Nos últimos anos, as terras raras ganharam destaque por seu papel estratégico para a indústria, a tecnologia e a transição energética. Impulsionado pelo interesse crescente em minerais estratégicos e novos produtos de investimento ligados ao setor, o tema também entrou no radar do mercado financeiro.

Apesar de sua reconhecida importância e cada vez maior presença no noticiário, muitas dúvidas ainda cercam o assunto. O que são terras raras? Onde estão as principais reservas? Por que o Brasil entrou nessa discussão?

Neste guia, você encontra respostas para essas questões e entende por que esses minerais se tornaram peças importantes para a economia mundial. Continue a leitura!

O que são terras raras?

As terras raras são um grupo de metais com propriedades físicas e químicas indispensáveis para diversas tecnologias modernas. Entre suas características estão:

  • Forte magnetismo;
  • Resistência a altas temperaturas;
  • Capacidade de conduzir ou modificar energia e luz.

Esses atributos permitem a fabricação de componentes menores, mais leves e mais eficientes, utilizados em tablets, smartphones e veículos elétricos, entre outros.

Quais são as terras raras?

O termo “terras raras” compreende 17 elementos químicos de características semelhantes e que costumam aparecer associados. São eles:

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  • Escândio (Sc);
  • Ítrio (Y);
  • Lantânio (La);
  • Cério (Ce);
  • Praseodímio (Pr);
  • Neodímio (Nd);
  • Promécio (Pm);
  • Samário (Sm);
  • Európio (Eu);
  • Gadolínio (Gd);
  • Térbio (Tb);
  • Disprósio (Dy);
  • Hólmio (Ho);
  • Érbio (Er);
  • Túlio (Tm);
  • Itérbio (Yb);
  • Lutécio (Lu).

As terras raras são realmente raras?

Não. As terras raras são abundantes na crosta terrestre e alguns desses elementos aparecem em quantidades maiores do que metais como ouro, prata e platina. 

O desafio real não está na disponibilidade das terras raras, mas na forma como ocorrem na natureza.

Elas não são encontradas isoladamente; fazem parte de minerais complexos, principalmente bastnasita e monazita, e aparecem misturadas entre si e a outros elementos químicos.

Essa associação geológica torna a produção altamente complexa. Além da mineração básica, é preciso separar quimicamente cada componente, um processo que exige tecnologia, alto investimento, elevado consumo de energia e rigoroso controle ambiental. Devido a esses fatores, transformar uma jazida em operação comercial pode levar anos.

Apenas um dos 17 elementos foge à regra da abundância: o promécio. Ele não existe naturalmente, porque é radioativo e precisa ser sintetizado por meio de processos nucleares. Por causa dessa origem e instabilidade, possui poucas aplicações comerciais, restringindo-se a baterias nucleares e equipamentos analíticos específicos, como fontes portáteis de raios-X.

Terras raras em poucas palavras:
🧲 Características • Magnetismo intenso, resistência ao calor e propriedades ópticas.
🧪 Composição • Grupo formado por 17 elementos químicos, divididos entre leves e pesados.
🌎 Disponibilidade • Abundantes na crosta terrestre, mas raramente concentradas em jazidas viáveis.
⛏️ Produção • A extração exige mineração, separação química, refino e alto investimento.
📜 Origem do nome • A expressão surgiu quando esses minerais eram considerados difíceis de identificar, e permaneceu até hoje.

Para que servem as terras raras?

As terras raras são insumos essenciais para tecnologias, que vão de produtos de uso cotidiano a equipamentos estratégicos para a indústria e defesa. Veja a seguir as principais aplicações desses elementos.

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Carros elétricos e energia renovável

Elementos como neodímio e disprósio são usados na fabricação de ímãs permanentes de alta potência, que equipam motores de veículos elétricos e geradores de turbinas eólicas. Esses ímãs oferecem alta eficiência energética, ocupam menos espaço e suportam temperaturas elevadas, características essenciais para essas aplicações.

Além dos motores, alguns elementos também participam da fabricação de baterias e de componentes utilizados em painéis solares.

Eletrônicos e armazenamento de dados

A miniaturização dos equipamentos eletrônicos depende, em parte, das propriedades das terras raras. Smartphones, notebooks, tablets e outros dispositivos utilizam esses elementos em componentes como micro alto-falantes, sistemas de vibração, telas e discos rígidos.

Nas telas de LED, OLED e LCD, por exemplo, elementos como európio, térbio e ítrio contribuem para a reprodução das cores. Já o neodímio está presente em pequenos ímãs de alto desempenho utilizados em alto-falantes e dispositivos de armazenamento de dados.

Medicina e equipamentos de diagnóstico

Equipamentos de ressonância magnética utilizam ímãs de alta potência, enquanto o gadolínio é empregado como agente de contraste em diversos exames de imagem.

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Alguns elementos, como érbio e hólmio, também fazem parte de lasers utilizados em procedimentos dermatológicos, odontológicos e oftalmológicos.

Indústria e refino de petróleo

Compostos de lantânio e cério atuam como catalisadores no refino de petróleo, aumentando a eficiência da produção de combustíveis.

O óxido de cério também é amplamente utilizado no polimento de vidros, lentes e espelhos de alta precisão, presentes em equipamentos ópticos e eletrônicos.

Indústria aeroespacial e defesa

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Esses elementos entram na fabricação de radares, sistemas de comunicação, satélites, drones, sensores e equipamentos de visão noturna.

Também integram ligas metálicas de alta resistência utilizadas em motores aeronáuticos e equipamentos submetidos a temperaturas extremas, onde materiais convencionais não oferecem o mesmo desempenho.

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Onde estão as maiores reservas de terras raras?

Ao falar sobre terras raras, é preciso separar dois conceitos: reservas e produção. As reservas correspondem aos depósitos conhecidos que podem ser explorados economicamente, enquanto a produção indica quanto um país efetivamente extrai e processa desses minerais.

Nem sempre quem possui mais reservas lidera o mercado, pois a exploração depende de fatores como investimento, tecnologia, licenciamento ambiental e infraestrutura, entre outros.

Qual país tem mais reservas de terras raras?

Segundo levantamentos do Serviço Geológico dos Estados Unidos, a China concentra as maiores reservas conhecidas de terras raras do mundo, seguida do Brasil, Índia, Austrália e Rússia.

O Brasil aparece entre os países com maior potencial geológico, embora grande parte dessas reservas ainda permaneça pouco explorada comercialmente.

Quem é o maior produtor de terras raras do mundo?

Se nas reservas há uma distribuição relativamente ampla, na produção o cenário é muito mais concentrado. Há décadas, a China responde pela maior parte da produção mundial de terras raras e domina também etapas fundamentais do processamento e da separação química desses elementos. Essa liderança não resulta apenas da quantidade de jazidas, mas também de investimentos realizados na cadeia produtiva.

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Austrália, Estados Unidos, Mianmar e Tailândia também produzem terras raras, mas em volumes bem inferiores aos chineses.

Na prática, mesmo quando o minério é extraído em outros países, uma parcela significativa ainda segue para processamento na China antes de abastecer a indústria global.

O mapa das terras raras no Brasil e no mundo
✔️ Maiores reservas: China, Brasil, Índia, Austrália e Rússia.
✔️ Maior produtor: China, que também domina o refino e o processamento.
✔️ Principais estados no Brasil: Minas Gerais, Goiás, Bahia e Amazonas.
✔️ Principais jazidas brasileiras: Araxá e Poços de Caldas (MG), Serra Verde (GO), Pitinga e Seis Lagos (AM).

Qual o valor de uma tonelada de terras raras?

Para fins de planejamento ou entendimento financeiro, o mercado divide os preços em três grandes patamares de valor. 

  • Alto valor: são os elementos mais escassos e valorizados pela indústria, principalmente por aplicações em superímãs, equipamentos de defesa e tecnologias de alta precisão;
  • Valor intermediário: são os mais utilizados pela indústria de carros elétricos e energia eólica;
  • Menor valor: elementos que sobram no processo de mineração e apresentam ampla oferta, o que reduz significativamente seus preços.

Além do elemento químico, a aplicação industrial também influencia os preços. Veja alguns exemplos com base nas cotações internacionais de 2026: 

Grupo ExemploAplicações
Alto valorTérbio (US$ 210 mil a US$ 216 mil/t); Disprósio (cerca de US$ 120 mil/tSuperímãs de alto desempenho, equipamentos militares, radares, motores elétricos e turbinas eólicas.
Valor intermediárioNeodímio + Praseodímio (NdPr): cerca de US$ 110 mil/tMotores de veículos elétricos, geradores de turbinas eólicas, discos rígidos, alto-falantes e outros eletrônicos.
Baixo valorCério e Lantânio: entre US$ 1 mil e US$ 2 mil/tCatalisadores para refino de petróleo, polimento de vidros e lentes, baterias e vidros especiais.

Por que os Estados Unidos têm interesse nas terras raras do Brasil?

O interesse dos Estados Unidos pelas terras raras brasileiras faz parte da estratégia de reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais críticos para a indústria e a defesa. Hoje, além de liderar a produção mundial, os chineses concentram boa parte da capacidade de refino e processamento desses elementos, etapas essenciais para a indústria.

Essa concentração ganhou ainda mais peso com o aumento das tensões comerciais entre as duas potências. Desde então, os EUA passaram a incentivar a diversificação da cadeia de suprimentos, ampliando parcerias com países considerados fornecedores confiáveis de minerais estratégicos.

O Brasil no radar das terras raras:
✔️ Grandes reservas
O Brasil reúne uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do mundo, mas ainda explora apenas uma pequena parte desse potencial.
✔️ Parceiro estratégico
Estabilidade institucional, tradição na mineração e potencial de expansão tornam o país um fornecedor alternativo em meio à busca por reduzir a dependência da China.
✔️ Oportunidades de investimento
A expansão do setor abre espaço para projetos de mineração, beneficiamento e processamento, etapas que agregam maior valor à cadeia produtiva.
✔️ Desafios pela frente
Ampliar a produção exige investimentos em tecnologia, infraestrutura, processamento industrial e licenciamento ambiental.

Como identificar terras raras?

Rastrear terras raras na natureza exige métodos avançados, pois eles não formam depósitos óbvios ou concentrados como os metais tradicionais. De forma geral, as mineradoras dividem o processo de localização em três etapas fundamentais:

1. Caça aérea por radiação

A busca por terras raras começa do alto. Como elas normalmente se juntam a elementos radioativos (como tório e urânio), aviões equipados com sensores especiais sobrevoam as áreas de interesse para medir o magnetismo e as taxas de radiação da crosta. 

2. Análise química em laboratório

Depois do mapeamento aéreo, o passo seguinte é coletar amostras físicas para exames laboratoriais. Nessa etapa, os técnicos analisam a composição química da rocha para identificar quais terras raras estão presentes e em que concentração.

Esse resultado é decisivo para determinar o potencial econômico da jazida, já que alguns elementos, como neodímio e disprósio, têm valor muito superior ao de outros do mesmo grupo. 

3. Teste de viabilidade econômica

O último passo analisa como as terras raras estão ligadas aos minerais que as abrigam, e define a viabilidade econômica do projeto. 

Quando os elementos mais valiosos aparecem em minerais que a indústria já conhece, como a monazita, a separação fica simples. Mas se a extração depende de processos complexos ou pouco desenvolvidos, os custos aumentam e a jazida pode deixar de ser economicamente atrativa.