Destaques da bolsa

Ação do IRB cai 2,5% após subir forte na véspera; Gol e Vale seguem em baixa com coronavírus e Petrobras sobe

Confira os destaques da B3 na sessão desta sexta-feira (28)

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SÃO PAULO – Após duas sessões pós-feriado de forte queda para o mercado, com o Ibovespa acumulando perdas de 9,41% entre quarta e quinta, o pregão desta sexta-feira (28) foi de recuperação, com o índice subindo 1,15% após chegar a cair forte e perder os 100 mil pontos.

As ações de Petrobras (PETR3;PETR4) seguiram a recuperação e subiram hoje, enquanto Vale (VALE3) e siderúrgicas como Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) registraram baixa ainda seguindo o cenário de queda para as commodities em meio aos temores para a economia global com o coronavírus.

Entre as maiores quedas do dia ficaram os ativos do IRB (IRBR3), que subiram 6,66% na sessão passada com a notícia do Estadão de que a Berkshire Hathaway teria aumentado sua participação na companhia, que não foi confirmada pela companhia.

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Varejistas registraram uma sessão de perdas, enquanto Ambev (ABEV3) teve leve alta após perder R$ 20,7 bilhões de mercado na véspera depois da divulgação do balanço do quarto trimestre, que não agradou o mercado.

Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), por sua vez, abriram em alta e ganharam força no fechamento, se mostrando ainda resilientes nesses dias de maior aversão ao risco do mercado com os investidores à procura de ativos de qualidade e não tão impactados pelo surto de coronavírus.

Pelo terceiro dia, a ação da Gol (GOLL4) voltou a registrar queda: na véspera, o papel caiu 8,9% após perder 14% na véspera, acumulando baixa de cerca de 24% em três dias. O setor aéreo é apontado por analistas como um dos mais prejudicados pelos efeitos do coronavírus já que a tendência é que as pessoas evitem viajar. Além disso, pesa o fato da companhia ter grande parte de seus custos em dólar.

A Embraer (EMBR3) também teve perdas. A União Europeia definiu 23 de junho como o novo prazo para revisão do acordo entre Boeing e Embraer. A revisão estava suspensa desde 21 de janeiro para que as partes fornecessem mais informações consideradas importantes pela comissão. Confira os destaques:

Petrobras (PETR3;PETR4

A Petrobras anunciou na noite de ontem uma série de desinvestimentos, dentro da política da atual administração de gerar mais valor aos acionistas da estatal. Em um comunicado, publicou o teaser para a venda dos 51% que possui na Gaspetro, distribuidora de gás natural que atua em 19 Estados brasileiros.

A venda da Gaspetro foi um desinvestimento cogitado várias vezes por Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras. A japonesa Mitsui é proprietária dos 49% restantes da empresa, pelos quais pagou R$ 1,9 bilhão em 2015. O valor atual da Gaspetro se situaria ao redor de R$ 4 bilhões, segundo analistas.

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A Gaspetro controla uma rede de 10 mil quilômetros de gasodutos, com participação em várias distribuidoras estaduais de gás natural. Em outro comunicado, a Petrobras divulgou o teaser para a venda dos campos de gás de Merluza e Lagosta, na Bacia de Santos. Os campos ficam em águas rasas (o de Merluza, 135 metros de profundidade) e são apenas da estatal brasileira. Merluza está em operação desde 1993 e Lagosta desde 2009.

Conforme destaca o Bradesco BBI, a Petrobras está priorizando a venda a um comprador financeiro/estratégico, em vez de um IPO. A Petrobras detém 51% da Gaspetro (enquanto a Mitsui detém 49%), com a empresa detendo uma participação média de cerca de 44% em 19 empresas brasileiras de distribuição de gás.

“O valor contábil da Gaspetro é de cerca de R$ 2 bilhões (US$ 487 milhões) e estimamos que o lucro líquido seja de aproximadamente R$ 300 milhões. 100% da Gaspetro poderia ser de R$ 3,0 a R$ 5,5 bilhões (US$ 670 a US $ 770 milhões). Ao vender sua participação de 51%, a Petrobras poderia arrecadar cerca de US$ 340 milhões a US$ 390 milhões”, avalia o analista.

Vale (VALE3)

A Vale informou que obteve junto à Petrobras navios chamados de Oil Spill Recovery Vessel (OSRV, na sigla em inglês) para conter um eventual vazamento de óleo da embarcação com minério de ferro que encalhou após deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), na segunda-feira.

A medida é apenas preventiva, já que segundo a Capitania dos Portos não há vazamento do combustível do navio, que está encalhado fora do canal de acesso ao terminal. A mineradora informou ainda que contratou especialistas em salvatagem para acelerar o plano de retirada do combustível da embarcação.

A operadora do navio, a sul-coreana Polaris Shipping, explicou nesta quinta-feira que ainda avalia a extensão dos danos causados pelo contato da embarcação com algo ainda não identificado no fundo do mar, o que causou a avaria.

“Como resultado do incidente, alguns tanques de água e espaços vazios sofreram danos, embora a extensão dos danos ainda deva ser estabelecida”, disse a Polaris em nota. “Acredita-se que os porões de carga estejam intactos e a situação está sob controle.” Todos os membros da tripulação estão seguros, destacou.

Dados do terminal Eikon, da Refinitiv, mostram que o navio tinha como destino o porto de Qingdao, na China, para onde deveria levar uma carga de 275 mil toneladas de minério de ferro.

Oi (OIBR3;OIBR4)

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A Oi protocolou junto à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro petição para convocar nova assembleia geral de credores e discutir um aditamento ao plano de recuperação judicial homologado, disse a empresa em comunicado. O objetivo do aditamento é alcançar maior flexibilidade operacional e financeira “para continuar seu projeto de investimento e o cumprimento de seu plano estratégico de transformação”, disse a companhia.

A estratégia passa por reorganização das operações “de forma a dar mais eficiência a sua estrutura societária e criar opções estratégicas de capitalização e fortalecimento da Oi”. A “Oi reitera seu compromisso na execução de seu Plano Estratégico com foco na massificação da fibra ótica no Brasil e em negócios de maior valor agregado e com tendência de crescimento e visão de futuro”.

A nova administração da Oi conseguiu, em dois anos, reduzir a dívida imensa de R$ 60 bilhões para R$ 16 bilhões. Esse e outros argumentos devem ser apresentados em uma nova Assembleia Geral de Credores, que a empresa deve convocar em breve – o comunicado enviado à CVM na manhã de hoje não traz uma data. A última Assembleia aconteceu nos dias 19 e 20 de dezembro do ano passado. Segundo a Oi, só poderão participar da próxima Assembleia os credores que estiveram na última e que, até ontem (27 de fevereiro) ainda detinham ações e outros papéis da operadora em seu poder.

Santander Brasil (SANB11)

Sergio Rial, CEO do Santander Brasil, vai se tornar conselheiro do Grupo Santander (Espanha). Rial vai ser um dos três conselheiros executivos do grupo. ao lado de Ana Botín e José Álvarez.

Rial, que se juntou ao Santander Brasil em 2015, foi importante para a melhora na rentabilidade do banco. O SANB11 atingiu um retorno sobre patrimônio líquido de 21,3% no último trimestre de 2019, patamar muito superior ao encontrado na sua chegada ao banco, que era de aproximadamente 14%.

“Nossa visão sobre a notícia é negativa, uma vez que o Rial é um executivo chave para a subsidiária brasileira e agora ele deve se aproximar da matriz. Lembrando que a possível saída do executivo brasileiro para o grupo espanhol já era especulada pelo mercado”

AES Tietê (TIET11

A geradora e transmissora AES Tietê Energia, que controla 35 hidrelétricas no interior de São Paulo, divulgou balanço e informou um lucro líquido de R$ 105,6 milhões no quarto trimestre de 2019, expansão de 0,6% sobre igual período de 2018. A empresa informou que no ano inteiro de 2019 o lucro líquido cresceu 4,2% para R$ 300,1 milhões. Os números da AES vieram na média das projeções de analistas de mercado.

A receita líquida da empresa cresceu 13,1% para R$ 528 milhões no quarto trimestre do ano passado. No fechamento de 2019, a receita líquida avançou 6,6% para R$ 2 bilhões. A geradora de energia reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 285,9 milhões no quarto trimestre do ano passado, uma expansão de 6,1 sobre igual período de 2018. Em 2019 fechado, o Ebitda avançou 2,3% para R$ 1,02 bilhão.

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O balanço teve dois destaques: um foi o aumento dos investimentos da empresa em parques eólicos geradores de energia e outro foi a redução do endividamento líquido da empresa. Embora a dívida bruta supere R$ 4 bilhões, a empresa conseguiu reduzir sua dívida líquida em 6,5% em 2019 para R$ 2,89 bilhões. Segundo a empresa, o índice de alavancagem da dívida sobre o Ebitda fechou 2019 em 2,79 vezes (2,79x). A empresa conseguiu refinanciar grande parte do débito, que vencerá a partir de 2025.

A companhia atualizou sua previsão de investimentos para o período de 2020 a 2024 para aproximadamente R$ 1,4 bilhão. Em maio do ano passado, a empresa projetava investir R$ 662,1 milhões entre 2019 e 2023 na finalização da construção de parques eólicos e projetos já existentes. Um pouco mais da metade desse aporte, R$ 342,8 milhões, foram investidos ao longo de 2019.

Conforme fato relevante divulgado pela elétrica, o montante será direcionado à modernização e manutenção de seus ativos em operação e à expansão, principalmente para a construção do complexo eólico Tucano e desenvolvimento de unidades de geração distribuída.

“Temos uma avaliação positiva dos resultados da AES Tietê no quarto trimestre de 2019, dado que o Ebitda ajustado e o lucro vieram acima das nossas estimativas. Acreditamos que as ações da AES Tietê fornecem uma das melhores histórias de risco-retorno no setor elétrico. Mantemos nossa recomendação de compra e nosso preço-alvo de R$ 17 por unit”, destaca a XP Investimentos.

BRF (BRFS3)

Por causa do surto de coronavírus, a BRF suspendeu viagens de seus funcionários para Coreia do Sul, Itália e Irã, três países que vêm sendo atingidos pela disseminação da doença. A companhia já havia suspendido viagens para China continental. A doença também já começa a afetar indústrias brasileiras por causa da falta de peças e componentes industriais vindos da China, onde fábricas estão paradas, diz o Estadão.

Embraer (EMBR3)

A União Europeia definiu 23 de junho como o novo prazo para revisão do acordo entre Boeing e Embraer. A revisão estava suspensa desde 21 de janeiro para que as partes fornecessem mais informações consideradas importantes pela comissão.

IRB Brasil (IRBR3)

O IRB Brasil nega que o presidente do conselho de administração, Ivan Monteiro, tenha pedido renúncia, em comunicado ao mercado. Reportagem do Valor afirmou que Monteiro pediu demissão do cargo no último dia 20, um dia após a teleconferência de resultados da empresa, citando fontes
próximas à resseguradora.

Neoenergia (NEOE3)

A Neoenergia aprovou ontem a emissão de debêntures no valor de R$ 300 milhões. Segundo a empresa, os recursos levantados com a venda dos papéis serão usados nos seus projetos de transmissão de energia elétrica. A B3 fará a custódia eletrônica dos papéis. Serão 300 mil debêntures emitidas, cada uma ao valor de R$ 1 mil, com vencimento em 2045. Segundo a Neoenergia, serão pagos juros de 4,50% ao ano sobre os papéis, a partir de 15 de fevereiro de 2023.

Copel (CPLE6)

A Copel, estatal de energia elétrica do Paraná, fechou ontem um acordo com a Petrobras de fornecimento de gás natural para a usina termelétrica de Araucária (UEGA) na Região Metropolitana de Curitiba. A UEGA é um ativo controlado pela Copel, que tem participação de 80% na usina, enquanto os 20% restantes são da Petrobras. O acordo vale até 31 de dezembro deste ano.

Renova (RNEW11)

A Renova Energia, empresa em recuperação judicial, comunicou ontem ao mercado que recebeu na sexta-feira passada (21 de fevereiro) uma oferta vinculante de financiamento para concluir o parque eólico gerador de energia Alto Sertão III Fase A, bem como “para despesas operacionais correntes” da própria empresa. A companhia afirmou que estuda a oferta.

PagSeguro e Cielo (CIEL3)

A Cielo ficou entre as maiores altas desta sexta, além da recuperação dos últimos pregões, os ganhos podem ser reflexo também do resultado fraco divulgado pela sua concorrente PagSeguro.

A companhia com ações negociadas em Wall Street viu seu lucro líquido subir 29,4% no quarto trimestre de 2019 na comparação com igual período de 2018, totalizando R$ 391,9 milhões. A receita líquida com operações de pagamentos e outros serviços foi de R$ 1,5 bilhão, avanço de 37,2% na base de comparação anual.

A base de usuários ativos encerrou o ano passado em 5,3 milhões, expansão de 1,1 milhão ante 2018.

O custo de vendas e serviços subiu 12,1% no período, para R$ 747,4 milhões, mas como percentual da receita líquida, os custos recuaram de 82,6% para 80,1%. Já as despesas com vendas saltaram 124,5%, para 186,6 milhões de reais. Segundo a PagSeguro, o aumento é relacionado a “despesas com marketing”.

O Itaú BBA, o Bradesco BBI e o Morgan Stanley avaliaram o balanço da PagSeguro, empresa brasileira que é listada no Nasdaq em Nova York, mas atua no Brasil. O BBA comentou que os resultados vieram em linha com as projeções e manteve a recomendação neutra para os papéis.

Como fatores positivos, o BBA aponta que o lucro foi de R$ 1,5 bilhão, 2% superior à projeção do banco, e a base de clientes ativos da plataforma cresceu em 250 mil pessoas para 5,3 milhões no final de 2019. No lado negativo, o BBA aponta o aumento das despesas operacionais, principalmente no marketing para divulgar o PagBank. O banco colocou em revisão o preço-alvo da ação para 2020.

O Bradesco BBI avalia que o lucro líquido do quarto trimestre chegou 11% abaixo das estimativas do banco e indica que houve uma desaceleração para 7,6% no gasto médio por consumidor no período, o que indica “que os desafios crescem para a empresa líder no segmento de microempreendedores no Brasil”. O BBI também observa que a PagSeguro investe em iniciativas de alto risco, como um “super app”, que podem não trazer os resultados sonhados.

A recomendação continua “underperform” (abaixo da média), com redução de 14% no preço-alvo do papel da fintech brasileira neste ano, de US$ 32,40 para US$ 28,00. A avaliação mais positiva da PagSeguro é a do banco americano Morgan Stanley. O Morgan comenta que o lucro líquido, embora tenha vindo um pouco abaixo das estimativas, foi robusto, e o volume total de pagamentos (TPV) cresceu 17% no quarto trimestre para R$ 34,3 bilhões, dentro da estimativa do banco. O TPV para 2019 inteiro cresceu 51% para R$ 115 bilhões, outro número que o banco considera positivo. O Morgan Stanley mantém a nota “overweight” (acima da média) para a ação PAGS e fixa um preço-alvo de US$ 56,00 para a ação na NYSE, uma projeção no mínimo “bullish”.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)