Destaques da bolsa

Ação da Eletrobras dispara 9,5% com possível privatização; Helbor salta 16% após balanço e varejistas avançam

Confira os destaques do noticiário corporativo da sessão desta quarta-feira (17)

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(Eletrobras)

SÃO PAULO – Em uma sessão novamente positiva para o índice, o grande destaque de alta do Ibovespa ficou para a Eletrobras (ELET3, R$ 31,55, +9,47%; ELET6, R$ 32,80, +6,67%), com alta de 10% para os ativos ON da estatal de energia.

Segundo informações do jornal O Globo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, planeja fazer quatro grandes privatizações este ano, incluindo Correios e Eletrobras na lista. A decisão foi tomada na última reunião do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), na semana passada.

Contudo, vale ressaltar, parte dessas privatizações, incluindo a da Eletrobras, precisa passar pelo Congresso Nacional, sendo que ainda há muitas dúvidas sobre o apoio dos parlamentares à venda das estatais.

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Enquanto isso, a Helbor (HBOR3, R$ 2,75, +16,03%) disparou após o resultado do primeiro trimestre, enquanto a Cielo (CIEL3, R$ 5,18, +4,44%) viu seus papéis virarem para alta em meio ao maior ânimo do mercado. As ações abriram em queda após duas sessões de forte alta em meio ao acordo com o WhatsApp (veja mais clicando aqui). Na segunda, os ativos saltaram 14%, enquanto a alta na terça foi de 3,33%.

Varejistas no geral também tiveram ganhos, com a expectativa pela reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve reduzir a Selic de 3% ao ano para 2,25%. B2W (BTOW3, R$ 106,20, +6,12%), Lojas Renner (LREN3, R$ 43,69, +4,62%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 32,64, +3,42%) e Magazine Luiza (MGLU3, R$ 67,19, +1,80%) são algumas das ações com fortes ganhos.

Veja os destaques:

Helbor (HBOR3, R$ 2,75, +16,03%)

A incorporadora Helbor apresentou um lucro líquido de R$ 5,445 milhões no primeiro trimestre do ano, ante prejuízo de R$ 39,279 milhões nos primeiros três meses de 2019.

Em seu relatório de resultados, a empresa afirmou que “os projetos novos que estão sendo lançados possuem margens robustas enquanto os projetos antigos com margem mais comprimida estão em processo de finalização, pela venda massiva do estoque de unidades prontas”.

A receita líquida da empresa subiu 11% nessa base de comparação, para R$ 258,654 milhões.

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O Ebitda saltou de R$ 5,090 milhões entre janeiro e março de 2019 para R$ 18,138 milhões para o primeiro trimestre de 2020. No mesmo período, a margem Ebitda subiu de 2,2% para 7%.

Segundo análise da Levante Ideias de Investimento, os principais destaques positivos foram: i) redução do estoque pronto; ii) geração de caixa pelo oitavo trimestre consecutivo de R$ 49,1 milhões; iii) aumento significativo na margem bruta ajustada e; iv) melhora no resultado financeiro reflexo da redução no nível de endividamento.

Por outro lado, do lado negativo, foi possível perceber um aumento considerável no cancelamento de vendas (distratos). Porém, esta informação já era pública desde a divulgação da prévia operacional.

Segundo os analistas da Levante, o resultado trimestral trouxe novidades positivas. A prévia operacional já havia mostrado bons números de vendas contratadas, especialmente vendas de estoques prontos, e volume de entregas, o que de fato impulsionou a geração de caixa no trimestre. O volume de vendas atingiu 242 milhões (parte Helbor), o maior volume de vendas dos últimos seis anos, mesmo em um trimestre sem lançamentos.

Apesar disso, os distratos representaram 23,4% das vendas brutas no trimestre, bem acima dos 9,8% registrados no trimestre anterior. O lado positivo é que 72% do forte volume de vendas correspondem a unidades concluídas, o que deve se traduzir em geração de caixa para a companhia, avaliam.

“Em um primeiro momento, a foto dos números da companhia pode não impressionar, mas a sequência dos resultados deixa claro o processo de retomada operacional que a empresa vive. Embora não tenha havido paralisação no setor de construção e as obras continuem em ritmo normal, a empresa informou que os lançamentos seguem suspensos até que se desenhe um cenário mais claro da atual situação econômica do país e da pandemia do coronavírus”, afirma a Levante.

Contudo, apontam, o segundo trimestre de 2020 deverá ser bem fraco em termos de vendas contratadas, pois os estandes de vendas foram abertos apenas em junho, com queda mais forte nas vendas no segmento de média e alta renda, pois a compra do imóvel “upgrade” foi adiada devido à pandemia da Covid-19.

AES Tietê (TIET11, R$ 14,58, +1,60%)

Dando prosseguimento ao interesse do BNDESPar em vender sua fatia na AES Tietê, a AES Corp. está interessada em comprar essa participação, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”.

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De acordo com a publicação, a AES contratou os bancos Credit Suisse e Goldman Sachs como seus assessores nessa tratativa. A participação, detida por meio da BNDESPar, é de 28,41%, correspondente a R$ 1,6 bilhão. Na terça-feira, a BNDESPar já havia informado que contratou a BR Partners como assessor financeiro para essa operação.

Petrobras (PETR3, R$ 22,25, +0,23%; PETR4, R$ 21,44, +0,33%)

A Petrobras divulgou que deu início a mais uma etapa de divulgação de oportunidade, também conhecida como “teaser”, dessa vez para a venda da totalidade de sua participação em um conjunto de sete concessões de campos de terra e águas rasas em Alagoas.

O “teaser” contém as principais informações sobre os ativos e os critérios para participação do processo.

O polo Alagoas compreende sete concessões de produção: Anambé, Arapaçu, Cidade de São Miguel dos Campos, Furado, Paru, Pilar e São Miguel dos Campos). Apenas co campo de Paru está localizado em águas rasas. Os demais são terrestres.

Neonergia (NEOE3, R$ 19,17, +2,08%)

A Neoenergia tenta levantar junto ao BNDES um financiamento de até R$ 3,4 bilhões, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”. Os recursos serão destinados às distribuidoras Coelba (BA), Celpe (PE), Cosern (RN) e Elektro (SP).

Os termos iniciais do empréstimo envolvem taxa de IPCA + 4,65% ao anos e prazo de 20 anos. A expectativa é fechar o financiamento até julho, o que irá garantir parte do investimento que as distribuidoras precisam realizar neste e no próximo ano.

Fras-le (FRAS3, R$ 5,32, +1,14%)

A Superintendência do Cade aprovou o acordo sem restrições, segundo o despacho no Diário Oficial e parecer no site do órgão regulador.

Em 17 de dezembro, o Conselho da Randon aprovou a compra da Nakata pela Fras-Le por R$ 457 milhões.

Locadoras 

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Em um caso específico, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as empresas de aluguel de carros terão que pagar o IPVA de sua frota com base no local em que o carro circula e não onde ele foi licenciado, como se faz hoje. Segundo o jornal “Valor Econômico”, a alíquota do tributo é de 2% em SP, mas de 0,5% no Rio e 1% na maioria dos outros estados, incluindo Minas Gerais, onde a maioria dos carros é licenciada.

Para os analistas do Bradesco BBI, caso a medida seja aprovada, o gerenciamento das frotas ficaria mais complexo. Do ponto de vista financeiro, os analistas fizeram ainda um cálculo de retorno em que o resultado foi inferior a 5% no lucro líquido da Localiza em 2021.

“Se for aprovado, impactará naturalmente todo o setor de aluguel de carros. (…) Embora o impacto potencial não seja significativo, isso foi inesperado.

Oi (OIBR3, R$ 0,99, +1,02%; OIBR4, R$ 1,35, +2,27%)

A Oi divulgou nesta quarta-feira os dados financeiros de suas empresas que estão em recuperação judicial. Em abril, a geração de caixa operacional das recuperandas ficou negativa em R$ 774 milhões. Já os investimentos atingiram, no mesmo mês, R$ 660 milhões.

Como recebimentos, a empresa informou uma redução de R$ 72 milhões em abril, totalizando R$ 1,994 bilhão. E, em pagamentos, houve aumento de R$ 439 milhões, para o patamar de R$ 2,198 bilhões.

Com isso, o saldo final do caixa das recuperandas teve uma redução de R$ 743 milhões, para R$ 4,859 bilhões.

Segundo a coluna do Broadcast, do jornal O Estado de S. Paulo, o plano da Oi para a venda de uma série de ativos ao longo dos próximos meses provoca, como efeito colateral, pressão para que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adie o leilão do 5G.

Nos bastidores, agentes do setor dizem que o bolso das empresas é um só, portanto não haveria dinheiro suficiente para bancar dois investimentos tão volumosos ao mesmo tempo. Ao manter o leilão, simultaneamente às vendas da operadora em recuperação judicial, seria colocado em risco a adesão das empresas ao leilão de 5G.

Na avaliação da Ericsson Mobility, o 5G pode ser responsável por 13% das conexões móveis na América Latina em 2025, segundo divulgou a Teletime.

Os analistas do Bradesco BBI, no entanto, se mostraram céticos em relação a essa projeção. “Acreditamos que será uma tecnologia cara e a acessibilidade é um fator importante para a implantação. Em nosso cenário de base, assumimos que o leilão de 5G do Brasil só ocorrerá em 2021″, disseram, em relatório a clientes.

Ainda no noticiário da empresa, a Elea Digital, uma das maiores empresas de data center do Brasil, fez uma oferta para comprar cinco data centers da Oi, que já aceitou. O negócio, porém, ainda precisa ser aprovado pelos credores.

Segundo a equipe do Bradesco BBI, a Oi assume um valor mínimo de R $ 325 milhões para seus data centers em uma “unidade produtiva isolada” (“UPI”). “Vemos isso como uma notícia positiva que reforça nossa visão otimista para a empresa e temos um rating outperform e preço-alvo de R$ 1,80”, afirmam os analistas.

Sabesp (SBSP3, R$ 56,59, +3,89%)

A Sabesp informou que assumiu o abastecimento de água em Mauá e prevê investir R$ 332 milhões. A companhia tem plano para executar obras de melhoria do fornecimento de água, dando mais segurança hídrica à população, combatendo as perdas e regularizando novas ligações de água.

O contrato prevê investimentos que vão melhorar o abastecimento por meio da ampliação da rede de água e da implantação de reservatórios, além de obras para reduzir as perdas e regularizar
comunidades com novas ligações de água, beneficiando diretamente os cerca de 454 mil moradores da cidade, segundo a empresa.

“A assinatura do contrato garante mais segurança hídrica para a população e representa um avanço importante no abastecimento do município, com o fim de interrupções constantes no fornecimento de água. A Sabesp vai investir R$ 219 milhões em obras durante o contrato. O município também vai receber da companhia recursos transferidos ao Fundo Municipal de Saneamento Ambiental e Infraestrutura (FMSAI) num total de R$ 113 milhões, o que eleva o investimento para R$ 332 milhões”, destaca o comunicado.

Entre as obras previstas, está a implantação de três reservatórios de água tratada: um na região do Anchieta, o segundo no Jardim Itapark e outro no Parque das Américas, elevando a capacidade de reservação em 10 milhões de litros. Também haverá a instalação de uma estação elevatória para bombeamento de água na região do Zaíra e serão executadas obras para a melhoria do abastecimento nos bairros Jardim Sônia Maria, Jardim Sílvia Maria, Vila Nova Mauá e região. A Sabesp vai ampliar as redes de distribuição e fazer novas ligações de água em comunidades onde a conexão é irregular, beneficiando cerca de 25 mil famílias que vivem nessas localidades.

A companhia também colocou como meta a redução das perdas de água na distribuição, que hoje ficam em torno de 50%. Com a substituição de redes e ramais antigos, a pesquisa e reparo de vazamento, o combate a irregularidades e outras ações, a Sabesp vai reduzir as perdas para 32% até 2022, com investimentos de R$ 6,1 milhões neste período. Durante todo o contrato, a meta é baixar as perdas dos atuais 424 litros por ligação/dia para 130 litros por ligação/dia, totalizando um investimento de R$ 60,8 milhões somente no combate a essas perdas.

O contrato de programa por 40 anos tem início imediato e prevê um período de transição na transferência pelo trabalho conjunto da Sabesp e da Sama, a autarquia municipal que agora deixa de operar o abastecimento da cidade.

“O contrato estabelece ainda que a dívida de R$ 3,5 bilhões do município com a Companhia seja equacionada ao longo do período de prestação de serviço. A medida vai aliviar o caixa da prefeitura, permitindo que a administração da cidade invista em outras áreas – como saúde, educação e
transporte. A fiscalização do cumprimento do contrato será feita pela Arsesp (Agência Reguladora de Energia e Saneamento do Estado de São Paulo)”, conclui o comunicado.

Ainda no radar do setor, o novo marco de saneamento básico, que está para ser votado no Senado, pode impulsionar novos investimentos e ajudar na retomada econômica do país no pós-pandemia, segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo).

A ideia é que esse marco dê mais segurança jurídica aos investidores e estabeleça metas de qualidade. O relatório do projeto de lei deve ser votado na próxima semana, depois de dois anos de discussões.

O setor de saneamento precisa de R$ 500 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto, segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

JBS (JBSS3, R$ 22,42, +4,04%), Marfrig (MRFG3, R$ 13,02, -0,76%) e BRF (BRFS3, R$ 22,49, +1,76%)

Os importadores de carne da China estão preocupados com possíveis atrasos devido aos testes de coronavírus que estãos endo impostos em alguns portos do país. Segundo a Reuters, o porto de Tianjin, na costa norte, passou a testar todos os lotes de contêineres que chegaram ao porto.

Para os analistas do Bradesco BBI, é preciso ter mais informações sobre as regras atuais para inspeção. “Gostaríamos de ter mais clareza se as inspeções mais rigorosas podem levar a gargalos na logística da carne, o que afetaria negativamente nossa cobertura de proteínas”, disseram.

A JBS está com recomendação de “outperform” no Bradesco BBI, com preço-alvo de R$ 32. Marfrig (R$ 15) e BRF (R$ 25) estão com recomendação “neutra”.

Vale ressaltar que, na tarde da véspera, a JBS teve o rating elevado de BB para BB+ pela Fitch Ratings, com perspectiva estável. A agência destacou que a decisão reflete os negócios resilientes e os fundamentos de médio prazo da JBS.

A elevação do rating também reflete o refinanciamento de dívida implementado no ano passado, forte posição de liquidez e fluxo de caixa livre, e níveis moderados de alavancagem em 2020. A Fitch espera que a empresa gere mais de US$ 1 bilhão em FCF em 2020.

Os ratings permanecem limtados por fatores como potenciais passivos contingentes e incertezas em torno das várias investigações ocorridas na JBS e com seu acionista controlador.

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