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A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) começou nesta semana no Brasil e, na visão da equipe de estrategistas do Santander, as empresas de sua cobertura devem apresentar resultados positivos na base de comparação anual.
Os estrategistas projetam um crescimento médio na receita líquida de cerca de 3%, um aumento de 4% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e um crescimento de aproximadamente 19% no lucro líquido no quarto trimestre de 2025.
Além disso, eles também estão de olho nas oportunidades de ganhar com o movimento das ações em meio à divulgação dos números. Neste sentido, os analistas do banco destacaram sete possíveis surpresas positivas na temporada e quatro que podem se destacar negativamente. Confira abaixo:
Viva do lucro de grandes empresas
Destaques positivos
Aura Minerals (BDR: AURA33)
Para a Aura Minerals, o banco espera resultados robustos, sustentados por aumentos recentes de preços e produção sólida. O trimestre traz a aceleração progressiva da produção de Borborema e os números de dezembro de Serra Grande aos resultados financeiros.
Com base nos dados de produção divulgados em janeiro, a expectativa dos analistas é de que a Aura reporte um Ebitda de US$ 211 milhões. Esse valor representa um aumento de 39% na comparação com o trimestre anterior.
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Cyrela (CYRE3)
Outra aposta do banco é a construtora Cyrela, com desempenho impulsionado pelo reconhecimento de receitas de projetos cujas cláusulas suspensivas foram removidas durante o trimestre. Com a remoção, a companhia deve acesso a um maior volume de vendas reconhecimento pelo método PoC (percentual de conclusão).
A estimativa é de que os resultados sejam de R$ 2,9 bilhões na receita líquida, uma alta de 18% na comparação com o último ano.
Embraer (EMBJ3)
Os resultados da empresa para o 4T devem pender para o lado positivo, acelerados pelas entregas robustas. De acordo com o banco, o trimestre da Embraer foi forte, com a entrega de 53 jatos executivos e dois cargueiros militares C-390 Millennium.
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Fleury (FLRY3)
Puxados pelo crescimento de receita de dois dígitos, de cerca de 11% na comparação ao ano, o Santander espera altas da Fleury. Os segmentos responsáveis por esse resultado foram os de PCS e novas parcerias. Os analistas ainda esperam que o lucro líquido surpreenda positivamente o consenso do mercado, com a margem Ebitda estável, em torno de 22%.
Nubank (BDR: ROXO34)
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A expectativa é de mais surpresas vindas da Nubank. Os analistas acreditam que a companhia supere mais uma vez as estimativas do mercado, com projeção de lucro líquido contábil de US$ 901 milhões.
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Com o aumento de limites de cartão e crédito, especialmente para clientes brasileiros já existentes, a empresa tem expandido a sua carteira de crédito. Segundo o Santander, números melhores no México devem apoiar a alta dos resultados.
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Ser Educacional (SEER3)
O Santander espera um fluxo de caixa modesto para a companhia no trimestre. Ainda que pareça pouco, os analistas destacam que, neste período, o sentido costuma ser o contrário, com fluxo de caixa negativo. A estimativa é de que a receita líquida cresça cerca de 8% na comparação com o último ano.
Varejo farmacêutico
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Com a chegada dos GLP-1, o varejo farmacêutico deve seguir com crescimento forte de receita. Para a RD Saúde (RADL3), o banco estima vendas em mesmas lojas (SSS) de 8,1%, contribuindo com os ganhos de alavancagem operacional e aumentando a margem Ebitda para 7,1%.
Para a Pague Menos (PGMN3), os analistas veem a continuidade do momento operacional, com SSS de 17,1% e margem de EBITDA de 5,6%.
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Destaques negativos
Banco do Brasil (BBAS3)
Ainda que seja esperada uma alta no lucro líquido na comparação com o trimestre anterior, de R$ 4,6 bilhões, a rentabilidade do Banco do Brasil deve ficar pressionada. Com a deterioração dos NPLs (inadimplência) do agronegócio, o banco deve sofrer com mais um trimestre com alto volume de provisões e crescimento fraco da receita.
O Santander também estima que o gruidance para 2026 indique uma recuperação lenta dos lucros, o que pode desagradar parte dos investidores.
EzTec (EZTC3)
Os analistas esperam uma queda de 37% na receita líquida da EZTEC, em comparação ao ano anterior. O resultado de R$ 265 milhões deve sofrer impacto pela ausência de projetos que contribuíram positivamente para a receita nos trimestres anteriores. Além disso, por conta das cláusulas suspensisvas, parte dos lançamentos do 4T só deverá ser reconhecida no 1T26.
Randoncorp (RAPT4)
Para a Randoncorp, o banco espera um trimestre morno. Segundo os analistas, a empresa ainda pode ser encarada como uma oportunidade de deep value (ativo muito descontado), com uma visão construtiva sobre o case de investimento.
Ainda assim, ao longo do trimestre, margens fracas no segmento de autopeças e o possível reconhecimento de perdas por impairment (redução ao valor recuperável dos ativos), puxam as previsões para baixo.
Rumo (RAIL3)
A Rumo deve ter um 4T fraco, com preços mais baixos, com quedas de dois dígitos baixos a médios na comparação com o ano. Apesar da empresa ter alcançado o ponto médio do guidance de volumes transportados, os analistas afirmam que as incertezas em relação ao guidance de Ebitda permanecem.