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SÃO PAULO – De um lado, nunca foi tão fácil para o brasileiro comprar um carro zero-quilômetro – financiamentos em até 72 meses estimulam as vendas do setor automobilístico, que marca recordes de vendas. Do outro, o preço médio dos modelos populares atinge proporções inéditas, mas não para o lado positivo: por menos de R$ 21 mil, não é possível sair de uma concessionária sem um veículo básico.
“Na década de 1990, quando foi lançada a idéia do carro popular, com mil cilindradas, ele custava por volta de US$ 7 mil, US$ 8 mil (cerca de R$ 13 mil, com a moeda norte-americana oscilando em R$ 1,9)“, explicou o consultor de mercado automobilístico da Molicar, Vitor Meizikas Filho.
Popularização?
Conforme Meizikas, o carro zero não é popularizado: na verdade, esse conceito é abrangido pelos autos usados, com cerca de 15 anos rodados, que sai por volta de R$ 8 mil. “Ou então as motocicletas. As de 125 cilindradas cumprem esse papel, porque têm preço médio de R$ 6 mil e são financiadas em até 60 meses”, contou.
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Vale lembrar que, no primeiro semestre, segundo a Agência Autoinforme e a Molicar, carros ficaram, em média, 1,65% mais caros.
Quanto custa
Modelos tidos como acessíveis são: o Mille, da Fiat; Celta, da Chevrolet; e o Gol, da Volkswagen – o mais vendido há quase duas décadas. Veja seus preços médios, de acordo com a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas:
| Carros populares | |
| Modelo | Valor |
| Celta Super 1.0/ 3 portas | R$ 29.545 |
| Uno Mille 1.0/ 2 portas | R$ 23.986 |
| Gol Power 1.6/ 4 portas | R$ 35.648 |
Fonte: Fipe
Incremento x usados
“As montadoras passaram a incrementar os modelos, criando opcionais que os tornassem mais caros”, observou o consultor. Além disso, na hora de definir o preço que será cobrado, as fabricantes não se baseiam exatamente no custo do modelo, mas, sim, na possibilidade de pagamento dos compradores.
Além disso, como o mercado automobilístico brasileiro é muito heterogêneo, com nacionais, importados e variações de preço enormes, alguns autos usados são muito valorizados. “O quanto se paga em um dá para comprar um zero”, finalizou Meizikas.