Petróleo fecha quase estável com alargamento da guerra e tráfego por Ormuz em foco

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 0,13% (US$ 0,10), a US$ 74,66 o barril, revertendo queda vista mais cedo

Felipe Moreira Agências de notícias

Bomba de petróleo e torre de perfuração ao sul de Midland, Texas, EUA - 
11/06/2025
(Foto: REUTERS/Eli Hartman)
Bomba de petróleo e torre de perfuração ao sul de Midland, Texas, EUA - 11/06/2025 (Foto: REUTERS/Eli Hartman)

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Após iniciar a sessão desta quarta-feira (4) em forte valorização, o petróleo virou para baixa e fechou praticamente estável.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 0,13% (US$ 0,10), a US$ 74,66 o barril, revertendo queda vista mais cedo. Já o Brent para maio fechou estável, a US$ 81,40 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo Donald Trump fornecerá apoio aos petroleiros que transitam pelo Golfo Pérsico e anunciará mais medidas nos próximos dias. Bessent também afirmou que ‌os mercados de petróleo bruto estão bem abastecidos em meio à guerra ‌de EUA e Israel contra o Irã, acrescentando que o país planeja fazer uma série de anúncios adicionais sobre o assunto.

Mais cedo, a commodity já havia arrefecidos os ganhos com uma reportagem indicar que o Irã teria entrado em contato indiretamente com os EUA numa tentativa de pôr fim à guerra no Oriente Médio, enquanto o conflito continua a ameaçar os fluxos globais de energia.

O New York Times noticiou que agentes do Ministério da Inteligência do Irã sinalizaram abertura à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) para negociações sobre o fim da guerra.

Por outro lado, Guarda Revolucionária do Irã afirma que tem “controle total” da passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. “Atualmente, o Estreito de Ormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica”, declarou o oficial da marinha da Guarda Revolucionária Mohammad Akbarzadeh, segundo comunicado divulgado pela agência iraniana Fars.

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Na véspera, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a Marinha poderá escoltar navios pelo Estreito e que ordenou o fornecimento de seguros a “preço razoável”.

O petróleo Brent subiu, mais cedo, para perto de US$ 84 o barril após uma alta de cerca de 12% em dois dias, o maior ganho desde 2020, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) estava próximo de US$ 77. Para o diretor da MAG Investimentos, Cláudio Pires, a escalada do conflito no Oriente Médio já provoca um choque inflacionário global, com reflexos diretos sobre petróleo, câmbio e política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

As declarações ocorrem enquanto o tráfego marítimo na região enfrenta interrupções significativas. Empresas de navegação e operadores logísticos relatam embarcações paradas e rotas alternativas sendo avaliadas após ataques a petroleiros e ameaças iranianas de bloquear a passagem.

O mercado global de petróleo foi mergulhado em turbulência pela guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, com ataques e contra-ataques se espalhando pelo Oriente Médio. A guerra paralisou o comércio, levou os produtores a interromperem a produção e forçou o fechamento de uma importante refinaria e de uma planta de exportação de gás. A disparada dos preços do petróleo bruto, do gás natural e dos derivados de petróleo aumentou o temor de uma crise energética global.

A Capital Economics aponta que, na ausência de uma minimizada da escalada militar, não há solução rápida para a questão do Estreito de Ormuz. O anúncio de que os EUA poderiam fornecer seguros e garantias para empresas de navegação, e que as forças armadas americanas poderiam começar a escoltar petroleiros e navios-tanque de gás pelo Golfo Pérsico “se necessário”, parecem oferecer uma solução, avalia. “Faltam detalhes, mas o anúncio evoca memórias das operações militares americanas de 1987-88 para proteger a navegação na região durante a guerra Irã-Iraque” aponta.

A Maersk informou que suspendeu a aceitação de reservas de carga para sete países do Oriente Médio. Já o navio porta-contêineres Safeen Prestige, de bandeira maltesa, foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção à entrada do Estreito, levando a tripulação a abandonar a embarcação, segundo a Reuters.

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A Fitch avalia que o fechamento efetivo do Estreito deve ser temporário e ter impacto limitado sobre os preços. A agência afirma que a importância econômica da rota e o atual excesso de oferta no mercado global de petróleo tendem a conter uma escalada mais forte das cotações. A Fitch diz não esperar alta significativa em relação à sua projeção de preço médio do Brent de US$ 63 por barril em 2026, estimada em dezembro do ano passado.

Autoridades do Catar rejeitaram a afirmação do Irã de que ataques recentes de mísseis tinham como alvo apenas interesses americanos e não o território do país. A alegação é de que claramente atingiram áreas civis, incluindo zonas industriais com instalações de produção de gás natural liquefeito (GNL).

(Com Bloomberg e Estadão Conteúdo)

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