Destaques da Bolsa

5 “ações de qualidade” sobem, frigoríficos recuam e Cetip salta 4% com anúncio do Itaú

Confira os destaques da Bolsa nesta quarta-feira (1)

Por  Paula Barra

SÃO PAULO – O Ibovespa perdeu força na tarde desta quarta-feira (1), puxado pelas ações da Petrobras e bancos, se destoando do movimento do mercado americano. O mercado oscila hoje em meio às expectativas sobre Grécia, que mesmo após confirmar o calote, ainda não tem seu futuro decidido. O primeiro ministro grego, Alexis Tsipras, subiu o tom ao defender que a população vote contra os termos do acordo no referendo do próximo domingo.

Confira abaixo os principais destaques da Bolsa hoje:

Petrobras e Braskem
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,52, -3,64%; PETR4, R$ 12,18, -4,17%) afundaram nesta tarde em meio a um processo aberto nos Estados Unidos contra a Braskem (BRKM5, R$ 12,98, -4,70%) envolvendo a Petrobras. Nos documentos do processo, um acionista alega que a Braskem pagou pelo menos US$ 5 milhões por ano para a Petrobras entre 2006 e 2012 para comprar matéria-prima mais barata. “Os controles internos da Braskem foram grosseiramente ineficazes”, mostram os documentos.

O processo aponta que funcionários da Braskem fizeram falsas e enganosas declarações à SEC (Securities and Exchange Commission) sobre os controles internos da empresa. 

Sobre a Petrobras, pesa também a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. O preço do petróleo Brent, negociado em Londres e usado como referência pela Petrobras, cai 2,4%, a US$ 62,09, enquanto o WTI, cotado no Texas, desaba 4,15%, a US$ 57,00. 

Bancos
No mesmo sentido, as ações dos bancos também perderam força, com o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,40, +0,57%) ainda se mantendo com leves ganhos. Enquanto isso, Bradesco (BBDC3, R$ 27,80, -0,64%; BBDC4, R$ 28,37, -0,46%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,97, -1,28%).  

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 18,11, -0,98%; VALE5, R$ 15,42, -1,03%) e Bradespar (BRAP4, R$ 10,33, -1,81%), que abriram em alta buscando recuperação após a queda da véspera, viraram para queda, enquanto os papéis das companhias do setor de siderurgia também registraram baixas na Bovespa. Hoje, o dia foi de leve queda do preço do minério de ferro em 0,15% no porto de Qingdao, para US$ 59,20.

Seguindo o mesmo movimento, CSN (CSNA3, R$ 5,11, -1,16%), Usiminas (USIM5, R$ 4,09, -0,73%) e Gerdau (GGBR4, R$ 7,18, -4,14%) também acentuaram as perdas durante a tarde. 

JBS (JBSS3, R$ 15,90, -2,81%) e Marfrig (MRFG3, R$ 5,65, -0,70%)
Após subirem na sessão anterior, as ações de frigoríficos registraram queda nesta sessão. Os papéis reagiram ontem ao anúncio da liberação dos Estados Unidos à importação da carne bovina brasileira in natura. A medida encerra uma restrição praticada há 15 anos e favorece 95% da agroindústria exportadora brasileira.

Segundo o BTG Pactual, a notícia é positiva para todos os frigoríficos brasileiros, especialmente o Minerva. Para a equipe de análise do banco, a liberação dos EUA à importação poderá facilitar a entrada do produto em outros mercados rentáveis como Canadá, México, Japão e Coreia do Sul. Eles preveem que a exportação inicial aos EUA será de 40 milhões de toneladas, com potencial de 100 milhões de toneladas no longo prazo.

“Ações de qualidade”
Apesar da nova queda do Ibovespa, algumas “ações de qualidade” registraram alta, estendendo ganhos dos últimos pregões. Alguns destes papéis estão renovando máximas, seja por possuírem um perfil considerado mais defensivo, como a Cielo (CIEL3, R$ 44,67, +1,94%), ou por estarem em um momento positivo, com boas perspectivas de analistas, caso da Eletropaulo (ELPL4, R$ 18,25, +2,59%) fora do Ibovespa.

Neste cenário, vale ainda mencionar SulAmérica (vide abaixo) e também a Raia Drogasil (RADL3, R$ 40,78, 1,75%), que já tem alta de 62,43% no ano, sendo 121% nos últimos 12 meses. Por fim, destaque para a Lojas Renner (LREN3, R$ 115,63, +2,33%), que hoje realizou uma apresentação na Bolsa e afirmou que espera crescimento de dois dígitos no conceito mesmas lojas. A companhia, além de estar na máxima histórica, é também a melhor ação do ano no Ibovespa, com valorização de 53,32%.

Rumo (RUMO3, R$ 1,30, +2,36%)
As ações da Rumo Logística subiram após terem a sua recomendação elevada de neutra para compra, com o preço-alvo para 2016 de R$ 1,70, em substituição ao preço-alvo de R$ 2,08 de 2015.

“Enquanto mantemos nossa visão de que a visibilidade sobre a geração de caixa de longo prazo (e, portanto, valor intrínseco justo) continua a ser limitada, acreditamos que as expectativas do mercado são agora muito baixos e nós vemos uma assimetria positiva para a companhia. Nós espera que o preço da ação reaja principalmente ao fluxo de notícias que virão pela frente, o que acreditamos será positivo no futuro, com base em: (i) bons resultados trimestrais, sugerindo que a gestão está no caminho certo para entregar guidance para o ano; (ii) de fechamento de linhas de financiamento adicionais; e (iii) a celebração de extensões de concessão, em meados de 2016”, informa o relatório. 

Cetip (CTIP3, R$ 35,40, +3,87%)
As ações da Cetip tiveram alta após o Itaú anunciar que adotou registro eletrônico de contratos de financiamento imobiliário da Cetip, em alternativa ao registro físico, que irá reduzir o prazo de 30 para 5 dias. A Caixa Econômica e o Santander também estão testando o modelo de registro eletrônico no crédito imobiliário da Cetip. Segundo a Elite Corretora, esse é um passo importante para a Cetip no ramo de registros imobiliários, negócio que ainda está começando. 

Segundo o BTG Pactual, o novo produto de registro de contratos de financiamento imobiliário pode levar a uma elevação de até R$ 4 no preço-alvo. 

Além disso, destaque para outro relatório do BTG Pactual que destacou a preferência, dentro do segmento financeiro, por ações do setor não-bancário, avaliando a Cetip como uma companhia com bom potencial de valorização. Cielo, BB Seguridade e Itaú Unibanco são as preferidas pelo BTG no Brasil. 

Seguradoras
A Susep divulgou dados operacionais para o mês de maio deste ano. Para a BB Seguridade, a parte de seguros de vida decepcionou, segundo a Elite Corretora, mas, apesar disso, o lucro da empresa parece crescer na casa de 10% na comparação anual. A corretora lembra que o mês de junho é, sazonalmente, forte para a companhia.

No caso da Porto Seguro, a corretora comenta que, apesar da queda de 3% nos prêmios, a melhora no índice de sinistralidade de automóveis está contribuindo para a melhora dos resultados. Enquanto para SulAmérica ela comenta que houve crescimento de prêmios de automóveis (+11% na comparação anual) junto com melhora de sinistralidade, o que impulsionou o resultado.

Na Bolsa, as ações da BB Seguridade (BBSE3, R$ 34,25, +0,44%) caíram ontem e ficaram com leves ganhos hoje, enquanto a Porto Seguro (PSSA3, R$ 40,97, -1,04%) recuou hoje após alta de ontem. Apesar do movimento nesta sessão, as ações da companhia figuram próximas a máxima histórica. Já a SulAmérica (SULA11, R$ 15,20, +0,20%) deu continuidade à uma forte arrancada na Bolsa desde o dia 10 de maio, período em que já sobem 18%. Com essa alta, os papéis voltam ao patamar de junho de 2014.

Tempo Participações (TEMP3, R$ 3,90, -1,27%)
A Tempo Participações vê suas ações registrarem queda. A companhia informou que Marcos Aurélio Couto foi eleito presidente do Conselho de Administração.

Guararapes (GUAR4, R$ 60,50, -4,71%)
As ações da Guararapes registram forte queda. O Estado de São Paulo divulgou, no dia 29 de junho, notícia dizendo que a Riachuelo poderá rever o número de abertura de lojas, que seria de 40 unidades neste ano, mas poderá ficar um pouco abaixo de 30, e que o investimento da loja será mantido em torno de R$ 550 milhões. Assim, a Guararapes solicitou esclarecimentos sobre o teor da referida notícia, bem como outras informações consideradas importantes.

A companhia esclarece que, em 2013 e 2014 foram inauguradas, respectivamente, 43 e 45 novas lojas, mas a quantidade de inaugurações este ano passará de 40 para aproximadamente 30 lojas. Assim, a previsão de capex (investimentos) da Companhia para este ano será de aproximadamente R$500 milhões.

Saraiva  (SLED4, R$ 5,73, -0,35%)
A Saraiva vê suas ações em queda mesmo após a companhia informar que as coleções da Editora Saraiva foram aprovadas pela Secretaria de Educação Básica, órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável por conduzir a avaliação das coleções inscritas no Programa Nacional do Livro Didático para 2016 (PNLD/2016).

Das 26 coleções e duas obras em volumes únicos inscritas pela Editora Saraiva no PNLD/2016, para todas as sete disciplinas que fazem parte do Programa, foram aprovadas 24 coleções, o que representa 92% de aprovação das coleções submetidas, versus 87% obtidos no programa referência (PNLD/2013). 

Ser Educacional (SEER3, R$ 14,56, +1,25%)
A Ser Educacional atinge o maior patamar em 1 semana com a compra da Famil. O volume de negociação de ações é 118% maior do que a média dos últimos 20 pregões para o horário. A aquisição de R$ 6 milhões, com R$ 3,9 milhões a serem pagos em até 15 dias após fechamento da operação.

Por outro lado, Estácio (ESTC3, R$ 17,60, -2,22%) e Kroton (KROT3, R$ 11,94, +0,42%) fecharam entre perdas e ganhos. No radar, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação publicou na última terça-feira portaria que prorroga para 20 de julho o prazo para a renovação semestral dos contratos de financiamento concedidos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que venceria ontem. Segundo portaria publicada no Diário Oficial da União, a renovação pode ser feita para contratos simplificados e não simplificados do primeiro semestre. O mesmo prazo vale para a realização de transferência integral de curso ou de instituição de ensino, de acordo com a portaria.

E, em entrevista à Bloomberg ontem, o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, disse que vê expansão da margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) nos próximos anos com a redução da taxa de evasão escolar e aumento do número de alunos em salas de aula. Segundo ele, a venda da Uniasselvi será anunciada em cerca de 45 dias. “Ainda vemos muito espaço para fusões e aquisições”, disse.

Compartilhe