-presidente de Finanças e Diretor de Relações com Investidores do Carrefour, destacando que foi rescindido o contrato local com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão.

Entre as medidas tomadas pela empresa, está a reversão de todo o resultado das lojas do grupo na última sexta-feira, 20, para projetos de combate ao racismo no Brasil. “Essa quantia obviamente não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é um esforço para ajudar a evitar que isso se repita”, comenta. Também reforçaram treinamento com colaboradores próprios e funcionários terceirizados.

O Carrefour destacou a criação de um fundo para promover a inclusão racial e o combate ao racismo, com aporte inicial de R$ 25 milhões, anunciada na noite de ontem, e que está trabalhando em um conjunto adicional de ações e iniciativas em prol da cultura do respeito e da diversidade.

“O Grupo Carrefour Brasil continuará acompanhando os desdobramentos do caso e oferecendo todo suporte para as autoridades locais, e reforça seu compromisso de transparência na divulgação de informações a seus acionistas, investidores e ao mercado em geral”, finaliza a empresa.

 

Embraer (EMBR3, R$ 8,41, 2,44%)

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A Embraer está negociando com potenciais parceiros para desenvolver uma nova aeronave turboélice, disse o chefe da unidade de aviação comercial da empresa à agência internacional de notícias Reuters.

A terceira maior fabricante de aviões do mundo também está propondo seu jato E2 como uma solução compacta para as companhias aéreas que tentam reduzir o risco durante a pandemia de Covid-19.
“Estamos em negociações ativas sobre parcerias (para turboélice), mas não posso entrar em mais detalhes agora”, disse o presidente-executivo de aviação comercial, Arjan Meijer.

Analistas dizem que tal desenvolvimento pode custar US$ 2 bilhões. Meijer disse que o projeto da Embraer seria movido de forma convencional, mas com emissões e ruído reduzidos. Mas uma decisão de lançamento se estenderia para após 2021, já que a indústria se concentra na sua recuperação.

Um alvo potencial para a parceria, de acordo com fontes da indústria, é a sueca Saab. A companhia parou de fabricar turboélices menores em 1999, mas tem laços próximos com a Embraer por meio da venda de caças JAS-39 Gripen para o Brasil.

A Embraer já havia procurado desenvolver seu turboélice como parte de sua parceria com a Boeing. Agora, a empresa afirma que quer apenas parcerias para projetos específicos e que a unidade de aviação comercial não está à venda.

Rumo (RAIL3, R$ 18,94, -1,35%)

A Rumo fechou na semana passada um memorando de entendimentos com a DP World Brasil, para estudarem a instalação de um terminal de grãos e fertilizantes na área disponível da DP no Porto de Santos.

Estudos preliminares realizados pelas empresas mostram que o terminal poderá ter capacidade de movimentação aproximada de 11 milhões de toneladas por ano, sendo 8 milhões de toneladas de grãos e 3 milhões de toneladas de fertilizantes.

Segundo a Rumo informa em comunicado, o objetivo é aumentar a capacidade e eficiência portuária em Santos, “além de aumentar a predominância do modal ferroviário na recepção de fertilizantes e despacho de grãos, suportando as expectativas decrescimento do agronegócio do Centro Oeste do Brasil e suas exportações”.

Segundo a Levante, o acordo firmado para a construção do terminal vai em linha com a estratégia de longo prazo da companhia de capturar o crescimento projetado do mercado agropecuário brasileiro, aumentando sua capacidade de escoamento na sua principal rota: o trajeto até o Porto de Santos.

Usiminas (USIM5, R$ 12,48, +6,12%), CSN (CSNA3, R$ 22,63, +6,00%), Gerdau (GGBR4, R$ 22,65, +2,72%)

O Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço) divulgou dados que indicam que as exportações totalizaram 372 mil toneladas em outubro, uma queda de 8% frente o mês anterior, mas aumento de 17% frente o mesmo mês de 2019. O volume ficou levemente abaixo da expectativa do Inda, de 383 mil toneladas.

A média diária de exportações foi de 17,7 mil toneladas, queda de 8% frente o mês anterior, e aumento de 28% frente o mesmo período do ano anterior.

A expectativa do Inda é de que as exportações e compras caiam 5% entre outubro e novembro. Assim, as exportações chegariam a 353 mil toneladas, ou uma média de 17,7 mil toneladas por dia, um aumento de 20% na comparação anual.

O Bradesco BBI avaliou que o mercado de aço brasileiro teve uma recuperação forte em outubro, mesmo com a queda em relação a setembro. O banco avalia que os distribuidores estão se beneficiando da demanda acima do esperado.

No curto prazo, há motivos para otimismo, e afirma que a Gerdau é sua top pick para o setor de aço no Brasil. O banco mantém avaliação de outperform para a empresa, com preço-alvo de R$ 26, frente os R$ 22 atuais. O banco mantém avaliação neutra para a Usiminas, com preç0-alvo de R$ 12, frente os R$ 11,76 atuais.

 brMalls (BRML3, R$ 9,99, +7,07%), Iguatemi (IGTA3, R$ 36,30, +5,99%) e Multiplan (MULT3, R$ 23,50, +7,16%)

O Credit Suisse atualizou suas estimativas para o setor de shoppings brasileiro, após a divulgação dos dados do terceiro trimestre de 2020. O banco avalia que a indústria está se recuperando mais forte do que o esperado pelo mercado.

Os analistas destacam que as vendas reportadas estão entre 80% e 85% do nível pré-covid, a vacância subiu apenas 2%, a inadimplência tem tendência de baixa, e não há queima de caixa operacional.

O banco estima que, em outubro, em alguns casos de shoppings voltados ao público mais rico ou mais pobre e, portanto, mais exposto ao auxílio do governo, o consumo chegou a ser maior do que o nível pré-covid.

Se a recuperação se confirmar, o banco acredita que descontos no aluguel podem cair, e os preços, se normalizarem até o início da segunda metade de 2021.

Caso haja uma segunda onda de covid, o banco espera que ela seja mais fraca e menos duradoura.
O banco avalia que, apesar de sinais positivos do mercado, as ações não têm se valorizado desde abril, mantendo-se 42% abaixo do nível de um ano antes. O banco acredita que a alta no valor das ações pode ocorrer apenas após o fim da preocupação com uma potencial segunda onda de covid.

O banco recomenda como top picks no setor as ações de Multiplan e Iguatemi.

E mantém a avaliação do brMalls como neutra, por avaliar que suas ações já estão razoavelmente valorizadas, sem perspectiva de fatores que poderiam levar a novas altas no longo prazo.

Ânima Educação (ANIM3, R$ 30,54, -1,96%)

A Ânima anunciou que realizará oferta primária de ações (follow on) de até R$ 1,135 bilhão, para financiar parte da aquisição dos ativos da americana Laureate no Brasil.

O valor considera a cotação de fechamento de ontem dos papéis, R$ 31,15, sendo colocada a totalidade das ações. A empresa planeja vender inicialmente 27 milhões de ações ordinárias. A oferta poderá ser acrescida em até 35%, em até 9,45 milhões de unidades, chegando a R$ 1,135 bilhão.

O preço em que os ativos serão vendidos será anunciado em 3 de dezembro e as novas ações começarão a ser negociadas no dia 7.

Conforme ressalta a Levante, a notícia já era esperada. Porém, o anúncio pode pressionar as cotações das ações da empresa para baixo no curto prazo, de modo que em um follow-on os acionistas atuais necessitam comprar ações proporcionalmente à sua participação para não serem diluídos, sendo comum precificar as ações em um patamar abaixo do negociado recentemente e deixar a transação mais vantajosa para os participantes da oferta.

Olhando para período mais longo, caso a oferta e a aquisição seja bem sucedida, a empresa poderia dobrar de tamanho e capturar sinergias significativas devido à qualidade dos ativos adquiridos (FMU e Anhembi Morumbi), avalia a equipe de análise.

Klabin (KLBN11, R$ 23,37, -0,34%)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está se preparando para vender a fatia de 7,5% que detém na Klabin, segundo o Valor. Às vésperas da assembleia que deve pôr fim ao pagamento de royalties por uso da marca pela companhia, potenciais compradores também começaram a enviar sinais de interesse nas ações. Ao preço atual da unit, que sobe 27,5% neste ano, o banco levantaria cerca de R$ 2 bilhões.

Vitru Education (NASDAQ: VTRU)

O lucro líquido da Vitru Education, voltada ao ensino a distância, caiu 55% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 1,8 milhão. É a primeira divulgação de resultado da holding da Uniasselvi desde que abriu capital na Nasdaq em Nova York, em setembro.

O Itaú BBA avaliou os resultados como positivos. O banco destacou aumento de 15% no faturamento bruto, na comparação anual, superando a expectativa de aumento de 9%. O Ebitda ajustado está em linha com suas expectativas, de se manter estável na comparação anual.

O banco avalia que o aumento do ensino a distância levou a alta de alunos, e taxas de evasão estáveis. Houve, por outro lado, gastos maiores no setor de vendas, devido a estratégias de mídias sociais.
O banco diz que a perspectiva para o fechamento de 2021 é positiva, e mantém avaliação em outperform, com preço-alvo de US$ 18, frente os US$ 14,23 atuais.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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