Ação da Auren Energia sobe 4,15% após lucro do 4T surpreender positivamente

Auren fechou 4T com lucro de R$ 354,7 mi, revertendo prejuízo obtido um ano antes

Felipe Moreira

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As ações da Auren Energia (AURE3) subiram forte nesta quarta-feira (4), após a companhia lucrar R$ 355 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo o prejuízo registrado de um antes. Os papéis da empresa fecharam com ganhos de 4,15%, a R$ 12,04.

O Goldman Sachs avalia que o lucro líquido surpreendeu positivamente, superando tanto a projeção do banco, que indicava prejuízo de R$ 214 milhões, quanto o consenso da Bloomberg, que estimava prejuízo de R$ 320 milhões, principalmente devido a efeitos não recorrentes.

A Auren reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado de R$ 736 milhões (ex-dividendos de JVs), 6% acima da estimativa da XP e aproximadamente em linha com as estimativas de consenso. Segundo a corretora, o desvio positivo pode ser majoritariamente atribuído a um lucro bruto melhor no braço de trading e despesas operacionais saudáveis na geradora.

Na avaliação do Itaú BBA, os resultados da empresa continuaram a ser impactados negativamente pelos efeitos da redução de produção e do GSF. No entanto, foram sustentados pela sólida redução de custos e pelos ganhos com a modulação.

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O BTG Pactual, por sua vez, classificou o EBITDA da Auren como sólido e 9% acima de suas estimativas. Segundo o banco, a diversificação do portfólio e ganhos de R$ 70 milhões com modulação compensaram os impactos negativos de restrições de rede (curtailment) e do menor GSF hidrelétrico, mantendo a confiança na resiliência operacional da companhia e na redução da alavancagem para 4,8 vezes.

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O UBS BB destaca que o lucro líquido de R$ 355 milhões foi beneficiado por efeitos não recorrentes. Na avaliação da instituição, a Auren segue entregando melhorias operacionais, principalmente nos ativos adquiridos da AES Brasil, e deve manter essa trajetória. Ainda assim, o UBS BB pondera que níveis elevados de curtailment (cortes obrigatórios de geração), alavancagem e juros devem continuar representando ventos contrários relevantes no curto prazo.

Por outro lado, o JPMorgan disse que os números vieram abaixo do esperado, com o EBITDA ajustado ficando 15% aquém de suas projeções, embora em linha com o consenso de mercado. O banco destacou que o “miss” foi provocado por uma alocação de contratos de energia inferior à prevista.

Recomendação neutra

A XP manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12 para a Auren Energia. A casa afirma que a tese se apoia em três pontos: solução para o curtailment, avanço no turnaround e integração da AES Brasil, e comprovação da geração de caixa com desalavancagem.

Apesar de confiar na capacidade da gestão, a XP avalia que a aquisição foi feita em um momento desafiador e com alta alavancagem, o que torna eventuais frustrações de curto prazo um risco relevante para o retorno do investimento.

O UBS BB manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12, sustentado por um múltiplo EV/EBITDA projetado para 2026 de 8,2 vezes, em linha com a média histórica da companhia.

O JPMorgan também manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 12,40, devido ao equilíbrio entre os riscos e o forte impacto de R$ 137 milhões das restrições de geração renovável no período.

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O Morgan Stanley e Itaú BBA reiteraram classificação neutra e preço-alvo de, respectivamente, R$ 14 e R$ 11,37.

Já o Goldman Sachs manteve recomendação de compra para a Auren e estima que a ação negocie com uma taxa interna de retorno (TIR) real de aproximadamente 14%, embora reconheça a falta de catalisadores operacionais no curto prazo, dado o elevado nível de contratação do portfólio de geração, a alta alavancagem e a baixa exposição a cortes de juros, já que apenas 20% da dívida líquida está atrelada ao CDI. O BTG Pactual também reiterou recomendação de compra para ações da Auren, com preço-alvo de R$ 16,30.