Destaques da Bolsa

17 ações caem mais de 3%, mas exportadoras se salvam com disparada do dólar

Confira os principais destaques da Bovespa no pregão desta terça-feira (26)

SÃO PAULO – Após a recuperação de ontem com a fala de Joaquim Levy, o pregão desta terça-feira (26) foi marcado por novas tensões sobre as votações da MPs 664 e 665 no Senado, além dos rumores de que o ex-presidente Lula gostaria de trocar Levy pelo ministro do Planejamento Nelson Barbosa.

O Ibovespa registrou perdas de 1,79% puxado pelos papéis das companhias elétricas, bancos, assim como a Petrobras. No total, foram 17 dos 66 papéis com perdas de mais de 3%. Do outro lado, a Vale, que ameaçou virar para queda durante a tarde, e companhias exportadoras, sustentadas pela alta de 1,68% do dólar, ficaram entre os poucos ganhos da sessão. Para conferir o desempenho de todas as ações, veja a ferramenta InfoMoney de cotações.

Confira os destaques do pregão desta terça-feira:

Bancos
As ações do setor bancário voltaram a cair depois do alívio da véspera, que seguiu o bom humor do mercado após declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Passado isso, os papéis seguem sua forte derrocada na Bolsa após o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) de 15% para 20%, anunciada na última sexta-feira mas que já vinha sendo cogitada pelo mercado desde o início da semana passada. Os papéis dos grandes bancos listados caíram hoje pela sua sexta sessão em sete. São eles: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,91, -1,47%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,88, -2,40%; BBDC4, R$ 28,40, -2,97%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,55, -2,69%) e Santander (SANB11, R$ 16,34, -3,37%).

Exportadoras
As ações do setor de papel e celulose, Suzano (SUZB5, R$ 16,32, +4,21%) e Fibria (FIBR3, R$ 43,60, +2,23%), ficaram entre as maiores altas do Ibovespa, seguindo a forte alta do dólar, que voltou a disparar nesta sessão, o que para alguns analistas pode significar uma reversão da tendência, que era de queda no curto prazo, para alta. Entre os ganhos do dia, a Marfrig (MRFG3, R$ 4,20, +1,45%) também é favorecida por ter muitos negócios no exterior.

Sobre a Suzano, uma matéria da coluna Radar, da Veja, aponta que está na reta final no processo de venda de uma reserva florestal de 88.000 hectares da Queiroz Galvão, no Maranhão, avaliada em R$ 1 bilhão. Entre os principais candidatos à compra estão Eldorado Celulose, Brookfield e Suzano. Segundo a Elite Corretora, apesar das fortes projeções de geração de caixa e forte queda do endividamento nos próximos anos, parece que, no curto prazo, há pouco espaço para aumentar o endividamento.

Petrobras (PETR3, R$ 13,36, -3,40%; PETR4, R$ 12,39, -3,20%)
Segundo a Folha de S. Paulo, a Petrobras colocou à venda seis blocos de petróleo, incluindo cinco áreas do pré-sal nas bacias de Santos e Campos, e espera obter mais de US$ 4 bilhões com o negócio. O processo está sendo coordenado pelo Bank of America Merrill Lynch. Segundo o jornal, a estatal também prepara a abertura de capital da BR Distribuidora e desistiu de vender um pedaço da empresa para um sócio estratégico, como chegou a ser cogitado.

Segundo a XP Investimentos, provavelmente, a venda desses blocos não faz parte do modelo de partilha, pois se fizesse não poderia se desfazer deles. Os analistas comentam, no entanto, que a companhia espera arrecadar US$ 13,1 bilhões com seus desinvestimentos, mas mesmo assim, tem uma necessidade de caixa, esse ano, da ordem de US$ 13 bilhões.

Siderúrgicas
As ações do setor siderúrgico tiveram um dia volátil: enquanto a Usiminas (USIM5, R$ 5,46, +3,02%) sustentou fortes ganhos, a CSN (CSNA3, R$ 7,04, -1,68%) virou para queda durante a tarde e a Gerdau (GGBR4, R$ 8,95, -2,72%) seguiu no negativo durante toda a sessão. Em relatório de hoje, o Credit Suisse comentou que acredita que o mercado global do setor deve se recuperar em 2016, liberado principalmente pela redução da exportação da China e fim do processo de desestocagem. No entanto, ainda é preciso maior visibilidade dos eventos macroeconômicos na Europa para que o banco fique mais “bullish” (otimista), já que tem um potencial Grexit, por exemplo, que poderia fazer o processo desandar, comentaram os analistas.

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Vale (VALE3, R$ 20,79, +1,07%; VALE5, R$ 17,45, +0,58%)
As ações da Vale chegaram a virar para queda, mas conseguiram fechar com ganhos de mais de 1%, seguindo a arrancada do minério de ferro, que avançou 1,6% no porto de Qingdao na China nesta sessão. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 11,24, +0,54%), holding que detém participação na mineradora.

Hoje, o Bradesco BBI cortou o preço-alvo das ações da Vale de R$ 31,00 para R$ 24,00, mas manteve a recomendação em outperform (desempenho acima da média). A revisão para baixo foi em função de expectativas de menores produção, capex e preço do minério de ferro, cuja projeção foi reduzida de US$ 75 a tonelada para US$ 60 a tonelada.

Elétricas
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu nesta terça abrir uma audiência pública para discutir conceitualmente e dimensionar a questão do déficit de geração hídrica (GSF) que, segundo geradores de energia, gerou um rombo bilionário nas contas das hidrelétricas. O tema ficará em audiência pública entre 28 de maio e 26 de junho. No pleito apresentado à Aneel, os geradores calculam em R$ 18,5 bilhões o gasto com a geração menor, mas a área técnica da agência considerou esses valores não possuem consistência econômica.

O índice de ações do setor elétrico caíram forte. Eletrobras (ELET3, R$ 6,65, -5,27%; ELET6, R$ 9,41, -3,78%), Cemig (CMIG4, R$ 14,45, -2,76%), Energias do Brasil (ENBR3, R$ 10,93, -0,64%) e CPFL (CPFE3, R$ 19,50, -2,01%) estavam entre as maiores quedas do Ibovespa. Em meados deste mês, o presidente-executivo da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr, havia comentado a analistas que esperava ainda para maio uma solução negociada com o governo federal para mitigar o impacto financeiro produzido pelo risco hidrológico.

No caso da Eletrobras, vale ainda destacar a forte alta dos papéis no último pregão. Ontem, os papéis preferenciais dispararam 6% após notícias de que os representantes dos acionistas minoritários ingressaram com reclamação contra a companhia na CVM para ter o direito de eleger um membro para a vaga dos detentores de papéis preferenciais. Hoje os papéis devolvem todo esse ganho.

Educacionais
As ações do setor educacional caiu na Bolsa hoje após o MEC (Ministério da Educação) alterar a portaria sobre os procedimentos para solicitação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Agora, as regras para solicitação do financiamento dizem que “a seleção dos estudantes aptos para a contratação do financiamento do Fies, a partir do primeiro semestre de 2016, será efetuada exclusivamente com base nos resultados obtidos no Enem”.

Das empresas listadas na Bolsa e expostas ao Fies, todas recuaram: Kroton (KROT3, R$ 12,24, -3,92%), Estácio (ESTC3, R$ 17,70, -3,80%), Ser Educacional (SEER3, R$ 13,21, -4,69%) e Anima (ANIM3, R$ 20,48, -0,68%).

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 87,39, -2,95%)
As ações do Pão de Açúcar encerraram o pregão no pior patamar desde janeiro de 2013. No mês, os papéis acumulam queda de 14,30%, a maior queda desde abril de 2004 (-16,8%). Hoje, o Deutsche Bank divulgou um relatório sobre a empresa, destacando um cenário desafiador no curto prazo, com a concorrência ganhando espaço e ameaçando os resultados de 2015 e 2016, apesar do bom posicionamento do grupo e rígida disciplina apertada. O banco manteve recomendação de manutenção, com preço-alvo de R$ 112,00 por ação.   

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Braskem (BRKM5, R$ 13,01, -3,34%)
Segundo informações da consultoria Platts, a Braskem elevou em 2% os preços para o mercado interno do polipropileno e polietileno. Esse aumento significa um valor entre R$ 150 a R$ 200 por tonelada de polietileno e R$ 250 a tonelada no caso do polipropileno. As razões para estes aumentos, segundo a consultoria, seriam a alta da matéria-prima (nafta) desvalorização do real e a redução da oferta com o fechamento de vários produtores de resina na Ásia. O reajuste ocorre depois da companhia aumentar em mais de 30% os preços da nafta em 2015.

JBS (JBSS3, R$ 16,28, -2,22%)
Os papéis do frigorífico caíram forte neste pregão, enquanto o STF discute o sigilo das operações do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) com a companhia. O caso foi levado à Corte pelo próprio banco, após o Tribunal de Contas da União ter determinado o envio de informações sobre as operações realizadas com o grupo JBS. O BNDES alega que as informações estão protegidas por sigilo bancário. Já o TCU sustenta que as operações da instituição financeira envolvem recursos públicos e não estão sujeitas ao sigilo previsto na legislação.

Totvs (TOTS3, R$ 38,15, -3,37%) e Linx (LINX3, R$ 49,28, +2,67%)
O Credit Suisse comentou sobre as duas companhias em relatório hoje. Segundo o banco suíço, as empresas parecem bem capitalizadas (Linx tem R$ 101 milhões em caixa líquido e a Totvs, R$ 91 milhões) e não têm exposição relevante ao dólar. Para os analistas, o valuation das empresas parece ser um dos pontos que jogam mais a favor do call, dado que o prêmio dos papéis reduziu bastante. Com isso, eles elevaram a recomendação da Linx de neutra para outperform (desempenho acima da média), enquanto o preço-alvo passou de R$ 52,50 para R$ 55,00. Já a Totvs segue com outperform e preço-alvo de R$ 45,00.

Lupatech (LUPA3)
A Lupatech, fornecedora da Petrobras, teve a negociação das suas ações suspensas na Bolsa a partir de hoje após entrar com pedido de recuperação judicial, citando um cenário de piora do preço do petróleo desde 2014. Segundo comunicado da empresa, a decisão de ajuizar o pedido de recuperação judicial tem por objetivo preservar o valor da companhia. De 2008 até hoje, as ações da companhia desabaram 99,82% na Bolsa, indo de R$ 22,30 para R$ 0,04.

BicBanco (BICB4, R$ 7,52, +0,94%)
O chinês CCB (Banco de Construção da China) tenta fechar um acordo com os antigos controladores e com os acionistas minoritários do BicBanco a fim de reduzir o valor final da transação em R$ 228 milhões, informou a Folha de S. Paulo.