Destaques da bolsa

Ações de bancos caem até 4% e Gol despenca 7% com “efeito Argentina”; JBS e Marfrig sobem forte

Confira os destaques do mercado na sessão desta segunda-feira (12)

SÃO PAULO – A sessão foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com o Ibovespa fechando em queda de 2% em meio ao “efeito Argentina” com a derrota do presidente Mauricio Macri nas eleições primárias por uma diferença de 15 pontos percentuais ante a dupla Alberto Fernández e Cristina Kirchner. Foram cerca de 47% dos votos para a chapa de esquerda, contra 32% para Macri.

Para vencer a eleição no primeiro turno, um candidato precisa de 45% dos votos ou 40% com pelo menos 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado – ou seja, Fernandez seria o presidente se as eleições fossem hoje. Assim, a sessão foi de forte aversão ao risco para os emergentes em geral, com os investidores temendo o retorno das políticas populistas de Kirchner e os efeitos na região (incluindo o Brasil). Além disso, os investidores seguem atentos aos desdobramentos da guerra comercial, além da intensificação dos protestos em Hong Kong,  que cancelou voos nesta segunda-feira com manifestantes em aeroporto, em meio a sinais de que o governo da China está perdendo a paciência com o movimento.

Com isso, poucas ações sustentaram os ganhos, com destaque para JBS (JBSS3,R$ 29,00, +5,76%) e Marfrig (MRFG3, R$ 8,08, 3,59%) com o incêndio na rival Tyson – ambas companhias têm operações nos EUA.

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Enquanto isso, Petrobras (PETR3, R$ 27,89, -2,55%;PETR4, R$ 25,59, -2,63%) registrou baixa apesar do dia de leves ganhos do petróleo.  Bancos como Banco do Brasil (BBAS3, R$ 47,00, -3,39%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,20, -4,14%) e Bradesco (BBDC4, R$ 33,76, -2,09%) também tiveram expressivas quedas. Gol (GOLL4, R$ 37,64, -7,20%) teve a maior queda do Ibovespa em meio à alta do dólar, enquanto os investidores em Qualicorp (QUAL3, R$ 28,81, -4,16%) embolsaram parte da alta de 36% registrada na sexta e as ações caíram mais de 4%. A Suzano (SUZB3), por sua vez, sobe com a alta do dólar. 

Já no radar de resultados, MDias Branco (MDIA3, R$ 38,90, -7,93%) teve baixa de quase 8% após o balanço fraco. Confira mais notícias do mercado. 

Petrobras (PETR3;PETR4)
A Petrobras vai se transformar, até 2022, numa empresa do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Segundo o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural e também o refino vão se concentrar nesses três Estados.

Castello Branco destacou o investimento planejado para o Rio de Janeiro é de US$ 54 bilhões nos próximos cinco anos. Parte desse dinheiro, US$ 20 bilhões vão ser gastos na Bacia de Campo, no norte fluminense, principalmente, para revitalizar campos produtores que entraram na fase de esgotamento e dependem de investimento para ganhar sobrevida.

Mais uma vez, Castello Branco afirmou que a prioridade da estatal é o pré-sal, além da continuidade do processo de redução dos custos. “Estamos nos preparando para viver bem com o petróleo a US$ 50 e até menos”, disse. “Porque sabemos que não só estamos numa indústria cíclica, como também pelo fato de o petróleo tender, ao longo do tempo, a se desvalorizar.”

Além disso, a Petrobras reservou US$ 4 bilhões para trazer gás do pré-sal da Bacia de Santos até a costa, transportá-lo até o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e tratá-lo numa unidade de processamento de gás (UPGN) que está sendo construída.

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Para Castello Branco, “o Comperj é um desastre”. Ainda assim, a estatal estuda fazer uma parceria com a chinesa CNPC para dar continuidade à construção do complexo petroquímico. Uma das alternativas avaliadas, disse ele, é instalar no terreno uma usina térmica a gás natural.

Em comunicado ao mercado, a Petrobras informou que assinou Termo de Ajustamento de Conduta, no valor de R$ 814,5 milhões, com o Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e o Instituto Estadual do Ambiente, para encerrar ação civil pública relativa ao licenciamento ambiental do Comperj. O gastos já havia sido provisionado no balanço do segundo trimestre.

Na sexta, a Petrobras informou que assinou com a SPE 3R Petroleum S.A., subsidiária integral da 3R Petroleum e Participações S.A., a venda da totalidade de sua participação em um conjunto de campos de produção, terrestres e marítimos, denominado Polo Macau, na Bacia Potiguar, localizados no Estado do Rio Grande do Norte.

A produção total atual de óleo e gás desses campos é de cerca de 5,8 mil barris de óleo equivalente por dia. Segundo a Petrobras, o valor da venda é de US$ 191,1 milhões, a ser pago em duas parcelas: US$ 48 milhões com a assinatura do contrato e US$ 143,1 milhões no fechamento da transação, sem considerar os ajustes devidos.

A empresa informou também que iniciou a etapa de divulgação da oportunidade (teaser) da venda da totalidade de suas participações em 11 campos de produção localizados em águas rasas na Bacia de Campos (Polo Garoupa), incluindo as instalações de produção e de escoamento até Barra do Furado. A produção média destes campos nos últimos 12 meses foi de cerca de 19,6 mil boe/dia.

Por fim, em relação às suas operações na Argentina, a petroleira informou a aprovação da deslistagem das ações ordinárias e preferenciais da companhia na Bolsas y Mercados Argentinos (BYMA) e a retirada do regime de oferta pública na Argentina.

BR Distribuidora (BRDT3)

Concluída a privatização, a BR Distribuidora pretende atuar em dez frentes para tentar alcançar rentabilidade compatível à obtida por concorrentes do setor privado. As medidas para modernizar a distribuidora foram definidas por um grupo de trabalho que inclui diretores e gerentes.

Entre as iniciativas, está a entrada no negócio de comercialização de combustíveis, comprando de diferentes fornecedores, inclusive no exterior, e vendendo até mesmo para concorrentes. Nessa linha, a BR avalia criar uma empresa para atuar no segmento de etanol.

Em outra frente, a distribuidora quer expandir a capacidade de produção de sua fábrica lubrificantes em 15 milhões de litros por mês. A produção atual de 27 milhões de litros mensais deve chegar a 42 milhões de litros em 2022. A empresa pretende ainda formar um sistema próprio de pagamentos, que fidelize ainda mais seus clientes.

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Segundo Rafael Grisolia, presidente da BR Distribuidora, as dez medidas de modernização já estão em andamento, mas o resultado de algumas devem ser percebidos mais rapidamente no balanço da companhia do que outros. “Gestão de custos e aquisição de produtos são iniciativas que, naturalmente, devem retornar resultados de maneira mais rápida”, afirmou, por e-mail, Grisolia ao Estadão.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

O secretário de Coordenação e Governança das Estatais do Ministério da Economia, Fernando Soares, confirmou que o governo está trabalhando para fazer a privatização da Eletrobras pelo modelo de “follow on”, em que haverá pulverização do capital e a União deixará de ser acionista majoritária. Segundo Soares, a ideia do governo é ainda em agosto apresentar um projeto de lei substitutivo prevendo a operação, que tem de ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Ele ressaltou que o governo tem “uma montanha imensa” de desinvestimentos sendo feitos e listou a operação de venda de ações da BR Distribuidora, desinvestimentos de SPEs da Eletrobras e os planos de abertura de capital de subsidiárias da Caixa, como a Caixa Seguridade. “Estamos trabalhando fortemente no processo de privatizações, pensando para fazer da melhor forma possível”, completou.

Braskem (BRKM5)

A Braskem informou, por meio de fato relevante, que tomou conhecimento da decisão do Presidente do Superior Tribunal de Justiça, permitindo o desbloqueio do caixa no montante aproximado de R$ 3,7 bilhões, condicionada à efetiva apresentação de novo seguro-garantia de igual valor a ser oferecido pela companhia ao juízo.

GPA (PCAR4)

O GPA aprovou a emissão, por meio de sua subsidiária Sendas, da emissão de debêntures no montante de R$ 8 bilhões. Segundo fato relevante, a emissão contará com garantia adicional fidejussória do GPA e será objeto de distribuição pública com esforços restritos de distribuição.

“Os recursos da emissão serão destinados para a liquidação da oferta pública para aquisição de até a totalidade das ações de emissão de Almacenes Éxito S.A., a ser lançada oportunamente por Sendas na Colômbia”, afirmou.

A expectativa é de que este movimento, que visa simplificar a estrutura acionária do controlador do GPA, o Grupo Casino, na América Latina, possa servir para que a empresa possa vender seus ativos na região, para reduzir seu endividamento na Europa.

Alpargatas (ALPA4)

A Alpargatas teve lucro líquido consolidado de R$ 31,6 milhões no segundo trimestre, um desempenho 73% superior ao do mesmo período do ano passado. A empresa informou ainda um lucro líquido recorrente de R$ 70,4 milhões, representando uma alta de 278%.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) somou R$ 98 milhões, alta de 53%, com margem de 9,9% (+2,7 p.p.). Já o Ebitda recorrente atingiu R$ R$ 127,7 milhões, expansão de 39,4%, com margem de 12,9% (+2,6 p.p.).

A receita líquida avançou 11,6%, para R$ 933,4 milhões. As operações no Brasil subiram 16,6%, para R$ 563,8 milhões, enquanto as operações de Sandálias Internacional teve alta de 14,4%. As operações da Argentina, por sua vez, recuaram 8,1%, para R$ 146,7 milhões.

Para o Bradesco BBI, a Alpargatas divulgou os resultados pouco acima das expectativas no nível operacional, mas com lucro líquido abaixo da expectativa, por conta das maiores despesas financeiras. Segundo o relatório do Bradesco BBI, no geral, houve resultado positivo nos negócios internacionais, com alta de volume e rentabilidade.

“Além disso, os resultados continuam mostrando que a nova administração está focada na eficiência de custos, com uma expansão de margem de Ebitda de 260 bps, impulsionada principalmente pela melhor eficiência de SG&A”, acrescentaram os analistas Richard Cathcart, Helena Villares e Pedro Fagundes.

No entanto, destacam os analistas, que, embora o crescimento do volume de 5% do Brasil pareça saudável em um ambiente difícil, houve um efeito de base positivo, já que no ano passado 7 milhões de pares foram contabilizados no terceiro trimestre, ao invés do segundo trimestre, como resultado da greve dos caminhoneiros no ano passado.

Por fim, o Bradesco BBI avalia que a administração está fazendo progressos significativos na redução de custos e na construção dos negócios internacionais. No entanto, com as ações sendo negociadas em 23x PE (2020e), achamos que o lado positivo é limitado. A recomendação é Neutra com preço-alvo de R$ 22.

M.Dias Branco (MDIA3)

A fabricante de alimentos M.Dias Branco reportou um lucro de R$ 100,6 milhões, representando queda de 52%. O Ebitda somou R$ 182,7 milhões, retração de 33,8%, com margem de 11,8% (-6,8 p.p.).

A receita líquida subiu 4%, para R$ 1,542 bilhão, mas o volume recuou 3,1%.

Após os resultados do segundo trimestre, o Itaú BBA rebaixou a recomendação da M.Dias Branco a “Underperform”, com preço-alvo de R$ 44. Segundo os analistas Antonio Barreto, Gustavo Troyano e Renan Moura, o Ebitda do segundo trimestre foi ajustado por um ganho líquido não recorrente de R$ 18 milhões, ficando 11% abaixo da estimativa da instituição, enquanto o lucro terminou num resultado 25% inferior ao aguardado.

Segundo o relatório do Itaú BBA, os volumes permaneceram muito fracos: biscoitos e massas caíram 8% e 9%, respectivamente, organicamente, na comparação anual. Já os custos do trigo afetaram a margem bruta de forma superior à esperada, enquanto as despesas de vendas aumentaram como resultado de maiores custos de frete e menor diluição de custos, completaram os analistas.

(Com Agência Estado e Bloomberg)