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A persistência do conflito no Oriente Médio e o choque prolongado nos preços do petróleo têm levado os principais bancos centrais do mundo a adotar uma postura mais conservadora na condução da política monetária. Segundo análise da XP em “Relatório Macro Mensal’, o ambiente global segue adverso, mas o Brasil aparece como um “vencedor relativo” no atual contexto geopolítico, por ser exportador líquido de diversas commodities, especialmente petróleo.
A cotação do Brent, que chegou a superar US$ 100 por barril, cerca de 65% acima dos níveis observados em janeiro, tem se mostrado mais resistente do que o inicialmente esperado. Esse movimento reforçou as pressões inflacionárias globais e levou autoridades monetárias – incluindo bancos centrais de economias avançadas – a recalibrar seus planos. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros estáveis, mas adotou um discurso mais duro, enquanto Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra já sinalizam espaço para novas altas, segundo a XP.
Nesse cenário, economias emergentes enfrentam menor margem para flexibilização monetária. Ainda assim, o Brasil se diferencia. De acordo com a casa, produtores de petróleo fora do Oriente Médio estão relativamente melhor posicionados, o que se reflete em melhora dos termos de troca, aumento das exportações e fortalecimento fiscal.
Banco Central mais cauteloso e inflação pressionada
O Banco Central do Brasil (BCB) lida simultaneamente com um choque externo de energia e um choque doméstico positivo de demanda, impulsionado por medidas fiscais e parafiscais. A XP avalia que atividade econômica e inflação ganharam tração desde o início do ano, pressionando as expectativas inflacionárias de 2026, 2027 e 2028, cada vez mais distantes da meta.
Diante desse quadro, a XP elevou a projeção para a Selic ao final de 2026 para 13,75%, ante 13,50% anteriormente. A expectativa agora é de três cortes de 0,25 ponto porcentual, seguidos por uma pausa. Para 2027, a casa manteve a projeção de juros em 11,50%, condicionada à continuidade de uma política monetária contracionista e a avanços no ajuste fiscal.
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A projeção de inflação também foi revisada. A XP elevou a estimativa para o IPCA de 2026 de 5,1% para 5,3%, refletindo a piora disseminada da inflação corrente e os impactos adicionais do conflito no Oriente Médio. Para 2027, a previsão foi mantida em 4,0%, com a apreciação cambial e os juros elevados ajudando a conter as pressões.
Câmbio mais forte ajuda a amortecer choques
Um dos principais pilares da resiliência macroeconômica brasileira segue sendo o câmbio. Mesmo em meio a uma recuperação parcial do dólar no mercado global, o real tem mostrado desempenho favorável. Segundo a XP, esse movimento decorre da posição do Brasil como “vencedor relativo” do choque de energia e da política monetária restritiva.
Com isso, a casa revisou sua projeção para o câmbio ao final de 2026 de R$ 5,30 para R$ 5,00 por dólar. A expectativa é que fluxos estrangeiros elevados e a melhora dos termos de troca ajudem a compensar eventuais aumentos nos prêmios de risco associados ao ciclo eleitoral.
No setor externo, a XP projeta melhora do déficit em conta corrente, que deve cair para 2,1% do PIB em 2026, após 3,0% em 2025, impulsionado sobretudo pelo aumento das exportações de petróleo. Para 2027, o déficit deve recuar ainda mais, para 1,9% do PIB, com desaceleração da atividade e menor demanda por importações. O Investimento Direto no País (IDP) deve permanecer robusto, em torno de 2,8% do PIB.
Fiscal segue como ponto de atenção
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Apesar do cenário externo relativamente favorável, o quadro fiscal continua desafiador. Segundo a XP, o aumento das despesas com base em receitas extraordinárias ligadas ao petróleo levou à revisão, para cima, das projeções de déficit primário em 2026 e 2027. A dívida bruta deve seguir em trajetória ascendente, alcançando 83,2% do PIB em 2026 e 87,7% em 2027.
A leitura da casa é que, embora o choque do petróleo traga ganhos temporários de arrecadação, ele não altera estruturalmente a necessidade de reformas fiscais para reequilibrar as contas públicas no médio prazo.
Maio decisivo no ambiente político
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No campo político, a XP avalia que maio será decisivo para os parâmetros de popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com os índices de aprovação estagnados desde o fim de 2025, o Planalto aposta nos efeitos de medidas de estímulo econômico, como programas de renegociação de dívidas, para melhorar a percepção do eleitorado.
Ao mesmo tempo, o debate sobre a redução da jornada de trabalho, com o possível fim da escala 6×1, deve ganhar tração no Congresso, embora traga riscos fiscais adicionais caso venha acompanhado de desonerações. A guerra no Oriente Médio e seus impactos inflacionários seguem no radar do governo, que discute o uso de receitas extraordinárias do petróleo para mitigar pressões sobre combustíveis, segundo a XP Política.
Do lado da oposição, a campanha do senador Flávio Bolsonaro tende a seguir uma estratégia mais cautelosa, buscando consolidar avanços recentes nas pesquisas sem antecipar propostas de governo. Na avaliação da XP, o cenário permanece de disputa acirrada e sem mudanças estruturais no equilíbrio eleitoral até o surgimento de um choque relevante.
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