Destaques da bolsa

Ação de fabricante de armas salta mais de 20% com alta de Bolsonaro no Ibope; estatais e bancos disparam

Confira os destaques do mercado nesta terça-feira (2)

SÃO PAULO – Após uma última sessão azeda para o mercado, o Ibovespa registra uma sessão de euforia nesta terça-feira (2), com o mercado repercutindo o Ibope favorável a Jair Bolsonaro (PSL), que subiu de 27% para 31% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Fernando Haddad (PT), e maior “temor” dos investidores devido à possibilidade de políticas intervencionistas, ficou estável em 21%.

Com isso, estatais como Eletrobras (ELET3;ELET6), Petrobras (PETR3;PETR4) e bancos como Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC3;BBDC4), mais sensíveis ao cenário eleitoral, disparam. As quedas se resumem aos papéis da Suzano (SUZB3) e Fibria (FIBR3), que registram baixa em meio à queda do dólar de mais de 1%. Às 10h17 (horário de Brasília), a divisa comercial registra baixa de 1,30%, a R$ 3,966. Confira mais destaques do mercado: 

Forjas Taurus (FJTA4)

As ações da fabricante de armas disparam e chegaram a subir até 20% após pesquisa Ibope mostrar crescimento nas intenções de voto em Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno, enquanto Fernando Haddad (PT) ficou estagnado, o que abriu a diferença entre eles para 10 pontos percentuais. No segundo turno, os candidatos empatam numericamente. 

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A interpretação de grande parte do mercado é de que a eventual vitória de Bolsonaro impactaria positivamente os negócios da Forjas Taurus. Cabe destacar que Bolsonaro é conhecido defensor do porte de armas e do maior investimento em segurança pública.

Mas há um problema com essa interpretação: o candidato do PSL já repetiu diversas vezes que, se eleito, vai “quebrar o monopólio da Taurus” no mercado de armas brasileiro. Ou seja, na verdade, a empresa sairia perdendo em caso de vitória de Bolsonaro. Confira análise da ação aqui. 

Qualicorp (QUAL3)

As ações da Qualicorp se recuperam depois de queda de 29,37% no pregão de ontem, após a companhia assinar um contrato com o seu presidente e fundador, José Seripieri Filho, para que ele não venda toda sua participação nem crie uma nova empresa no mesmo segmento por um período de seis anos, renovável por mais dois anos. Com a queda das ações, a Qualicorp perdeu quase R$ 1,4 bilhão em valor de mercado.

Em meio à turbulência, o Bradesco BBI e o BTG Pactual reduziram a recomendação para os papéis de Qualicorp. O Bradesco BBI rebaixou a ação para “neutra” e cortou o preço-alvo de R$ 25 para R$ 16 após a ação despencar. “Em nossa opinião, nem os documentos divulgados pela companhia nem o call conseguiu mostrar como esse acordo favorece os acionistas minoritários. Ainda mais importante, o anúncio levantou questões como: i) Por que Seripieri consideraria sair de Qualicorp para criar uma empresa concorrente com a companhia que ele mesmo fundou e que ainda detém 15% de participação?; e ii) Por que o Conselho se sente tão vulnerável a esse potencial concorrente?”. Já o BTG reduziu o preço-alvo da ação para R$ 17. 

A equipe de Research da XP Investimentos, por sua vez, reconhece as pressões de curto prazo que elevam a volatilidade das ações, mas mantém a recomendação de compra para os papéis da companhia. 

Leia mais:  A bizarra queda de quase 30% da Qualicorp é uma oportunidade de compra?

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JBS (JBSS3)

A JBS informou em fato relevante que aderiu ao Programa de Regularização Tributária Rural (PRR), relativo ao parcelamento dos débitos do Funrural. De acordo com a companhia, o valor dos débitos incluídos no PRR somam aproximadamente R$ 2,4 bilhões e serão pagos da seguinte forma: R$ 123,7 milhões de entrada; R$ 369,8 milhões com a utilização de créditos de prejuízo fiscal e base negativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; e o saldo remanescente de R$ 1,9 bilhão ao longo de 19 anos e 8 meses (236 parcelas mensais).

Segundo o comunicado, o efeito líquido dos débitos incluídos no PRR será um impacto negativo contabilizado no lucro líquido do terceiro trimestre de 2018 de cerca de R$ 2,4 bilhões.

Cesp (CESP6)

O leilão de privatização da Cesp, que estava inicialmente agendado para ontem, foi adiado pelo Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização (CDPED) de São Paulo e remarcado para o dia 19 de outubro.

De acordo com o jornal Valor Econômico, os principais motivos do atraso são a proximidade das eleições e uma liminar concedida pela Justiça do Trabalho na última sexta-feira (28), suspendendo o certame por 60 dias. Ontem, os papéis da companhia despencaram 7,74% em meio às notícias de dificuldades para a venda da estatal.

Na opinião do Bradesco BBI e do Credit Suisse, o preço atual já precifica um cenário de não privatização. “Caso o leilão tenha sucesso e se coloque na conta o turnaround, com corte de custos, re-leverage e redução de alguns passivos, o valor pode chegar até R$25,50/ação”, escrevem os analistas.

Cosan (CSAN3)

A Raízen, joint venture entre a brasileira Cosan e a anglo-holandesa Shell, adquiriu ontem os ativos de refino e distribuição de combustíveis da Shell na Argentina, dando o primeiro passo no mercado internacional e concretizando a sua maior aquisição. Agora, caminha para se tornar uma empresa com receita anual de mais de R$ 100 bilhões.

De acordo com o jornal Valor Econômico, para levar a 2ª maior distribuidora de combustíveis da Argentina, com uma rede de 665 postos, além da refinaria com capacidade para 140 mil barris por dia e os negócios de lubrificantes e gás liquefeito de petróleo (GLP), a Raízen vai desembolsar US$ 916 milhões – valor abaixo do estipulado inicialmente de US$ 950 milhões.

Queiroz Galvão (QGEP3)

O grupo Queiroz Galvão apresentou uma nova proposta para a renegociação de R$ 10 bilhões que se arrasta há um ano e meio. De acordo com o Valor, o grupo prevê o pagamento de 10% da dívida à vista e pelo menos metade em oito anos. Após isso, o objetivo é obter um prazo adicional para liquidar o restante, o que levaria para até 18 anos a duração total da reestruturação.

CCR (CCRO3)

A CCR informou que concluiu na última terça-feira (1) a aquisição de 99,64% da Aeris, concessionária do Aeroporto Internacional Juan Santamaria, em San José, na Costa Rica.O valor pago para deter o controle integral do ativo, ao adquirir os 48,40% restantes da participação dos sócios no aeroporto, foi de R$ 60 milhões.

CVC (CVCB3)

A CVC está nomeando para o seu conselho três executivos com forte experiência na área de operação digital: Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank; Eduardo Pontes, cofundador da Stone Pagamentos; e Deli Koki Matsuo, ex-Google. O grupo deve ser confirmado pelos acionistas na próxima assembleia geral extraordinária, que está marcada para o início de novembro.

Na opinião da equipe de Research da XP, a conclusão é positiva para a empresa, “mas os papéis já incorporaram em parte o fato quando anunciado”.

Azul (AZUL4)

O Cade declarou como “complexo” o ato de concentração entre Correios e Azul Linhas Aéreas, que consiste em uma joint venture entre as companhias. O órgão solicitará informações adicionais e a análise será submetida ao tribunal, que terá prazo de 240 dias para realizar a análise (prorrogável por outros 90 dias). “A decisão poderia postergar a potencial aprovação da operação, o que em parte foi refletido na queda dos papéis ontem”, escrevem os analistas da XP Investimentos.

Bradesco (BBDC4); B3 (B3SA3)

De acordo com o Estadão, o Bradesco, em parceria com a B3, terá a partir de 2019 sua própria plataforma de registro de títulos e valores mobiliários. A registradora, que focará inicialmente em CBDs, foi desenvolvida dentro da inovaBRA pelo consórcio R3, que trabalha no desenvolvimento de um sistema de transações usando blockchain. 

“A expectativa do banco é simplificar o processo de registro e aumentar a eficiência. Com relação à B3, aguardaremos detalhes sobre o acordo e o impacto nos resultados, uma vez que o Bradesco é um importante emissor de CDBs, totalizando 12 milhões de títulos ao mês”, escreve a equipe de análise da XP.

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