Ação da Camil (CAML3) sobe quase 3% após balanço – o que agradou o mercado?

Lucro líquido foi de R$ 44 milhões, recuo anual de 0,7% ano a ano, 4,0% acima das estimativas

Felipe Moreira

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Tipos diferentes de arroz (Foto: Pexels / Polina Tankilevitch)
Tipos diferentes de arroz (Foto: Pexels / Polina Tankilevitch)

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As ações da Camil (CAML3) operam em alta após os resultados do terceiro trimestre, com destaque para o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 239 milhões, alta anual de 39,4%, superando o consenso em 3,4%. Às 11h39 (horário de Brasília), os papéis subiam 2,86%, a R$ 6,11.

A receita somou R$ 2,945 bilhões, queda de 5,1% na base anual, ficando 5,2% acima do consenso, enquanto o lucro líquido foi de R$ 44 milhões, recuo anual de 0,7% ano a ano, 4,0% acima das estimativas.

Para o JPMorgan, os resultados da Camil mostraram forte momentum operacional, sendo marcado por crescimento robusto de volumes nos segmentos de alto valor e internacional, compensado por pressão contínua de preços e compressão de margens nos produtos de alto giro, que registraram queda de 8,0% em volumes e de 19% em preços na comparação anual.

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Contudo, o JPMorgan reitera recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para ações da Camil.

O Bradesco BBI também avalia os resultados como sólidos, com destaque para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) 7% acima das suas. “Apesar do cenário desafiador para os preços do arroz, a companhia conseguiu compensar com maior volume e margens resilientes”, destaca.

O BBI mantém visão construtiva para a Camil, mesmo diante do ambiente de preços baixos para o arroz. A casa vê três vetores de inflexão: (i) melhora das margens de açúcar, já em curso; (ii) queda da taxa de juros no Brasil, cenário em que a Camil figura entre as principais beneficiárias; e (iii) estabilização dos preços do arroz, que deve ocorrer mais adiante.

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Negociando a 9 vezes o múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) para 2026, o BBI enxerga assimetria atrativa e reitera a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 8.

O Itaú BBA, por sua vez, comenta que a Camil reportou resultados fortes no 3T25, com Ebitda de R$ 239 milhões, cerca de 15% acima da sua projeção. Segundo o banco, a queda de preços no segmento de alto giro foi principalmente decorrente da tendência persistente de baixa nos preços do arroz, movimento que foi compensado por margens melhores no segmento de açúcar e pelo aumento dos volumes na divisão Internacional e de Crescimento.

Olhando à frente, o BBA destaca que além do avanço operacional no nível micro, potenciais vetores macro que podem dar suporte aos resultados consolidados incluem: (i) uma possível recuperação dos preços do arroz à medida que os estoques nacionais sejam gradualmente reduzidos; (ii) continuidade da recuperação das margens no segmento de açúcar; (iii) menor inflação de custos do trigo, em reais; e (iv) a esperada queda das taxas de juros.

O Itaú BBA mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 8.

Apesar dos resultados acima do esperado e geração de caixa livre, a XP Investimentos não espera que o resultado do 3T represente um catalisador para o papel, uma vez que os preços do arroz e a queda das taxas de juros — pilares da tese de investimento — ainda permanecem relativamente nebulosos.