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As ações da Oncoclínicas voltavam a disparar nesta quarta-feira, tendo no radar decisão do colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo uma potencial oferta pública de aquisição (OPA) dos papéis da companhia.
Por volta de 12h09, as ações da companhia subiam 12%, a R$1,97, chegando a R$2,24 (+28%) na máxima até o momento e caminhando para o terceiro pregão seguido de alta. Os papéis fecharam em alta de 15,13% na véspera e de 32,17% na segunda-feira.
Na véspera, o colegiado da CVM acolheu por unanimidade recursos que contestavam entendimento anterior da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) de que o fundo Josephina III, gerido pela norte-americana Centaurus, não era obrigado a realizar uma OPA prevista no estatuto em razão da reorganização societária divulgada pela empresa em novembro de 2024.
“O colegiado da CVM…decidiu por dar provimento aos recursos, concluindo pela exigibilidade da OPA prevista no art. 39 do estatuto social” da empresa”, afirma o fato relevante da Oncoclínicas, divulgado na noite de terça-feira.
De acordo com tal artigo do estatuto, qualquer investidor que se torne titular de 15% ou mais do total de ações da companhia deve realizar OPA para a totalidade das ações a um preço que não poderá ser inferior ao maior valor entre valor justo, 120% da cotação mais alta registrada nos 12 meses anteriores à OPA, 120% do preço em qualquer aumento de capital e 120% do preço unitário mais alto pago pelo comprador.
A Oncoclínicas afirmou que irá manter seus acionistas e o mercado em geral informados em relação a qualquer eventual fato relevante sobre o tema, nos termos da legislação aplicável.
O caso, conforme explicaram analistas do JPMorgan liderados por Joseph Giordano, envolve uma reorganização da participação do Goldman Sachs realizada em novembro de 2024, que resultou em um fundo da Centaurus — o Josephina III — ultrapassando 15% de participação direta na companhia.
Tal evento, na visão da Oncoclínicas, acionou a cláusula estatutária que exige a realização de uma OPA. A Centaurus, por sua vez, argumenta que já era acionista da empresa antes do IPO por meio de fundos ligados ao Goldman Sachs e contesta a conclusão da CVM.
De acordo com a equipe do JPMorgan, caso a exigência de OPA seja mantida, o preço da oferta seria de aproximadamente R$16 por ação, quase nove vezes acima da cotação atual e equivalente a cerca de 120% do maior preço negociado nos 12 meses anteriores a novembro de 2024.
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Os analistas ponderaram que a decisão do colegiado da CVM não encerra a disputa, lembrando que a Centaurus já ingressou previamente com um procedimento arbitral na Câmara de Arbitragem do Mercado da B3 para contestar qualquer obrigação de realizar a oferta.
Apesar dos riscos de que a oferta possa não se concretizar, a equipe do JPMorgan relacionou a reação positiva dos papéis à existência de uma forte assimetria de valorização potencial, uma vez que a OPA seria realizada a um preço aproximadamente nove vezes superior ao preço atual de tela.
Eles ressaltaram, no entanto, que a decisão não altera os fundamentos desafiadores da companhia, com restrições de capital de giro continuando a pressionar os volumes de tratamentos.
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Também apontaram que tal desfecho adiciona complexidade às negociações de reestruturação da dívida da empresa.
“Ainda pode haver recursos contra a decisão, além da arbitragem já em andamento, o que pode levar ao cancelamento ou à reversão do processo de OPA. Em nossa avaliação, sobretudo por envolver questões transfronteiriças, há aspectos legais que permanecem incertos”, afirmaram Giordano e equipe em relatório enviado a clientes.
“Não está claro quem teria direito a participar da oferta. Existe a possibilidade de que apenas os acionistas que detinham ações em novembro de 2024 sejam elegíveis para receber integralmente o benefício econômico da OPA.”
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A empresa aprovou, em meados de julho, um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas.
