Destaques da bolsa

Ação da Gol dispara 35% e da Azul salta 18% com possível socorro às aéreas; Usiminas sobe 21% e só 3 papéis do Ibovespa caem

Confira os destaques da B3 na sessão desta quarta-feira (25)

Avião da GOL em voo
(Shutterstock)
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SÃO PAULO – A sessão desta quarta-feira foi de volatilidade para o Ibovespa, mas o índice conseguiu fechar com fortes ganhos, de 7,50%, com os investidores atentos ao pacote trilionário nos EUA para ajudar a economia impactada pelo coronavírus. Contudo, vale destacar, a alta ainda foi amenizada após os investidores não terem recebido bem a notícia de que a votação do pacote de US$ 2 trilhões nos EUA pode ser adiada por uma disputa entre o senador Bernie Sanders e Republicanos por conta de uma proposta acerca do seguro-desemprego.

A sessão também foi de recuperação para ações de companhias aéreas, que vêm sofrendo fortemente o impacto da redução da malha aérea por conta do coronavírus. Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) subiram 35,06% e 18,55%, respectivamente.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, disse a empresários, ontem, que está encaminhada a liberação parcial de recursos oriundos de depósitos recursais na Justiça do Trabalho para socorro às aéreas. Toffoli mencionou a cifra de R$ 2 bilhões, mas não ficou claro se todo esse montante seria direcionado às empresas.

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As ações da Vale subiram 8,53% com a alta do minério de ferro, que fechou com ganhos de 3,3%, a US$ 87,05 a tonelada;  já a Petrobras subiu cerca de 8%, na esteira do maior ânimo do mercado. O petróleo brent subiu 0,88%, a US$ 27,39 o barril, enquanto o WTI teve alta de 1,99%, com US$ 24,49 o barril.

A Usiminas (USIM5), por sua vez, saltou 21,39% com a notícia de que irá receber R$ 393,9 milhões em acordo com fundo de pensão. Fora do índice, a Hermes Pardini (PARD3), por sua vez, avançou 21,33% na esteira de um bom resultado.

Apenas três ações do Ibovespa fecharam em queda, justamente ações que estão mais resilientes em meio ao forte sell-off do mercado: Carrefour caiu 4,36%, Pão de Açúcar teve baixa de 2,78% e Telefônica fechou em queda de 1,79%. Veja mais clicando aqui. 

Confira os destaques:

 

Usiminas (USIM5)

A Usiminas vai receber R$ 393,9 milhões em acordo com fundo de pensão, que foi homologado pelo juiz da 3ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte para permitir a extinção do processo judicial ajuizado em 27 de junho pela companhia, segundo comunicado.

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O valor será pago em parcela única, em até 30 dias, contados a partir da data de homologação do acordo para pagamento. O objetivo do processo era eximir a Usiminas de continuar a promover o pagamento das parcelas mensais do programa de amortização do déficit do Plano de Previdência Complementar.

O Banco Morgan Stanley avaliou que a siderúrgica Usiminas teve uma “surpresa positiva” com a vitória no judiciário mineiro em uma ação movida contra seu antigo fundo de pensão. O banco avalia que a soma será um reforço de caixa para a Usiminas, embora ressalte que a empresa encerrou 2019 com um balanço sólido, quase sem amortizações da dívida entre 2020 e 2022.

O Itaú BBA também avaliou positivamente a vitória da Usiminas no judiciário e o recebimento inesperado dos R$ 394 milhões. “Embora a Usiminas esteja com uma posição confortável de caixa, um dinheiro extra sempre é bem-vindo em tempos de incerteza”, comentou o BBA. O banco avalia que o dinheiro a ser pago em 30 dias deverá representar 20% do caixa da empresa.

Natura (NTCO3)

A Natura suspenderá temporariamente a produção de maquiagens e perfumes em sete fábricas das controladas Avon e Natura na América Latina a partir de hoje, segundo o Valor, citando uma fonte. As unidades vão se dedicar, gradativamente, à fabricação de itens essenciais para higiene pessoal, como álcool em gel e líquido, segundo a reportagem.

Empresas de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou uma série de medidas por causa da disseminação do coronavírus, entre elas a vedação da suspensão do fornecimento por inadimplência de unidades consumidoras residenciais urbanas e rurais, além de serviços e atividades consideradas essenciais, como unidades hospitalares. A medida valerá por 90 dias.

O Bradesco BBI destacou em relatório que entre as ações defensivas do setor de energia, sua escolha recai sobre a Taesa. Segundo o banco, a base de clientes da empresa, no interior de Minas Gerais e do Centro-Oeste, tende a ser menos afetada pelo coronavírus. Além disto, a Taesa é principalmente uma transmissora de energia, não uma distribuidora – por isto, deve ser menos impactada pela suspensão dos cortes dos consumidores com contas em atraso. O papel da Taesa avançou apenas 0,7% na sessão de ontem do Ibovespa – que fechou em alta de 9,69% – o que significa que continua a oferecer potencial de valorização. O BBI classifica as ações da Eletrobras (ELET6), Cemig (CMIG3) e Sanepar (SAPR11) como de maior risco no cenário atual, mas não deixa de recomendá-las para o investidor que está propenso a correr riscos maiores.

O BBI e outros bancos começaram a avaliar melhor o cenário do setor de energia – mas também de algumas concessionárias de água e saneamento, como a Sabesp, Copasa e Sanepar – após a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ter suspendido os cortes de eletricidade por 90 dias dos consumidores residenciais que estão com contas em atraso. A medida foi tomada para aliviar a população em meio à epidemia do coronavírus.

Concessionárias de água e saneamento, como a Sabesp em São Paulo, também suspenderam por 90 dias a cobrança da tarifa para consumidores de baixa renda.
O banco Morgan Stanley avalia que entre as empresas de energia, as distribuidoras sofrerão um impacto direto maior com as medidas. “Na nossa cobertura, as empresas mais expostas à distribuição são: Energisa, Equatorial, Light, CPFL, Energias do Brasil, Cemig e Copel. Já na cobertura de água e saneamento, nossa preferência relativa é pela Copasa e a Sanepar sobre a Sabesp”, comenta o Morgan Stanley.

Petrobras (PETR3;PETR4

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A Petrobras fechou um acordo de R$ 350 milhões para a compra e venda de asfalto com sua coligada Stratura, subsidiária da BR Distribuidora com fábrica em Paulínia (SP). O acordo tem a validade de seis meses e prevê o fornecimento de 175 mil toneladas de Cimento Asfáltico de Petróleo (CAP) e Asfalto Diluído de Petróleo (ADP).

Sul América (SULA11)

A seguradora Sul América comunicou na noite de ontem que adiou a realização da sua Assembleia Geral Ordinária por causa da epidemia do coronavírus. O evento deveria acontecer amanhã, de 26 de março, no Rio de Janeiro, mas foi reagendado para 24 de abril.

MRV (MRVE3

A construtora e incorporadora MRV, de Belo Horizonte (MG), aprovou um plano de recompra de 15 milhões de ações que possui no mercado. A empresa informou que a recompra ocorrerá na B3 e serão pagos preços de mercado pelos papéis. Segundo a MRV, o prazo do programa de recompra valerá até setembro de 2021. Os intermediários nas operações de recompra serão os bancos Itaú, Bradesco, Credit Suisse, Santander e BTG Pactual. A MRV informou que possui reservas de capital de R$ 49,5 milhões e outros R$ 475,5 milhões na reserva de lucros, caso seja necessário, para efetuar a operação.

Eucatex (EUCA4) 

A Eucatex pretende realizar um aumento de capital de R$ 363,7 milhões. Segundo a empresa, o aumento de capital ocorrerá através da incorporação da reserva de lucros, sem nenhuma emissão de novas ações. A operação, contudo, ainda precisará ser aprovada na Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada em 29 de abril na capital paulista. Se a operação for aprovada, o capital social da Eucatex passará para R$ 488,1 milhões para R$ 851,9 milhões.

Hermes Pardini (PARD3)

O Instituto Hermes Pardini publicou balanço e reportou um lucro líquido de R$ 44,3 milhões no quarto trimestre de 2019, um crescimento de 67,3% sobre igual trimestre de 2018. No ano inteiro de 2019, o lucro líquido avançou 28,4% sobre 2018, para R$ 158,4 milhões.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 62,9% no quarto trimestre de 2019, sobre igual período de 2018, para R$ 85,5 milhões. Já o Ebitda do ano inteiro de 2019 avançou 39,6% sobre o ano anterior para R$ 334,6 milhões. Sediado em Belo Horizonte (MG), mas com presença forte em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Hermes Pardini é uma das maiores redes de laboratórios e exames clínicos do país.

O banco Bradesco BBI avaliou que os resultados do Hermes Pardini seriam decepcionantes, não fossem “os resultados operacionais” como lucro e Ebitda, que no geral vieram em linha com as projeções. Segundo o BBI, o projeto Enterprise de redução de custos da empresa ainda não atingiu os resultados pretendidos e a empresa gastou mais dinheiro na aquisição de laboratórios. O crescimento orgânico, na avaliação do BBI, permanece um desafio. “Embora vejamos o Pardini como uma ação defensiva, acreditamos que o impacto positivo do projeto Enterprise foi menor que o esperado”. O BBI mantém a recomendação do papel PARD3 como neutra.

O Itaú BBA fez uma avaliação um pouco mais otimista sobre o Hermes Pardini. O banco avaliou os resultados como positivos e destacou que a lucratividade continua em alta, mas em um ambiente bem mais competitivo nos laboratórios. O BBA destaca que o crescimento do volume de vendas da rede terá papel determinante na expansão futura dos laboratórios. O banco mantém a recomendação de desempenho em linha com a média do mercado (“market perform”) para a Hermes Pardini, com um preço-alvo de R$ 27,00 para a ação, uma alta de 81,01% sobre os R$ 14,91 de fechamento da última sessão.

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Em teleconferência, a gestão da companhia informou que a Hermes Pardini vai interromper a abertura de lojas em momento ‘agudo’.

O cenário para negócio lab-to-lab (serviços para laboratórios) tem se mostrado mais resiliente à crise com linhas de diagnóstico aumentando não só para o coronavírus, mas também para outras doenças, diz Alessandro Ferreira, vice-presidente da Hermes Pardini em teleconferência com investidores.

“O cenário para médio prazo vai depender de como a economia vai reagir, mas setor de diagnóstico como um todo tem papel importante em toda a cadeia”, destacou, complementando: “precisamos ver como as operadoras de saúde vão reagir ao impacto do coronavírus com aumento de custos”.

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(Com Bloomberg)