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Acionistas da Linx aprovam venda para Stone em operação de R$ 6,7 bilhões; veja o histórico da disputa pela companhia

Operação foi envolta de polêmicas desde o início, em agosto, em meio à concorrência com a Linx

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SÃO PAULO – Os acionistas da Linx (LINX3) aprovaram, na noite da última terça-feira (17), por maioria qualificada, a oferta de aquisição proposta pela processadora de cartões Stone.

Na assembleia, foram computados 55,95% votos a favor da proposta da Stone, 20,01% contra e 3,79% abstenções. Com isso, a Stone venceu uma disputa de meses com a Totvs (TOTS3) pela compra do ativo.

A StoneCo elevou na tarde da véspera a sua oferta, com a proposta de pagamento de R$ 33,56 mais 0,0126774 ação classe A da empresa por ação da Linx, em um negócio de aproximadamente R$ 6,7 bilhões.

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A aquisição deve transformar a StoneCo em uma provedora integrada de software e pagamentos em um momento em que novos rivais e novas tecnologias – como a plataforma de pagamentos instantâneos Pix, lançada esta semana pelo Banco Central – estão transformando a indústria de pagamentos no Brasil.

Se concluído, o negócio tornará a Linx uma nova unidade de negócios de software da Stone, comandada por executivos de ambas as empresas. A operação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O presidente da Stone, Thiago Piau, afirmou que tem confiança que o negócio com a Linx será aprovado pelo Cade e que a análise deve demorar três a seis meses. Segundo Piau, a Stone pretende oferecer aos clientes preços menores já que serviços de pagamentos da empresa e de software da Linx serão integrados.

Ele apontou que o objetivo da Stone é uma aproximação das operações de varejo e de serviços financeiros, além de oferecer uma combinação de tecnologia e atendimento aos lojistas. A empresa vê na Linx a possibilidade de fazer a ponte entre esses dois universos, mas manterá a plataforma aberta para que os clientes escolham os fornecedores que quiserem.

Piau afirmou ainda que a companhia segue focada em empresas pequenas e médias e que segue avaliando oportunidades de novas aquisições.

Desde o início, em agosto, a notícia de venda da Linx para a Stone foi envolta de polêmicas, tanto por conta dos valores quanto pelo acordo de não competição e os valores que seriam pagos aos fundadores da Linx, enquanto a Totvs informou que também estava negociando a compra da Linx.

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Ainda é incerto qual será o próximo passo da Totvs, que fez uma proposta de R$ 6,1 bilhões, sendo a maior parte em ações: a companhia tem uma assembleia marcada para o próximo dia 27, onde iria pedir aprovação de seus acionistas para o negócio.

Vale destacar que a Stone teve que alterar os termos de sua proposta. Em nova versão os valores do acordo de não competição dos fundadores da Linx, Alberto Menache, Nércio Fernandes e Alon Dayan, foram reduzidos em até 40%, sendo que acordo também foi estendido de três anos para cinco anos. Alberto Menache,  CEO da Linx, receberá R$ 19 milhões por ano – ou R$ 95 milhões pelo período completo.

Ele também receberá R$ 5 milhões por um contrato de um ano de trabalho com a Stone para contribuir na integração sendo que, anteriormente, o acordo previa R$ 15 milhões por três anos.

Os demais fundadores receberão valores menores pelo acordo: Nércio Fernandes terá um pacote de R$ 15 milhões por ano (ou R$ 75 milhões nos cinco anos) e Alon Dayan, R$ 3 milhões por ano (R$ 15 milhões).

Confira abaixo a linha do tempo sobre a disputa pela Linx:

 

Análises

O Bradesco BBI avaliou que a decisão da CVM de permitir que os fundadores e gestores da Linx votassem contribuiu para sua venda à Stone, em detrimento da proposta feita pela Totvs. O banco destaca, no entanto, que mesmo os acionistas minoritários votaram a favor da Stone.

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Apesar de a Totvs não ter sido capaz de fechar o negócio, o Bradesco mantém suas ações como top pick no setor latino-americano de tecnologia, mídia e telecomunicações. O banco reafirma a avaliação em outperform, com preço-alvo de R$ 36, frente os R$ 27,15 do fechamento da véspera.

O Credit Suisse afirma que a compra da Linx faz sentido para a Stone. A Stone poderá oferecer aos 70 mil clientes da Linx produtos financeiros que a Linx, sozinha, não teria escala para ofertar. O banco avalia que o preço foi justo, e é importante na estratégia da empresa de se tornar uma plataforma completa para merchants de todos os tamanhos.

Incorporada, a Linx passa a valer mais do que valia sozinha. O Credit Suisse espera que o Cade exija poucos remédios para a conclusão da operação, que pode demorar alguns meses. Os acionistas da Stone ainda precisam aprovar o resgate das ações preferenciais dado aos acionistas da Linx , por dinheiro ou classe A das ações comuns da Stone. Os BDRs da Stone precisam ser registrados na CVM e admitidos para trading na B3. O banco não espera dificuldades em conseguir que os acionistas aprovem todas essas condições.

(com agências)

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