Destaques da bolsa

Ações PN da Oi saltam 44% com batalha por operação móvel e Carrefour sobe mais de 5% após balanço; Via Varejo dispara quase 8%

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (28)

Orelhões da Oi telecomunicações
Orelhões da Oi telecomunicações no Rio de Janeiro (Foto: Getty Images)

SÃO PAULO – A sessão foi de leve queda para o Ibovespa acompanhando o dia mais negativo no exterior, mas o noticiário corporativo brasileiro guiou algumas das maiores altas da sessão.

As ações do Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 22,50, +5,34%) dispararam até 9%, depois amenizando os ganhos, após bons números do segundo trimestre. Os dados também impulsionaram as ações do Pão de Açúcar (PCAR3, R$ 77,72, +3,21%), do mesmo setor.

Enquanto isso, TIM Participações (TIMP3, R$ 14,88, +2,13%) e Vivo (VIVT4, R$ 50,97, +2,45%) avançaram após elevarem (junto com a Claro) a proposta pela Oi Móvel para R$ 16,5 bilhões, o que também impulsionou as ações da Oi (OIBR3, R$ 2,05, +15,82%;OIBR4, R$ 2,77, +44,27%) na sessão, para alta superior a 10% durante a manhã. Além de elevarem as propostas, as três maiores empresas do setor afirmaram que pretendem fazer contrato de aluguel de rede da Oi a longo prazo.

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Os ativos da Oi aceleraram ainda mais durante a tarde, após o jornal O Globo informar que americana Highline já estuda fazer uma contraproposta pelos ativos móveis da companhia. A companhia havia fechado exclusividade para negociar com a Oi até 3 de agosto, tendo até esta data para acertar uma nova oferta que barre a das concorrentes. Com isso, os ativos OIBR3 saltaram mais de 15%, enquanto os papéis OIBR4 tiveram alta ainda mais acentuada, de 44%.

Já os ativos da AES Tietê (TIET11, R$ 15,26, -8,35%) registraram forte queda, após chegarem a cair mais de 13%  depois que o BNDES confirmou ter aceitado a proposta da AES Corp. pela geradora. As ações da Eneva (ENEV3, R$ 49,81, -2,14%), empresa derrotada na disputa, também registraram queda. Veja mais clicando aqui. 

Entre as maiores altas do Ibovespa, atenção para a Via Varejo (VVAR3, R$ 20,41, +7,93%), com alta superior a 7%. Conforme destacou o jornal O Estado de S. Paulo, depois das mudanças internas, a atual direção lançou ontem o novo desenho da marca da Casas Bahia para ir atrás de um público novo: a alta renda. Com o redesenho de sua imagem, a varejista pretende provar que também pode ser boa opção para o público de alta renda. Veja mais clicando aqui. 

Por outro lado, ações de Petrobras (PETR3, R$ 23,39, -1,60%;PETR4, R$ 22,80, -1,72%) tiveram queda seguindo o preço do petróleo. Os contratos futuros do Brent para setembro terminaram a sessão em queda de 0,43%, a US$ 43,22 o barril em Londres, enquanto o WTI teve perdas de 1,34%, a US$ 41,04 o barril na Nymex. Os ativos da Vale (VALE3, R$ 60,34, -1,68%) também tiveram baixa superior a 1%.

Fora do Ibovespa, a Direcional (DIRR3, R$ 14,97, -7,59%) viu suas ações em forte queda. A companhia informou que, “em razões das condições de mercado” (mas sem dar mais detalhes), cancelará o pedido de oferta pública de ações (IPO) da sua controlada Riva 9 Empreendimentos Imobiliários. O registro havia sido apresentado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 4 de março. A Riva 9 é uma incorporadora focada em residências de média renda e teria o preço de suas ações fixado nesta terça-feira.

Conforme aponta o Credit Suisse, a notícia é negativa uma vez que o IPO poderia destravar um valor significativo para a companhia e proporcionar dividendos para os acionistas.

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Confira os destaques:

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
COGN38.043229
VVAR37.9323120.41
BRFS35.8648121.3
CRFB35.3370822.5
BEEF34.687514.74

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
WEGE3-3.9456867.19
BPAC11-3.2379484.87
CIEL3-2.290085.12
CCRO3-2.1002714.45
ENBR3-1.94718.13

TIM Participações (TIMP3, R$ 14,88, +2,13%) e Vivo (VIVT4, R$ 50,97, +2,45%), Claro e Oi  (OIBR3;OIBR4

As operadoras Telefônica, TIM e Claro apresentaram nova proposta de R$ 16,5 bilhões pelos ativos móveis da Oi. Essa proposta, segundo comunicado das empresas, considera a possibilidade de assinar com o Grupo Oi contratos de longo prazo para uso de infraestrutura.

A nova oferta é uma reação à proposta feita pela Highline do Brasil, que tem o fundo Digital Colony como investidor, pelos ativos móveis da Oi. O preço mínimo pedido pelo Oi por esses ativos é de R$ 15 bilhões. Veja mais clicando aqui.  Contudo, afirma o jornal O Globo, a Highline já estaria estudando uma nova proposta pela Oi móvel.

AES Tietê (TIET11, R$ 15,26, -8,35%) e Eneva (ENEV3, R$ 49,81, -2,14%)

A AHB Participações, acionista controlador da AES Tietê, venceu processo da BNDESPar para venda de sua participação na companhia, diz a AES Tietê em comunicado.

A companhia disse que recebeu correspondência da BNDESPar com a informação na noite de 27 de julho. O comunicado da AES Tietê não traz mais detalhes. A companhia diz que solicitará mais informações do acionista controlador e manterá o mercado informado.

Posteriormente, o BNDES informou que decidiu aceitar a oferta feita pela americana AES Corp pela sua fatia na AES Tietê. Com a venda para a AES, o banco vai embolsar R$ 1,27 bilhão e ficar com cerca de 9% da companhia ainda em mãos. Agora, a AES vai levar a Tietê para o Novo Mercado.

A reunião entre diretoria e conselheiros do banco avaliou a nova proposta da Eneva na segunda-feira, mas considerou o volume de caixa como essencial e o risco societário alto e um processo potencialmente moroso na proposta da companhia.

Conforme destaca a XP Investimentos, a aquisição pela empresa norte-americana deve ajudar a proteger a empresa de propostas futuras de aquisição, uma vez que a AES Corp. será detentora de uma maior parte do capital total da companhia, embora ainda não seja mais o que 50% do capital total. Por outro lado, notamos que eventuais acionistas da AES Tietê que tinham uma visão favorável da combinação de negócios com a Eneva podem acabar gerando um fluxo de venda das ações, o que poderia causar uma pressão temporária negativa sobre os preços de TIET11.

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Além disso, aponta o analista, restam dúvidas acerca do que o BNDESPar fará com sua participação remanescente de 9% e em que condições ocorrerá a migração da AES Tietê para o Novo Mercado. “Destacamos que haverá volatilidade no curto prazo no preço das ações de AES Tietê. Nossa recomendação de Compra, com um preço-alvo de 12 meses de R$17/unit é exclusivamente baseada nos fundamentos da companhia”, afirma o analista.

Latam Brasil

Pilotos da Latam Brasil rejeitaram proposta de acordo coletivo feita pela empresa em votação online organizada pelo Sindicato dos Aeronautas (SNA), que representa a categoria.

O percentual de votos contrários foi de 89,3% entre comandantes, 88,9% entre copilotos e 88,6% entre comissários. A votação ocorreu entre os dias 23 e 27 de julho.

Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o sindicato afirma que já informou o resultado à empresa e uma reunião foi agendada para esta terça.

Os pilotos aceitam uma redução temporária de jornada e salário por 18 meses, mas rejeitam a proposta da Latam de redução permanente na remuneração quando esse período acabar.

Carrefour Brasil (CRFB3, R$ 22,50, +5,34%)

E na temporada de balanços, o Carrefour Brasil registrou um lucro líquido ajustado de R$ 713 milhões no segundo trimestre do ano, uma alta de 74,7% em relação ao igual período do ano anterior.

O Ebitda ajustado avançou 27,5% ano a ano, para R$ 1,42 bilhão. Já a margem chegou a 9%, 8,1% um ano antes. As vendas brutas, excluindo gasolina, aumentaram 18,3% no trimestre para R$ 17,3 bilhões. Leia mais clicando aqui. 

Os analistas do Bradesco BBI avaliaram como positivo e forte o resultado do Carrefour Brasil. No entanto, destacaram que o desempenho do trimestre pode ter sido influenciado por fatores extraordinários, como a compra de itens não alimentares em hipermercados devido às restrições causadas pela pandemia da Covid-19.

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Ainda assim, a instituição financeira viu como positiva a relevância das vendas de alimentos no canal eletrônico, que chegaram a 8% da receita do varejo (em São Paulo, essa fatia chegou a 14% e, em Curitiba, a 19%). “Estamos começando a ver os sinais do Carrefour construindo uma vantagem pioneira no mercado de alimentos online”, avaliaram.

Já o Credit Suisse destacou o crescimento da rentabilidade. “A somatória de ganhos de eficiência, alavancagem operacional e avanço do e-commerce pode ser listada como o pilar deste trimestre”, avaliou, em relatório a clientes.

Biosev (BSEV3, R$ 3,70, -1,86%)

Já a companhia de etanol Biosev registrou um prejuízo de R$ 1,08 bilhão no quarto trimestre fiscal (encerrado em março), ante prejuízo deR$ 306,6 milhões no mesmo período da safra anterior.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 35,03, +0,34%)

O Ministério da Economia está considerando Conrado Engel para presidente do BB, segundo o Valor. O executivo é um engenheiro aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) que participou de um programa de diretor internacional do INSEAD. Engel também foi CEO do HSBC, vice-presidente do Santander e atualmente é consultor sênior da General Atlantic.

Uma proposta formal ainda não foi feita. Entre os outros nomes considerados para o cargo estão o CEO da CEF, Pedro Guimarães, o Chairman do BB, Hélio Magalhães, o vice-presidente do BB, Mauro Ribeiro Neto e o CTO do BB, Fabio Barbosa (veja mais clicando aqui).

“Conrado Engel tem uma sólida formação como outros nomes que o mercado tem falado (por exemplo, Helio Magalhães e Fabio Barbosa). Observamos, no entanto, que, como alguém de fora, a transição pode ser naturalmente mais gradual em um cenário que muda rapidamente e é bastante desafiador para o setor. Portanto, consideramos a mudança de administração marginalmente negativa para as ações”, afirma o Bradesco BBI.

Já segundo a XP Investimentos, se confirmado, a visão seria positiva, pois Engel é um executivo experiente com passagens no varejo e, como investidor em startups, deve estar ciente de disrupções.

Petrobras (PETR3, R$ 23,39, -1,60%;PETR4, R$ 22,80, -1,72%)

A Petrobras realizou pré-pagamento parcial de linhas de crédito compromissadas (Revolving Credit Lines), no montante de US$ 3,5 bilhões, disse a companhia em comunicado.

Os recursos ficarão disponíveis para novos saques, em caso de necessidade. A operação permitirá maior eficiência na gestão do caixa em linha com a estratégia de otimização do capital da companhia.

A companhia ainda iniciou etapa de divulgação de oportunidade para venda de sua participação no Bloco Tayrona. O bloco é localizado em águas profundas na Bacia de Guajira, na Colômbia.

A Petrobras é operadora da área e possui 44,44% na concessão por meio da afiliada PIB-BV. A Ecopetrol possui os demais 55,56% de participação.

Vale (VALE3, R$ 60,34, -1,68%)

A exclusividade firmada pela Vale Canada Limited com a New Century Resources Limited para negociar a
venda de sua participação na Vale Nouvelle-Calédonie foi estendida por 45 dias, diz Vale em comunicado.

A extensão permitirá a conclusão da due diligence pela New Century e a negociação da documentação da transação.

A estrutura de financiamento abrange aproximadamente um total de US$ 900 milhões em contribuições das partes, incluindo, aproximadamente, US$ 500 milhões através de um trust pela Vale Canada, a renovação de uma linha já existente de € 200 milhões pelo Estado Francês e US$ 200 milhões da New Century através de estrutura de dívida, financiamento de offtake e investimento estratégico de terceiros na VNC.

Ainda em destaque, Vale e Progress Rail, unidade da Caterpillar, estão desenvolvendo a primeira locomotiva 100% elétrica da mineração brasileira, segundo comunicado.

A previsão é que a locomotiva, batizada de EMD Joule, entre em fase-piloto neste semestre no Porto de Tubarão, em Vitória (ES). O equipamento está em fase de construção na planta industrial da Progress Rail, em Sete Lagoas (MG).

As baterias da EMD Joule terão capacidade de armazenamento de 1,9 MWh, expansível até 2,4 MWh, podendo operar até 24 horas sem necessidade de parar para recarregar, segundo o comunicado.

Além de emissões de gases de efeito estufa pela substituição de diesel por eletricidade proveniente de fontes renováveis, o equipamento também irá reduzir a emissão de ruídos, dizem as empresas.

Cielo (CIEL3, R$ 5,12, -2,29%)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pediu à Cielo e ao Facebook esclarecimentos sobre um sistema de pagamentos via Whatsapp lançado no país em junho, mas depois bloqueado pelo Banco Central, incluindo o detalhamento das remunerações previstas para cada uma das partes.

Em documento, de 23 de julho, o Cade fez um pedido para que as empresas respondam aos questionamentos até 10 de agosto.

O Cade pediu detalhamento das “remunerações previstas para cada parte no contrato em apuração, especificando a finalidade e racionalidade econômica para estrutura de cada remuneração e taxa”.

Yduqs (YDUQ3, R$ 33,38, -0,06%)

A Yduqs Participações (antiga Estácio Participações) informou que concluiu a aquisição da totalidade das quotas do Grupo Athenas. Para isso, desembolsou R$ 106 milhões e outros R$ 14 milhões serão pagos no aniversário de cinco anos do fechamento da operação.

O Grupo Athenas atua na região norte do país e a aquisição havia sido informada ao mercado no início de junho.

CPFL Energia (CPFE3, R$ 31,20, -0,03%)

Em assembleia geral ordinária realizada ontem, a CPFL aprovou o pagamento de R$ 2,07 bilhões em dividendos, o que equivale a R$ 1,80 por ação ordinária.

Terão direito aos proventos com data-base de 27 de julho de 2020. As ações serão negociadas “ex-dividendo” a partir de hoje, dia 28.

JBS (JBSS3, R$ 22,25, +1,23%)

A Nordea informou que está se desfazendo de posições em JBS “por suas ligações com fazendas envolvidas no desmatamento da Amazônia, por sua resposta ao surto de Covid-19, por escândalos
de corrupção anteriores e pelo engajamento ruim” da empresa.

A Nordea tem US$ 230 bilhões sob gestão e detalhes de suas participações na JBS não foram divulgados. A notícia sobre o desinvestimento foi dada mais cedo pelo Guardian.

Recomendações

O JPMorgan reiniciou cobertura para ações da Eletrobras (ELET3, R$ 38,90, -1,02%;ELET6, R$ 39,66, -0,30%) como overweight (exposição acima da média do mercado), enquanto a Enauta (ENAT3, R$ 11,12, +6,21%) foi elevada a overweight pelo Morgan Stanley.

O Morgan Stanley elevou a recomendação da empresa de óleo e gás Enauta de “equal weight” para “overweight” com preço-alvo de R$ 13,50 (ante R$ 11).

Na avaliação dos analistas do banco americano, os investidores estão ignorando a possibilidade da empresa pagar um outro dividendo especial em um futuro próximo, reforçando que a companhia possui um bom balanço patrimonial.

“O impulso para outro dividendo extraordinário seria o recebimento da parcela final de US$ 144 milhões da venda do bloco BM-S-8 à Equinor nos próximos trimestres”, avaliaram.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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