Destaques da bolsa

Ações de CSN e Localiza despencam após balanços; Vale e Petrobras caem e Ambev sobe antes dos resultados

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (24)

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SÃO PAULO – Após três sessões batendo recordes, o Ibovespa registrou uma queda de 0,52%, em um movimento de realização nesta quinta-feira (24).  Os maiores destaques do índice nesta sessão são referentes à divulgação dos balanços do terceiro trimestre, com a temporada ganhando forças a partir desta quinta-feira: Localiza (RENT3, R$ 41,64, -6,17%) e CSN (CSNA3, R$ 12,15, -6,85%) caíram forte, com baixa de mais de 6%, após resultados fracos.

Por outro lado, Petrobras (PETR3, R$ 30,81, -1,97%;PETR4, R$ 28,32, -2,18%) e Vale (VALE3, R$ 46,75, -0,76%) abriram em alta, mas fecharam em queda: as duas blue chips vão divulgar seus números hoje após o fechamento do mercado. A Lojas Renner (LREN3, R$ 49,27, -3,56%) também fechou em queda antes da divulgação do balanço. A Ambev (ABEV3, R$ 19,19, -2,73%), que revelará seus números para o trimestre amanhã antes da abertura do resultado, fechou com fortes ganhos.  Confira os destaques desta quinta-feira:

CSN (CSNA3)

A CSN registrou prejuízo líquido de R$ 871 milhões no terceiro trimestre, revertendo lucro de R$ 752 milhões de igual período do ano passado. Segundo a empresa, o resultado foi impactado pelo aumento das despesas com variações monetárias e cambiais.

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O Ebitda ajustado registrou redução de 4%, para R$ 1,567 bilhão, ficando abaixo do consenso da Bloomberg, de R$ 1,77 bilhão. O Ebitda consolidado foi impactado negativamente pela reforma de alto forno e menores realizações de preços de mineração.

A receita líquida consolidada somou R$ 6,006 bilhões, queda de 3%. Em volume, as vendas de aço recuaram 17%, enquanto as de minério de ferro ao exterior subiram 8%, mas ao mercado local diminuíram 66%. A empresa informou ter atingido recorde histórico na produção de minério (8,654Mton).

A relação entre a dívida líquida e o Ebitda da CSN ficou em 3,81 vezes ao final de setembro, uma piora frente ao término de junho, de 3,65 vezes. Segundo a CSN, a alavancagem foi elevada pontualmente pela variação cambial e dividendos, compensadas por operações de pré-pagamento de minério.

O Itaú BBA avaliou o resultado da CSN como negativo, principalmente na linha do Ebitda, o que foi impulsionado pelo desempenho sequencialmente mais fraco da divisão de mineração (devido aos custos de frete mais altos e prêmios de menor qualidade) e pelo negócio de aço (devido a preços ligeiramente mais baixos e custos mais altos).

Segundo o documento, os preços mais baixos do minério de ferro realizados (-US$ 11 a tonelada na comparação trimestral) prejudicaram as operações de mineração, enquanto a divisão siderúrgica continuou sentindo a pressão do aumento do custo de produto vendido por tonelada e dos impactos negativos da reforma de alto forno.

“A empresa reduziu sua projeção para o Ebitda de 2019 para R$ 7,5 bilhões (dos R$ 8,5 bilhões anteriores), trazendo-o para 4% abaixo da nossa estimativa de R$ 7,8 bilhões. Esperamos uma reação negativa do mercado”, escreveu o analista do Itaú BBA Daniel Sasson.

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O Credit Suisse também classificou que o “menor prêmio por qualidade somado a um avanço de custo no frete e a parada de manutenção do alto forno 3 foram os vilões do terceiro trimestre.”

A instituição acrescenta que, mesmo com o Fluxo de Caixa Livre (FCF) positivo em R$ 389 milhões, houve uma alta na alavancagem. “O fim da manutenção do alto forno 3 deve trazer alguma redução de custo, mas nossa maior preocupação está na queda dos preços do minério/qualidade e avanço no frete.”

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras divulga seus resultados hoje após o fechamento dos mercados, com uma expectativa de Ebitda de R$ 32,1 bilhões (US$ 7,8 bilhões) no terceiro trimestre, de acordo com a estimativa média dos analistas compilada pela Bloomberg.

O Ministério de Minas e Energia informou ontem que ao contrário do que vem sendo especulado o pagamento de US$ 9 bilhões da União à Petrobras referente à revisão do contrato da cessão onerosa será feito ainda este ano. Ou seja, assim que a União receber o pagamento pelos blocos vendidos no leilão do excedente da cessão onerosa, previsto para 6 de novembro, será feita a transferência para a Petrobras.

A primeira parcela do bônus total de R$ 106 bilhões, referente à venda dos quatro blocos ofertados no leilão, no valor de R$ 70,5 bilhões terá que ser paga em 27 de dezembro. O restante, ou R$ 35,5 bilhões, poderá ser pago até junho de 2020. “A realização do leilão dos volumes excedentes da cessão onerosa possibilitará prontamente o pagamento à Petrobras. O leilão está agendado para 6 de novembro de 2019”, disse o MME em nota oficial.

A transferência imediata para os cofres da estatal somente será alterada se mudar a data do leilão, explicou uma fonte do MME que pediu anonimato. A data porém, segundo a fonte, está mantida.

Já o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei (PLN 45/19) que abre crédito no valor de R$ 34,6 bilhões para o Ministério de Minas e Energia honrar acordo para compensar a Petrobras e viabilizar o leilão do pré-sal em 6 de novembro.

O projeto destina também mais R$ 5,9 bilhões para pagar a parcela devida a estados, Distrito Federal e municípios neste ano em razão do leilão de áreas do pré-sal exploradas pela Petrobras excedentes à cessão onerosa. O projeto segue para sanção presidencial.  Mais cedo, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou os termos de revisão do contrato de cessão onerosa firmado entre a Petrobras e a União.

BR Distribuidora (BRDT3)

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O Valor Econômico traz que a BR Distribuidora pretende estender sua atuação para além da distribuição de combustíveis. O plano, segundo o presidente da empresa, Rafael Grisolia, é criar comercializadoras (tradings) de etanol, energia e gás natural. Também estão em curso a revisão de contratos assinados quando a Petrobras era controladora e reduzido o quadro de empregados.

Localiza (RENT3)

A Localiza apresentou um Lucro líquido no terceiro trimestre, sem os efeitos do IFRS 16, de R$ 205,9 milhões, representando aumento de 28,8% em relação ao mesmo período – puxado pelo aumento do Ebtida, que somou R$ 545,1 milhões (+26,8%) e menores despesas financeiras. A receita líquida consolidada somou R$ 2,671,1 bilhões, expansão de 28,8%.

Após os resultados da Localiza, o Bradesco BBI manteve a recomendação de Outperform, mas cortou o preço-alvo de R$ 48 para R$ 46, com redução de estimativa de lucro em 2% para 2019 e de 8% para 2020. O Credit Suisse destacou que os números foram negativos tanto para aluguel de carros quanto para seminovos.

A analista do Itaú BBA Renata Faber, por sua vez, destacou as taxas de crescimento sequencialmente sólidas, em meio à uma forte base de comparação – o que é positivo. Por outro lado, não houve surpresas positivas substanciais, com os números ficando aquém das estimativas.

Na linha de receita com aluguel de carros houve alta de 34% nos dias de locação, enquanto as tarifas caíram 4,2% e a margem Ebitda aumentou 1,1 ponto porcentual, para 36,3%. Em seminovos, a Localiza registrou pressão nos preços dos carros. “Apesar do impacto negativo inicial no lucro líquido da empresa, a Localiza pode adquirir carros novos a preços mais baixos no futuro”, destacou o Itaú BBA.

No gerenciamento de frotas, a divisão apresentou uma contração de 5,7 p.p. na margem Ebitda, em linha com os últimos trimestres, refletindo combinação de tarifas mais baixas (após a renovação de contratos em um cenário de menor taxa de juros) e despesas para melhorar os processos. Os dias de locação aumentaram 25,7% no ano.

 

TIM (TIMP3)

A TIM entrou com um recurso no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a aprovação, sem restrições, da compra da Nextel pelo grupo América Móvil, dono da Claro. A compra foi anunciada em março, pelo valor de US$ 905 milhões, e o aval do órgão regulador foi concedido em setembro.

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Por sua vez, os advogados que representam a TIM encaminharam terça, 22, o recurso ao presidente do Cade, Alexandre Barreto de Souza, insistindo no argumento de que a transação provocará uma concentração elevada de espectros, desequilibrando a concorrência entre as operadoras. Tanto a TIM quanto a Telefônica (dona da Vivo) já haviam manifestado há alguns meses no Cade oposição ao negócio. Já a Oi optou por ficar de fora da briga.

O espectro funciona como uma “rodovia” por onde trafegam os sinais de telefonia móvel, sendo, portanto, um ativo essencial para as operadoras. Quanto mais, melhor a abrangência e a qualidade dos sinais. No caso da Nextel, o espectro era o ativo mais valioso da empresa, uma vez que ela só detinha 1,5% dos clientes de telefonia móvel no País.

A TIM rebateu o parecer dos órgãos reguladores de que as teles continuarão com uma quantidade similar de espectro. Segundo a empresa, a aquisição da Nextel fará com que a Claro acumule uma quantidade de espectro 92% maior que da Oi, 51% acima da TIM e 19% à frente da Telefônica.

Qualicorp (QUAL3)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou uma proposta de membros do Conselho de Administração da Qualicorp (QUAL3) que envolvia o pagamento à autarquia de um total de R$ 1,2 milhão. Leia mais clicando aqui. 

A proposta, feita pelos conselheiros Arnaldo Curiati, Alexandre Silveira Dias, Nilton Molina, Wilson Olivieri, Claudio Chonchol Bahbout e Raul Rosenthal Ladeira De Matos, propunha o pagamento individual de R$ 200 mil por cada um deles em um caso envolvendo um contrato proposto ao fundador da empresa, José Seripieri Filho, conhecido como Júnior.

Este acordo, feito em outubro de 2018, fazia com que a Qualicorp pagasse R$ 150 milhões para que Júnior não vendesse sua participação de 15% na companhia e também não criasse novos negócios concorrentes por um período de oito anos.

Segundo a CVM, este acordo não era equitativo às duas partes, sendo benéfico para Júnior, além de prever um valor acima do que havia sido aprovado em uma Assembleia Geral da Qualicorp em abril do ano passado.

EDP Energias do Brasil (ENBR3)

A EDP registrou lucro líquido de R$ 353,979 milhões no terceiro trimestre deste ano, cifra 15,3% superior à reportada no mesmo período do ano passado. Já o lucro líquido ajustado – que exclui efeitos da atualização do ativo financeiro indenizável (VNR), contabilização IFRS de transmissão, venda de PCHs, Santa Fé e Costa Rica e Ressarcimento do FID em Pecém – somou R$ 175,809 milhões (-31,2%),

O Ebitda atingiu R$ 778,808 milhões, alta de 14,6%. Já o Ebitda ajustado recuou 15,4%, para R$ 508,853 milhões. A receita líquida consolidada recuou 9,7%, a R$ 3,435 bilhões. Já a dívida liquida aumentou 20%, chegando a R$ 5,3 bilhões, ante R$ 4,395 bilhões de um ano antes.

O Credit Suisse avaliou que a EDP Brasil publicou resultado fraco e um pouco abaixo das projeções da instituição, entretanto significativamente pior do que a previsão do consenso. “A diferença foi principalmente por causa do resultado de geração, que sofreu com os impactos do GSF, menor preço spot e menos energia comprada de Pecém”, escreveu, em relatório.

Sobre a receita consolidada, o recuo de 9,7% ocorreu por causa da menor receita da trading e aumento em operações intercompany. “Se olhar o resultado do IFRS, os números vieram fortes por causa da maior margem de construção e ajustes nos ativos financeiros da distribuição, mas esses elementos não tem efeito caixa”, acrescentou.

JBS (JBSS3)

Segundo o Valor Econômico, a italiana Rigamonti, controlada pela JBS, adquiriu a também italiana Brianza Salumi, que é especializada em presuntos com menos sal. Procurada pelo jornal, a JBS não comentou.

Os analistas do Bradesco BBI avaliam que a aquisição da Brianza Salumi não deve trazer ganhos materiais à JBS, já que seu faturamento é de R$ 70 milhões, bem abaixo da receita consolidada do grupo, de R$ 180 bilhões.

No entanto, os analistas Leandro Fontanesi, Tiago Mello e João Grandi destacam a estratégia de aumento da exposição a alimentos processados, o que pode levar a uma reclassificação das ações. A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 35.

Sanepar (SAPR11)

A XP Investimentos elevou em R$ 3 o preço-alvo para as units da Sanepar, passando de R$ 104 para R$ 107 e reiterando recomendação de compra após o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) reverter liminar que barrava parte do aumento tarifário de 12,13%, que iria para 8,37%.

“Além do impacto sobre os resultados futuros da decisão para a Sanepar, ressaltamos o benefício na forma de uma menor percepção de risco de investidores para ação. Isso, na nossa visão, deveria contribuir para a redução do desconto que as ações negociam ante outras empresas de saneamento e de setores regulados, como o setor elétrico. Daqui para a frente, o mercado deve monitorar de perto eventuais discussões sobre um pedido da empresa junto ao regulador Agepar de antecipação do diferimento da revisão tarifária de 2017 em 8 anos”, aponta o analista Gabriel Francisco.

Gafisa (GFSA3)

A Gafisa informou que o conselho de administração aprovou a contratação de instituição financeira para estruturação de captação, por meio de valores mobiliários, até o limite de US$ 150 milhões. O tema será submetido à assembleia geral dos acionistas, para que possam deliberar sobre eventual emissão de valores mobiliários. A captação buscará viabilizar a retomada de crescimento.

A empresa destacou ainda que concretizou a aquisição de terreno para empreendimento em área nobre na cidade de São Paulo, na Rua Cotovia, no bairro de Moema, que marcará a retomada de lançamentos da Gafisa no primeiro semestre de 2020.

Segundo a construtora, foi aprovada ainda a celebração de dois memorandos de entendimento não vinculativo para estudos e avaliações de oportunidades de empreendimentos em Rio de Janeiro e em Osasco (SP).

Cogna (COGN3)

A Cogna, antiga Kroton, informou o volume total de vendas das Editoras Ática, Scipione e Saraiva Educação no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) do próximo ano foi de 52,0 milhões de livros, sendo 20,8 milhões referentes à adoção de novos livros para o segmento de Ensino Fundamental II e 31,2 milhões referentes a reposições dos anos anteriores (para os segmentos Ensino Fundamental I e Ensino Médio).

O faturamento resultante de tais vendas corresponderá a R$ 408,0 milhões, dos quais R$ 175,6 milhões são referentes à adoção de novos livros para o segmento de Ensino Fundamental II e R$ 232,4 milhões referentes a reposições dos anos anteriores. A empresa acrescentou que a receita referente ao PNLD a ser registrada no terceiro trimestre deste ano será de R$ 20 milhões.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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