Polêmica

“Venda da Covaxin ao Brasil teve melhores condições do que para outros países”, afirma farmacêutica indiana Bharat Biotech

Representante da farmacêutica indiana no Brasil ganhou holofote ao virar alvo da CPI da Covid por suspeita de irregularidades na compra de doses

Por  Equipe InfoMoney

SÃO PAULO – Em meio à polêmica envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde, a farmacêutica indiana Bharat Biotech divulgou comunicado global nesta quarta-feira (30) afirmando que o Brasil contou com condições melhores do que outras nações para a compra do imunizante.

De acordo com a multinacional, além de o Brasil pagar a menor faixa de preço praticada em todo o mundo, entre US$ 15 e US$ 20, o governo brasileiro não pagou valores antecipados como ocorreu com outros mercados.

No documento enviado à imprensa, a Bharat Biotech lembra que a Covaxin conta com transporte e armazenamento de longo prazo, entre 2ºC e 8ºC, sem a necessidade, portanto, de condições de armazenamento congelado – o que reduz os custos locais de infraestrutura, distribuição e logística. Os frascos multidoses também reduzem o desperdício de frascos abertos, como pode ocorrer com outras vacinas, escreve a empresa.

A farmacêutica também ressalta que a parceria com a Precisa Medicamentos, que representa a Bharat Biotech no Brasil, segue o mesmo modelo adotado em todos os países onde suas vacinas são fornecidas e nos quais não possui escritórios próprios.

Em relação ao pagamento dos imunizantes, a Bharat Biotech acrescenta que a Madison Biotech é integrante da empresa e foi criada com o propósito de Pesquisa & Desenvolvimento externo, vendas e marketing de vacinas globalmente. A companhia tem um portfólio de 20 produtos que são exportados para mais de 123 países; ela também já distribuiu mais de 4 bilhões de doses de vacinas em todo o mundo, aponta a nota.

A fabricante acrescenta ainda que a Covaxin já recebeu autorização para uso emergencial em 16 países e que tem acordos em andamento com outras 50 nações. O imunizante tem eficácia de 78% contra doença sintomática e 100% contra Covid-19 grave.

Imbróglio

A Coxavin e a representante da farmacêutica indiana no Brasil, a Precisa Medicamentos, ganharam os holofotes nos últimos dias ao virarem alvo de análise pela CPI da Covid em meio a investigações por suspeita de irregularidades na compra das doses.

Essas investigações incluem suspeita de superfaturamento na compra do imunizante e de celeridade acima do normal em relação à compra das vacinas.

A situação piorou na última semana, quando, em depoimento à CPI do Senado sobre a Covid-19, os irmãos Luís Miranda (deputado) e Luís Ricardo Miranda (servidor) apresentaram documentos e conversas que mostram que havia uma “pressão atípica” para a compra da vacina Covaxin.

Em um depoimento de mais de 10 horas, o deputado Miranda – após ser pressionado por senadores – revelou que o líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), era quem fazia a pressão para a aprovação do contrato para a compra de 20 milhões de doses da fórmula da Bharat Biotech, no valor de R$ 1,6 bilhão.

Os dois confirmaram que fizeram uma reunião com Jair Bolsonaro no dia 20 de março para apresentar diversos indícios de irregularidades no processo de compra. Naquele dia, conforme os Miranda, o presidente afirmou que pediria para a Polícia Federal investigar o caso – o que não ocorreu – e citou o nome de Barros como um dos responsáveis “pelo rolo”.

Nesta segunda-feira (28), a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse haver “grave suspeita” de indícios de favorecimento e obtenção de vantagens indevidas nas negociações para a compra da vacina indiana Covaxin contra Covid-19, alvo de uma CPI do Senado.

A manifestação de Rosa Weber foi divulgada em uma decisão que manteve pedido de quebra de sigilo de um advogado da Precisa Medicamentos.

Contrato suspenso e uso emergencial no Brasil

De forma a conseguir autorização para a “última etapa restante” para a importação e aplicação das vacinas no Brasil, a Precisa Medicamentos enviou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pedido de uso emergencial em caráter experimental da vacina Covaxin, na segunda-feira (28).

Os documentos chegaram na manhã seguinte, dia em que o ministro da Saúde Marcelo Queiroga optou pela suspensão temporária do contrato da Covaxin, diante das investigações na CPI. Ele ressaltou que não há irregularidades, mas que o ministério optou pela medida por “compliance”.

Ao InfoMoney, a Anvisa afirmou que o processo de avaliação de uso emergencial é independente dos processos de compra; a Anvisa não participa do processo de aquisição de vacinas.

“O pedido de uso emergencial é de autoria do laboratório farmacêutico e deve ser analisado de acordo com os requisitos técnicos de segurança, eficácia e segurança estabelecidos para o uso emergencial de vacinas”, disse a agência.

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