Balanços das varejistas

Ação do Carrefour (CRFB3) fecha em alta após balanço e dados de sinergias, mas Assaí (ASAI3) ganha ainda mais destaque

Papéis ASAI3, com resultado que será divulgado semana que vem, registram desempenho mais forte que CRFB3 em meio a sinais sobre atacarejo

Por  Lara Rizério -

O Carrefour Brasil (CRFB3) trouxe boas notícias junto com seu resultado divulgado na noite da última terça-feira (15), fazendo com que as ações subissem até 8,94% na máxima do dia na sessão desta quarta-feira (16).

A principal das razões para alta não foi diretamente ligada ao resultado, mas sim com relação às sinergias, com a revisão das estimativas das sinergias do Grupo BIG em 15%, para no mínimo R$ 2 bilhões (de R$ 1,7 bilhão antes) até 2025, com a maior parte delas vindo de compras, despesas operacionais e maior produtividade das lojas.

Contudo, as ações CRFB3 amenizaram os ganhos durante a sessão e, ainda que em forte alta, foram ultrapassadas por outro papel do setor, que não está no Ibovespa, o do Assaí (ASAI3). CRFB3 fechou em alta de 5,31%, a R$ 16,85, enquanto ASAI3, avançou 7,14%, a R$ 13,05.

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Isso por conta da avaliação de que o atacarejo, foco do Assaí, foi destaque no resultado do Carrefour por meio do Atacadão, enquanto os números em geral foram vistos como em linha com o esperado. A ação ASAI3 ganhou ainda mais força com a teleconferência de resultados do Carrefour com os analistas, com a empresa destacando que as vendas do atacarejo tiveram recuperação no início do ano, um bom sinal para o Assaí.

Conforme aponta a XP, os resultados foram mistos e praticamente em linha com as estimativas da casa, com o menor poder de compra dos consumidores afetando o crescimento orgânico (vendas nas mesmas lojas) do Atacadão e o varejo não alimentar, enquanto a rentabilidade do Carrefour permaneceu pressionada visando evitar vendas mesmas lojas negativa (subindo 1,4% na base anual para a categoria alimentar).

A varejista reportou lucro líquido ajustado de R$ 766 milhões no quarto trimestre de 2021, o que representa uma redução de 13,5% em relação ao mesmo período de 2020.

O Atacadão cresceu 6,6% no trimestre, impulsionado principalmente pela forte contribuição de 10,9% da aceleração na expansão de lojas, com 44 inaugurações em 2021, que compensaram a queda de 3,4% nas vendas da operação de varejo, que correspondem a uma redução de 9,0% na base anual de vendas mesmas lojas. O Carrefour Varejo apresentou desempenho levemente melhor do que nos trimestres anteriores no segmento alimentício, com aumento de 1,5%, porém, seguiu pressionado pelo segmento não alimentício, que teve queda de 23,0%.

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Segundo o Itaú BBA, o Carrefour Brasil registrou rentabilidade acima do esperado, principalmente no atacarejo.

O Itaú BBA comentou que os números ficaram em linha com as projeções de receita, mas superaram as estimativas de rentabilidade, principalmente devido a uma margem Ebitda (Ebitda – ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações – sobre receita líquida) de 7,9%, acima do esperado na divisão do atacarejo (alta de 0,4 ponto na base anual).

O Bradesco BBI também ressaltou que os resultados mostram que o principal motor de crescimento e lucro da empresa – Atacadão – continua resiliente.

Assim, reportou números que estão acima de as estimativas 4% no Ebitda e 7% no lucro líquido, com a maior parte  impulsionada por um resultado mais forte do que o esperado no Banco Carrefour.

As vendas mesmas lojas (SSS) recuaram 5% no Atacadão, um pouco abaixo da estimativa de queda de 3%, mas o Ebitda ficou 1% acima, crescendo mais de 40% em 2 anos. O varejo foi fraco, como esperado, com queda das SSS em 9%, enquanto o Ebitda foi 1% menor que a estimativa do BBI.

Em teleconferência, ao ser questionado sobre a estratégia da frente de atacarejo, principal geradora de receita do grupo, o vice-presidente financeiro, David Murciano, afirmou que o Atacadão seguirá este ano atuando para elevar participação de mercado dado que a operação se baseia em volume de vendas.

Para Murciano, apesar do Atacadão ter atingido margem Ebitda ajustada de 7,9% no quarto trimestre, a operação tem rentabilidade histórica abaixo deste nível. “O patamar de rentabilidade do Atacadão tem que ficar nos níveis históricos, em 7%, 7,5%, é o nível normal do Atacadão, é um negócio de crescimento bem forte e vamos manter esta estratégia de ganho de market share”, afirmou.

Já Stéphane Maquaire, presidente-executivo da companhia, destacou que as vendas do Carrefour Brasil estão apresentando uma evolução neste início de ano em relação ao final do ano passado e que a queda de 6,1% das SSS é algo pontual.

“Temos crescimento positivo em vendas mesmas lojas de ‘mid single digits’ (cerca de 5%) tanto para varejo quanto para Atacadão”, disse o executivo em referência às duas áreas de atuação do grupo no país.

A XP segue com recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 22 por ação, ainda um potencial de valorização de 37,5% frente o fechamento da véspera. Os analistas estimam que as sinergias com o BIG possam adicionar R$ 1 ao preço-alvo, mas esperam ter mais visibilidade das principais alavancas para esta revisão antes de incorporá-la ao preço alvo.

“Mantivemos nossa recomendação neutra uma vez que esperamos que o momento de resultados siga desafiador, principalmente para operação de varejo, enquanto o fechamento da operação do Grupo BIG deve ocorrer apenas em junho”, aponta. A preferência da XP no setor segue para o Assaí.

Já o BTG Pactual aponta que, no geral, apesar do dinamismo de curto prazo mais fraco em sua operação de varejo (com menores vendas de não-alimentos, trade-downs por parte dos consumidores devido à alta inflação e desalavancagem operacional), a melhora gradual esperada no negócio de atacarejo e o potencial de valorização da fusão com o Grupo BIG (que deve ampliar o alcance do grupo e fechar os gaps de produtividade/margem) ainda sustentam a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 27 (ou potencial de valorização de 69%).

Após o resultado, o Bradesco BBI elevou o preço-alvo para a ação de R$ 23 para R$ 24 (upside de 50%), com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado).

“No geral, o resultado superando as estimativas é algo positivo, embora não acreditemos que os números mudem materialmente o caso de investimento. A principal oportunidade para os investidores agora é a aquisição do Grupo BIG (que esperamos ser aprovado com remédios mínimos até meados do ano). Estimamos um aumento no lucro por ação de dois dígitos no primeiro ano (…) Portanto, mantivemos nossa recomendação com apenas pequenos ajustes em nossas estimativas (que ainda não incorporam o Grupo BIG) e um aumento marginal em nosso preço-alvo”, apontam os analistas do BBI.

Após os números do Carrefour, os analistas aguardam agora pelos dados do Assaí, a serem divulgados na próxima semana, dia 21 de fevereiro, após o fechamento do mercado.

A XP aponta esperar que o Assaí apresente resultados fracos frente ao cenário macro desafiador, embora acima de seus pares. A projeção é de que as vendas líquidas apresentem um crescimento de 8% na base anual, principalmente devido à expansão de lojas no período (13 inaugurações), enquanto o SSS deve vir pressionado (queda de 2,2% na base anual) frente à demanda fraca, principalmente explicada pelo menor poder aquisitivo dos brasileiros dada a alta da inflação, combinada à lenta recuperação no segmento do B2B devido ao surto da ômicron.

“Olhando para a rentabilidade, esperamos ver uma margem bruta estável na comparação anual, enquanto a margem Ebitda deve apresentar uma ligeira queda de 0,5 ponto devido ao alto nível de abertura de lojas no trimestre. Por fim, esperamos que o lucro líquido apresente uma queda de 14% na base anual devido a maiores despesas financeiras frente à maior alavancagem da empresa, além do aumento das taxas de juros no país”, apontam.

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