As 3 ações favoritas em energia e saneamento do JPMorgan

Banco americano reiterou sua visão construtiva para o setor de utilities, mas adotou uma postura mais seletiva depois da forte valorização das ações

Felipe Moreira

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O JPMorgan reiterou sua visão construtiva para o setor de utilities (concessões públicas, como energia e saneamento) e revisou para cima as estimativas e os preços-alvo, mas adotou uma postura mais seletiva depois da forte valorização das ações, com alta de 60% no acumulado de 2025, contra os 30% do Ibovespa no mesmo período.

Na geração, há preferência pelas hidrelétricas, vistas como as maiores beneficiadas em um ambiente de preços mais altos, enquanto as renováveis seguem com riscos de queda nos lucros.

Na distribuição, o retorno regulatório continua atrativo, segundo o banco. Ainda assim, as expectativas estão elevadas e as avaliações, mais apertadas, com prêmio de risco menor. Além disso, o forte posicionamento pode pesar em cenários extremos: em um macro muito otimista, há risco de rotação para setores de maior beta; em um macro negativo, cresce o risco de saída de recursos dos fundos locais.

Viva do lucro de grandes empresas

Nesse contexto, o banco escolheu três ações: 1) Sabesp (SBSP3), com geração de caixa de longa duração e avanço consistente dos lucros; 2) Copel (CPLE3), com dividendos de dois dígitos e menor risco; e 3) Eneva (ENEV3), que oferece opcionalidade de crescimento diante da necessidade de confiabilidade energética no Brasil.

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Para quem está otimista com o cenário macro, o banco também destaca Equatorial (EQTL3) e Axia (AXIA3) como nomes que podem se beneficiar de ventos favoráveis, como juros mais baixos e entrada de capital na Bolsa brasileira.

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Por outro lado, o banco recomenda evitar exposição à Cemig (CMIG4), Engie (EGIE3) e Taesa (TAEE11).

Copel (CPLE3)

O JPMorgan enxerga a Copel como uma tese de menor risco dentro de suas principais recomendações, equilibrando duration do fluxo de caixa, semelhante ao caso de Sabesp, com dividendos de dois dígitos previstos para 2026-2028, e a opcionalidade de crescimento, como em Eneva, com expansão de lucros mais previsível.

Além disso, a Copel também tende a ser uma importante beneficiária de preços mais altos de energia, especialmente para geradoras hidrelétricas, ao mesmo tempo em que deve apresentar menor volatilidade de resultados.

O banco também vê a companhia bem posicionada para oportunidades de crescimento, como leilões de capacidade. No cenário-base do JPMorgan, Copel negocia a uma taxa interna de retorno real de 10,6% e múltiplo de 11 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) esperado para 2026. Com isso, manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14,60.

Eneva (ENEV3)

Na visão do JPMorgan, a Eneva é a ação com maior risco de alta dentro da sua cobertura, principalmente devido ao potencial de crescimento. No curto prazo, o leilão de capacidade previsto para março de 2026 pode surpreender positivamente tanto em volume de contratos quanto em remuneração regulada.

O cenário-base do banco, que considera TIR (Taxa Interna de Retorno) real de 8,6%, incorpora apenas novos contratos para ativos já existentes.

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O JPMorgan reterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 21.

Sabesp (SBSP3)

O JPMorgan continua enxergando a Sabesp como uma das teses mais atraentes sob sua cobertura, combinando três fatores: crescimento consistente dos lucros, com taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 24% entre 2025 e 2028, opcionalidade de expansão por meio de novos leilões de saneamento e valuation considerado atrativo, com múltiplo de 12 vezes o lucro estimado para 2026.

Além disso, sob a ótica de retorno interno, com TIR real de 10,2%, a Sabesp ainda negocia com um prêmio de risco acima da média do setor, algo que o banco considera injustificado diante da escala da companhia, da qualidade da gestão e do perfil do negócio. O JPMorgan elevou o preço-alvo para 2026 a R$160 por ação, o que implica potencial de retorno total de 18%, ao atualizar as projeções e reduzir o custo de capital próprio em 100 pontos-base, para 9% em termos reais.

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