Construção

Ações da Gafisa (GFSA3) fecham com alta de 4,73% após balanço com alta do lucro e aquisição da Bait

Empresa considera compra como “transformacional” e executivo diz que proposta foi aceita, mas que a transação ainda precisa ser concluída

Por  André Cabette Fábio -

As ações da Gafisa (GFSA3) fecharam com alta de 4,73% no pregão desta segunda-feira (21) após divulgar o balanço do quarto trimestre com lucro 69% maior e a aquisição da Bait, uma das mais relevantes incorporadoras imobiliárias no segmento da alta e da altíssima renda do Rio de Janeiro.

Em teleconferência com analistas para apresentação de resultados, o CEO da Gafisa (GFSA3), Ian de Andrade, afirmou que a assinatura do acordo de compra da incorporadora Bait, no Rio de Janeiro, é “transformacional”. Segundo ele, a proposta foi aceita, mas que a transação ainda precisa ser concluída.

Adicionalmente, ele afirmou que, ao fim, a operação deve fortalecer a empresa em termo de ativos e com a adição de uma equipe jovem e bem posicionada, afirmando que “capital humano é a grande escassez que há no mundo”.

O executivo ressaltou que cerca de 1/4 do VGV (valor geral de vendas) da Gafisa tem vindo do Rio de Janeiro nos últimos trimestres, e o resto, de São Paulo. Mas que isso pode mudar com a aquisição.

Segundo o CEO, a Bait adiciona à Gafisa quase R$ 500 milhões em projetos em processo de aprovação em áreas da Zona Sul do Rio, como Ipanema. Somando com os empreendimentos da Bait que estão em obra, o VGV líquido é de R$ 800 milhões.

Fundos Imobiliários

Na teleconferência, o CEO da Gafisa afirmou que o mercado de fundos imobiliários é muito sensível a custos de capital, e que o processo de alta de Selic trouxe uma aversão a novas emissões de fundos nos últimos 6 meses.

Conforme ele, a Gafisa vem buscando atrair investidores que já atuam neste mercado para garantir capitais para seus projetos. E avaliou que não é um bom momento para lançar novos fundos.

Questionados sobre o impacto da alta da taxa de juros, os executivos destacaram que o movimento afeta principalmente o consumidor de baixa renda.

Mas que, como a Gafisa atua no mercado de altíssimo padrão, e busca a compra de imóveis em momentos de altas de juros, isso “ajuda demais” a companhia.

Análise do balanço da Gafisa (GFSA3)

O Bradesco BBI destacou em relatório que a Gafisa continua apresentando um processo de recuperação em suas operações, com desempenho positivo nas vendas em 2021 (alta de 32,8% na base anual).

No entanto, a margem bruta da empresa foi prejudicada pelo reconhecimento tardio de projetos legados – pior do que os analistas esperavam –, mas sua carga de legado pode chegar ao fim em breve, pois os analistas não veem mais que 3 projetos anteriores ainda a serem entregues.

Além disso, a manchete positiva sobre o sólido lucro por ação do 4T21 deve ser encarada com cautela, pois não pode ser considerado recorrente.

“Dito isso, embora vejamos uma evolução positiva em relação ao plano de recuperação da Gafisa e os múltiplos da empresa apareçam excessivamente descontados, ainda é uma história de ‘turnaround’ entre vários outros players consolidados – alguns deles igualmente descontados – o que pesa negativamente na atratividade geral da tese da Gafisa em um momento turbulento para o setor”, avaliam os analistas do BBI.

A recomendação do BBI para a ação é neutra, com preço-alvo de R$ 5,50.

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