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Colunista convidada: Ana Maria Castelo, pesquisadora do IBRE/FGV
O otimismo com as perspectivas dos negócios na construção civil arrefeceu. Houve uma correção das expectativas, que haviam subido fortemente nos três meses anteriores. Em junho, o índice de confiança setorial (ICST) caiu (1,1 ponto) na comparação com o mês passado, mas, ainda assim, o índice chegou ao final do semestre em patamar superior ao alcançado em janeiro.
A redução nas expectativas – o indicador caiu 3 pontos – foi motivada por uma percepção mais negativa em relação à demanda prevista para os próximos seis meses e à tendência dos negócios. Já havíamos observado no mês passado que seria difícil observar uma virada da demanda no curto prazo.
Vale notar que as empresas que trabalham com obras de infraestrutura e as de maior porte foram as que registram maior queda de expectativas, possivelmente resultado da demora na definição das novas concessões e PPPs e incertezas quanto às formas de financiamento.
É fato que a mudança de governo trouxe expectativas mais favoráveis para os negócios e,de uma maneira geral, as sondagens empresariais têm mostrado a melhora da confiança. Os empresários mostram-se menos pessimistas em relação ao ambiente de negócios. No entanto, essa mudança de humor ainda não tem se traduzido na intenção de investimento: a Sondagem do IBRE realizada no segundo trimestre de 2016mostrou que em todas as atividades prevalece um alto grau de incerteza em relação à execução dos planos de investimentos.
O setor da construção é o que aponta maior incerteza.Como investir em treinamento de mão de obra, em novos processos produtivos ou na aquisição de novas máquinas em um cenário de forte imprevisibilidade da demanda? Com a situação dos negócios fragilizada pelo crédito caro e uma carteira de contratos muito abaixo do normal, as incertezas relacionadas aos planos empresariais devem se manter elevadas.
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Em contrapartida, o indicador de situação atual (ISA), que capta a percepção sobre a evolução dos negócios no momento corrente, melhorou depois de cinco quedas consecutivas. O aumento de 0,8 ponto não representa uma mudança do patamar de atividade: o ISA não recuperou sequer a queda de maio. Assim, ainda não dá para falar que o setor já chegou ao fundo do poço. Será preciso esperar um pouco mais. De todo modo, alguns indicadores deixaram de piorar.
A relação dos itens assinalados pelos empresários como maiores dificuldades à melhoria dos negócios sintetiza bem o quadro setorial. Lideram a lista: a demanda insuficiente e a dificuldade de acesso ao crédito, com 57,5% e 25,5% das assinalações, respectivamente.
Na outra ponta, ou seja, comas menores assinalações, está a escassez de mão de obra e de material, com 5,7% e 2,0%, respectivamente. Um quadro bastante distinto do observado há três anos quando a escassez de mão de obra qualificada – com 35% das assinalações – representava a maior dificuldade para os negócios das empresas.Mas há três anos, havia 3,530 milhões de trabalhadores com carteira no setor. Em junho estima-se que esse número tenha caído para 2,765 milhões, uma queda de 22%.