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Colunista convidado: Ana Maria Castelo, economista, pesquisadora do Ibre/FGV
Em agosto, o índice de confiança da construção da FGV manteve-se estável em relação a julho. Essa estabilidade não dá margem a comemorações, pois representa uma confiança muito baixa, que mantém o indicador no piso da série iniciada em julho de 2010.
A taxa de variação nula refletiu movimentos opostos dos dois componentes. O Índice de Situação Atual (ISA) registrou queda, enquanto o Índice de expectativas (IE), depois de cair em julho, voltou a melhorar.
O ISA é um indicador que capta a percepção dos empresários em relação à situação dos negócios e à atividade corrente. O resultado de agosto foi a 9ª queda consecutiva. No entanto, o crescimento da percepção negativa em relação aos negócios começou ocorrer ainda em 2013 e a partir de julho do ano passado, a avaliação negativa dos empresários superou a positiva. Na sondagem de agosto, 56,2% das empresas avaliavam a situação dos negócios como ruim.
Como temos acompanhado, esse movimento foi inicialmente comandado pelo segmento de edificações, e refletiu a diminuição da demanda por imóveis e o crescimento dos estoques. Mas especialmente a partir do final de 2014 foi seguido pela área de infraestrutura. Os cortes realizados nos programas PAC e MCMV no início desse ano acentuaram a percepção negativa em relação aos negócios nessa área de infraestrutura e também reforçaram o pessimismo dos empresários de edificações da área da habitação social.
Por conta disso, temos visto que a forte deterioração da atividade da construção vem se mostrando disseminada entre os segmentos e as regiões do País. O aumento das demissões confirma o enfraquecimento significativo e generalizado da atividade. Os números do Caged em julho mostraram que as demissões da construção perderam apenas para as registradas pela indústria de transformação: em 12 meses enquanto a indústria de transformação acumula um saldo líquido negativo de 428 mil trabalhadores, na construção, as empresas acumulam redução de 356 mil empregos.Se forem computados os postos perdidos pelos demais elos da cadeia da construção, como o comércio de materiais e, principalmente, os da indústria de materiais, esses números se tornam ainda piores.
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Na pesquisa de agosto, mais uma vez, o indicador de emprego previsto para os próximos 3 meses alcançou o patamar mais baixo de série iniciada em 2010, o que significa que o movimento de redução do emprego setorial para os próximos meses vai prosseguir.
Apesar da situação muito ruim, o Indicador de expectativas, que capta a percepção em relação à evolução dos negócios e à demanda prevista nos próximos três meses registrou melhora em relação a julho. No entanto o indicador está em um patamar bastante baixo, – 17,7% em relação a dezembro. E como tem oscilado muito nos últimos meses, não é possível ver uma tendência de melhora consistente.
Nesse cenário complicado, as principais dificuldades apontadas pelos empresários são demanda insuficiente (52,8% das assinalações) e a competição no setor (27,4%). Ou seja, está longe o tempo em que a maior dificuldade era a falta de mão de obra. Na verdade, há exatamente um ano, a falta de demanda superou as preocupações com a falta de trabalhador qualificado.
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No que diz respeito aos custos, eles perderam importância para outros fatores como o crédito mais difícil e mais caro.
Mas em agosto, o INCC-Macumulado em 12 meses, em decorrência da maior elevação da mão de obra, superou o resultado do mesmo período do ano passado, de 7,09%.
A despeito da atividade mais enfraquecida, a alta da inflação tem feito com que os aumentos dos salários mantenham uma contribuição positiva elevada para o resultado do índice setorial.
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Por outro lado, o componente materiais e equipamentos registra em 12 meses variação inferior à observada em 2014. Os materiais para estrutura, onde estão itens de peso elevado na estrutura de pesos do índice, como vergalhões e cimento registram taxa de 3,56% em 12 meses.