Ações de 3 elétricas estão entre nomes mais demandados para aluguel; o que acontece?

Após a forte performance das ações do setor elétrico, investidores devem se tornar mais criteriosos na escolha dos ativos, considerando o nível de valuation mais exigente

Lara Rizério

Engie (Foto: Divulgação)
Engie (Foto: Divulgação)

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As ações de três empresas do setor de energia figuram entre nomes demandados para aluguel, com apostas em queda dos papéis.

São elas, Engie (EGIE3), Isa Energia (ISAE4) e Taesa (TAEE11).

A Taesa aparece com uma das maiores taxas de aluguel, a 10,98%, enquanto as ações alugadas representam 15,14% do free float (ações em circulação).

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Na operação de aluguel de ações, investidores que possuem papéis na sua carteira emprestam esses ativos a outros investidores, mediante a cobrança de uma taxa de “aluguel”. Assim, quanto mais alta a demanda pelo aluguel, mais alta é a taxa para essa operação.

Os “doadores” das ações costumam ser investidores com foco no longo prazo, que compram ações sem ter o interesse de se desfazer delas de imediato. Já os “tomadores” – quem pega as ações emprestado – precisam delas temporariamente, normalmente para realizar alguma estratégia específica no mercado. Ao colocar seus papéis para alugar, o investidor abre uma possibilidade adicional de ganho, por meio da taxa de aluguel cobrada do tomador. Com isso, consegue rentabilizar ainda mais seus ativos.

Top 10 de ativos em taxa de aluguel, dias de cobertura e free float alugado (Foto: Ágora Investimentos)

Conforme destaca a Ágora, após a forte performance das ações do setor elétrico, investidores devem se tornar mais criteriosos na escolha dos ativos, considerando o nível de valuation mais exigente.

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“As ações do setor de Transmissão, Isa Energia e Taesa, figuram na lista de nomes demandados para aluguel, possivelmente indicando interesse na venda a descoberto”, avaliam os analistas.

Ainda assim, acredita que o nível elevado de dividendos e a maior previsibilidade dos resultados dessas empresas devam limitar espaço para maiores correções.

Em relatório recente, o JPMorgan ressalta Copel (CPLE3) e Eneva (ENEV3) entre as suas preferidas do setor elétrico.

Já para Taesa, Engie e Isa, as recomendações são todas underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda).

Para a Taesa, o preço-alvo do JPMorgan é de R$ 30. “A Taesa é uma empresa de qualidade, em nossa opinião, com governança corporativa de primeira linha, concessões que só começam a expirar em 2030, uma excelente equipe de gestão, uma controladora sólida e ativos excepcionais. A ação oferece alta previsibilidade de lucros e um histórico de dividendos acima da média. No entanto, devido à sua alta avaliação, proporciona um dos menores retornos estimados em nossa cobertura”, aponta o banco.

No caso da Engie, o banco ressalta que o crescimento tem se concentrado principalmente em energias renováveis ​​e linhas de transmissão. No entanto, seu negócio de geração foi prejudicado por cortes na produção de energia. A empresa está sujeita a um aumento de alavancagem devido a aquisições e grandes investimentos, e projetaum índice de distribuição de dividendos de 55% para os próximos dois anos, o que se traduz em rendimentos de dividendos de um dígito. O preço-alvo é de R$ 28.

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As ações da ISA, por sua vez, ainda oferecem uma proteção quase perfeita contra a inflação no Brasil – 100% dos contratos ajustados pela inflação e risco de volume nulo – mas o JPMorgan considera a Taxa Interna de Retorno (TIR) pouco atrativa e vê melhor relação risco-retorno em outras exposições.

“A ISAE4 atualmente oferece uma das menores TIRs implícitas do setor e carece de catalisadores positivos”, avalia o JPMorgan, que tem preço-alvo de R$ 26,50 para os ativos.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.