Em série da Netflix, Nadal expõe bastidores de dores crônicas e crise emocional

Ex-número 1 revela uso intenso de anti-inflamatórios, origem das lesões no pé e tratamento psiquiátrico em documentário “Rafa”, que estreia em 29 de maio

Agência O Globo

Divulgação/Netflix
Divulgação/Netflix

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Rafael Nadal abre detalhes pouco conhecidos de sua vida e carreira no documentário “Rafa”, produção em capítulos da Netflix que estreia em 29 de maio. Longe de ser uma homenagem sem conflitos, a série acompanha o último ano da trajetória do vencedor de 22 Grand Slams e mostra, de forma direta, o desgaste físico e emocional vivido pelo ex-tenista espanhol em meio à tentativa de prolongar a carreira.

Horas antes da pré-estreia em Madri, Nadal falou ao jornal espanhol “Marca” sobre a experiência de ser filmado de perto e explicou por que decidiu aceitar um projeto desse tipo apenas na fase final da carreira.

— Bom, eu estou mais acostumado. Talvez não na minha vida privada, mas de alguma forma você está mais exposto. As pessoas ao meu redor, até se acostumarem, acho que sofrem um pouco mais. Acho que essa foi uma das grandes razões pelas quais nunca aceitei fazer algo assim até o último trecho da minha carreira — afirmou.

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No documentário, Nadal diz ter sido consciente sobre a exposição de episódios delicados.

— Era consciente pelo simples fato de que, se não, para que você faz? Se você vai contar algo que não é real, minha história já está contada. Esta é a realidade. Minha história já está contada e vista semana após semana em torneios durante 20 anos. Então fazer uma história sobre o sucesso, sobre o que foi minha carreira, não acho que fizesse sentido. Faria sentido se fosse contada outra coisa.

O ex-tenista também reconheceu que não tinha controle total sobre o resultado final da obra, mas disse ter se sentido seguro com a equipe responsável.

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— Não sei se tinha medo, mas no fim você faz algo pelo qual não é 100% responsável. Então depende de outras pessoas que fazem uma certa quantidade de trabalho. Honestamente, me deu confiança conhecer as pessoas que conheci, que me explicaram o projeto desde o começo. De fato, por isso aceitei.

Ao longo da série, Nadal revisita as lesões que marcaram sua carreira. Segundo ele, os problemas físicos tiveram origem no pé, mas acabaram afetando outras partes do corpo.

— Tive problemas ao longo da minha carreira em muitas partes do meu corpo. Mas acho que tudo tem uma origem, que é o pé. A solução para seguir jogando tênis, que me permitiu seguir jogando, foi a palmilha para salvar aquela lesão. Mas desestruturou o resto do meu corpo. Então acho que daí começaram todos os meus problemas, embora tenha me permitido ter uma longa carreira. Algo que, em 2005, quando eu tinha 19 anos, durante alguns meses, parecia que tinha acabado.

Nadal também explicou que viveu por muito tempo com dores permanentes e admitiu ter feito uso frequente de anti-inflamatórios para continuar competindo.

— O que eu queria dizer é que houve um momento em que vivia com dor permanente. E havia muitos dias em que tinha discussões com meu fisioterapeuta sobre se tinha que tomar anti-inflamatórios ou não. E era ele quem os tinha, e eu pedia a ele e ele me dava. E era ele quem se encarregava.

Segundo o espanhol, chegou um momento em que ele decidiu assumir essa escolha sozinho.

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— Quando digo que há um limite entre o que é correto ou incorreto, é porque no fim sei que é prejudicial para o meu corpo. De fato, como eu disse, tenho duas perfurações nos intestinos por ter tomado tantos anti-inflamatórios. Mas, se não tivesse sido assim, minha carreira teria sido completamente diferente.

Um dos trechos mais fortes da entrevista trata de uma crise vivida em 2015. Nadal contou que passou por um período em que perdeu o controle emocional dentro e fora das quadras, até buscar ajuda profissional.

— Em um determinado momento, uma coisa é eu não controlar minhas emoções ou não ter controle da situação na quadra de tênis, e outra é que, quando estou fora, tenha que sair para caminhar com uma garrafa de água porque, se não, me afogo na minha própria saliva. Então disse: bom, tenho um problema, tenho que ir a profissionais. Visitei uma psicóloga e ela me expôs coisas que eu já sabia. Era totalmente racional.

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Depois, Nadal procurou um psiquiatra.

— Então pensei: mas como isso pode acontecer comigo? Mas acontece, é uma realidade. Precisava de outro tipo de ajuda. Então fui ao psiquiatra. Me deram uma medicação que me permitiu ir melhorando com os meses. E assim foi.

O ex-tenista também comentou a chegada de Carlos Moyá à equipe e a saída de seu tio e treinador histórico, Toni Nadal. Ele negou que a contratação tenha ocorrido por recomendação direta de um psiquiatra e disse que a decisão foi tomada para dar um novo impulso ao time.

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— Acho que a história de Carlos Moyá é um pouco diferente. Em um determinado momento, decidiu-se que eu precisava de um impulso extra na equipe. Nunca foi feito com a intenção de que Toni não continuasse na equipe. Mas, depois de um tempo, Toni decidiu dar um passo ao lado.

Nadal afirmou ainda que soube pela imprensa da decisão de Toni de deixar a equipe, algo que o surpreendeu.

— Sim, é incrível. Não foi agradável naquele momento. Mas é assim. Ele não mudou de opinião. Tive uma conversa com ele depois e, evidentemente, tudo acabou como sempre. No fim, há conexões demais, coisas importantes demais que vivemos juntos. Ele é meu tio e eu o amo. Primeiro por isso, e depois por todo o resto e por tudo o que consegui graças a ele.

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