Revolução digital?

Ações de bancos com mais de US$ 100 bilhões em ativos caíram no mundo todo em agosto

Instituições financeiras perderam US$ 224,9 bilhões no mês em meio a estreitamento de margens, menor ritmo de captação de clientes e crescimento das fintechs

SÃO PAULO – No mundo todo, os bancos com mais de US$ 100 bilhões em ativos viram suas ações se desvalorizarem na bolsa de Nova York em agosto, segundo estudo da Economatica.

Com uma base de dados de 408 instituições com American Depositary Receipts (ADRs) negociados nos Estados Unidos, a consultoria identificou 45 com ativos totais nas centenas de bilhões de dólares, e 44 delas perderam valor de mercado em agosto. 

Ao todo, os 45 bancos da amostra viram US$ 224,9 bilhões desaparecerem do bolso de seus acionistas no mês. A maior queda veio do Bank of America Corp, que caiu US$ 29,5 bilhões. 

No Brasil não poderia ser diferente. Os quatro bancos brasileiros com mais de US$ 100 bilhões em ativos registraram quedas em agosto. A pior foi das ações foi a ordinária do Banco do Brasil (BBAS3), que recuou 13,72%, seguida pelos papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4), com queda de 13,07%. 

Em termos nominais, o Bradesco teve a maior perda de valor de mercado entre os brasileiros, foram US$ 8,6 bilhões. Em seguida vem o Itaú Unibanco (ITUB4), que perdeu US$ 8,56 bilhões. 

Somente a ação do banco Mizuho Financial Group, negociada nos EUA por meio da sua ADR, terminou agosto com valorização. A alta foi de 3,17%.

Por conta dos desempenhos negativos, Bradesco e Banco do Brasil perderam três posições no ranking dos bancos com maior valor de mercado. Itaú se manteve na décima posição e Santander (SANB11) subiu de vigésimo terceiro para vigésimo segundo. 

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Ontem, Roberto Setubal, presidente do Itaú, disse que a transformação digital pela qual passa o setor financeiro o “angustia toda noite”. 

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“Fintechs estão batendo na nossa porta todo dia. Estamos discutindo bastante isso no banco”, afirmou em reunião com analistas e investidores. 

Setubal ainda previu que se as condições do mercado estão mudando e a capacidade do banco de gerar valor diminuindo, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês), inevitavelmente deve cair.

O ROE é um indicador da rentabilidade de uma empresa que mostra quanto a companhia consegue gerar de valor usando seus próprios recursos (sem precisar de financiamento de terceiros). Ele é obtido por meio da divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido. 

No segundo trimestre deste ano, apesar dos quatro maiores bancos brasileiros terem lucrado R$ 21,5 bilhões a mais do que no mesmo período do ano anterior, os investidores reagiram de forma negativa aos números

O aumento nas despesas com pessoal no Bradesco, o crescimento modesto da carteira de clientes e das margens do Itaú, os resultados operacionais abaixo do esperado no BB e o lucro líquido em linha com o esperado do Santander, não animaram o mercado. 

Confira o desempenho das ações dos maiores bancos do mundo em agosto: 

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