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Perdido entre os relatórios de validação estatística? Entenda melhor suas razões

Hit Rate, Drawdown, MAE e MFE são algumas das variáveis que o trader deve avaliar ao desenvolver um sistema

SÃO PAULO - Elaborar um sistema de operação está longe de ser uma tarefa fácil. Dissecar os indicadores técnicos, criar uma metodologia acima de tudo clara e objetiva, programá-la e testá-la demanda muito tempo e paciência por parte do trader, principalmente do iniciante.

Entretanto, criar um algoritmo que substitua você na tarefa de apertar o botão de compra ou venda, diminuindo, consequentemente, o nível de estresse do operador e sua dependência “não-econômica” pelo mercado, além do prazer de desenvolver cada vez mais estratégias para diferentes cenários, são algumas das recompensas do árduo trabalho.

Mas depois de todo o tempo despendido no projeto, como avaliar um sistema de operação? É preferível algo mais lucrativo, visando performance, ou mais conservador, com menor risco implícito? Ele precisa de ajustes?

Decifrando os relatórios

Ao rodar uma simulação, certamente você irá se deparar com este modelo de relatório, com inúmeras variáveis de rentabilidade, desempenho agregado e individual do sistema, curvas de capital, além das métricas de risco.

Para entender melhor os resultados, o renomado estrategista David Stendahl, autor de diversos livros sobre Trade System e Money Management, compilou em seu trabalho Evaluating Trading Performance as principais razões que o trader deve ficar atento ao validar seu sistema:

  • Profit Factor = lucro bruto dividido pelo prejuízo bruto. Este cálculo representa quanto de dinheiro o sistema gerou para cada real de prejuízo. Stendahl lembra que também é possível ajustar (criar uma base) para o cálculo.
  • Ratio average win/averege loss = razão entre a média de trades vencedores dividido pela média de trades perdedores. Em termos de avaliação, este índice é importante para o trader entender como sua estratégia se comporta dentre da distribuição; revela a “tendência” do Trade System.
  • Hit Rate = mede a taxa de acertos do sistema, ou seja, o percentual de trades lucrativos pelo número total de operações geradas.
  • Return on initial capital = quanto de lucro líquido seu sistema gerou (lucro bruto subtraído do prejuízo bruto) dividido pelo capital inicial. Outra importante métrica neste sentido é o cálculo do Retorno Anual do seu sistema, ou seja, verificar quanto de lucro ou prejuízo ele gera por período.
  • Standard deviation (Desvio padrão) = por esta medida estatística, o trader saberá a dispersão do seu sistema, ou seja, como ele se comportará em razão da média de todos os trades realizados. Quanto menor o desvio padrão, menor será a dispersão e menos volátil será seu sistema.
  • Coefficient of variation (Coeficiente de variação) = é calculado a partir da divisão entre desvio-padrão sobre a média, resultado tipicamente expresso em percentagem (multiplicado por 100). Estatisticamente, revela a variabilidade do conjunto de observações em relação à média. Na prática, demonstra quão estável é seu sistema, sendo uma medida de risco.
  • Outlier Trades = retira os trades que ficaram fora da curva normal. Neste caso, os valores que se encontram a uma distância da média a três vezes o desvio padrão. Pelo gráfico, pontos que estão à frente de 3σ e -3σ. Para executar esta conta, basta subtrair o lucro líquido da cifra contabilizada pelos outliers no período estudado.
  • MAE (Maximum Adverse Excursion) = maior prejuízo que o sistema gerou depois de acionado o ponto de entrada. Por esta métrica, saberá qual foi o pico de perda gerado em um único trade até encerrada sua posição.
  • Drawdown = é a queda percentual ou absoluta do valor de carteira de um pico até o fundo consecutivo. É uma medida de risco muito importante para o sistema.
  • Maximum Drawdown = valor máximo de drawdown gerado historicamente pelo sistema. Por esta métrica, o trader saberá qual foi a perda máxima gerada pela carteira.
  • Largest consecutive losing = contabiliza e data quais foram os maiores prejuízos consecutivos registrados pelo sistema no período analisado. Se o trader não utiliza uma estratégia de saída, este valor tenderá ser alto e influenciará diretamente no desempenho.
  • MFE (Maximum Favorable Excursion) = maior lucro que o sistema gerou depois de acionado o ponto de entrada. Por esta métrica, o trader saberá qual foi o pico de ganho gerado por seu Trade System até encerrada sua posição. Ajudará no ajuste do sistema para conseguir ajustar regras de saídas para maximizar o lucro.
  • Average run-up = é o oposto do Drawdown. Identifica qual o maior período de ganho gerado pelo sistema.
  • Largest consecutive winning = contabiliza e data qual foi a maior série de lucros consecutivos registrado pelo sistema no período analisado.
  • Percentage of time in the market = o total de tempo que o sistema mantém o dinheiro em operações, dado em percentual.
  • Longest flat period = mensura, percentualmente, o maior período que o sistema fica fora do mercado, sem realizar trades.

Muita informação?
Somente nesta matéria foram enumerados 16 indicadores para avaliação de sistemas, sendo que existem outros milhares espalhados pelas plataformas de validação estatística, sem falar das curvas de capital e desempenho.

Em meio a este emaranhado de informação, o que privilegiar ao avaliar uma estratégia? Quais critérios realmente farão a diferença para o trader? Pergunta que será respondida em breve pelo sócio-diretor da Operação Consultoria, Rogério Passos.

 

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