Abaixo do esperado

Varejo se junta a indicadores econômicos que decepcionaram e reforça projeções de corte de juros

Na próxima quinta, outro indicador será divulgado e pode elevar expectativas de corte de juros: o IBC-Br, considerado prévia do PIB

Mulher segurando cesta de supermercado enquanto escolhe alguns itens da prateleira
(Shutterstock)
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SÃO PAULO – Serviços, indústria e agora varejo. Os dados apresentados nesta quarta-feira (15) pelo IBGE mostraram uma avanço de 0,6% nas vendas do varejo em novembro de 2019 frente ao mês anterior, na sétima alta consecutiva.  Contudo, apesar da tendência positiva, os números frustraram e muito o consenso de mercado, que esperava uma alta de 1,2% na base mensal (segundo dados da Bloomberg), em um mês marcado pela liberação de recursos do FGTS e pela Black Friday.

Além disso, considerando os dados do varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, houve queda de 0,5% em relação a outubro de 2019, interrompendo sequência de oito meses de crescimento, período em que o varejo ampliado acumulou ganho de 5,1%. A baixa ocorreu devido ao recuo de 1% na atividade de veículos, motos, partes e peças. Os materiais de construção tiveram variação positiva de 0,1%.

“De forma geral, a abertura do dado é menos pior que o índice geral, mas entendemos que se trata de uma grande frustração de expectativa com relação ao ritmo da recuperação da atividade econômica nesse quarto trimestre de 2019”, aponta a equipe de análise econômica da XP Investimentos.

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A principal contribuição negativa para o setor foi a categoria de veículos (com queda de 1% na base mensal) e que representa cerca de 24,2%, assim como as categorias de combustíveis, vestuário e papelaria (que representam 15,2% do setor).

Já do lado positivo, o comércio de móveis e eletrodomésticos, artigos farmacêuticos, equipamentos e materiais para escritórios, material de construção e outros artigos de uso pessoal (que juntos representam cerca de 30,1% do setor varejista) tiveram um bom desempenho.

O Bradesco BBI destaca que, apesar do dado decepcionante, o indicador apresenta um desempenho muito sólido ao longo do ano passado. “De fato, apesar da desaceleração temporária observada em novembro, as vendas do varejo ampliado registraram um crescimento médio de 0,5% no período entre janeiro e novembro de 2019. Por enquanto, continuamos vendo as vendas no varejo como um dos motores mais importantes para o crescimento da atividade econômica, apesar de alguns prováveis ajustes temporários”, avaliam os economistas do banco.

Porém, conforme aponta o Credit Suisse, os números mostram alguma moderação na tendência positiva da atividade econômica observada nos últimos meses, após os números mais fracos do que o esperado para a produção industrial e para o setor de serviços.

“O resultado também aumenta a probabilidade de o PIB crescer próximo de 0,5% no quarto trimestre de 2019, em comparação com o cenário base de 0,8%. Isso pode ser reforçado se determinadas medidas implementadas pelo governo federal para aumentar o consumo das famílias no final de 2019 (ou seja, liberação do FGTS) tenham impacto apenas limitado nos principais indicadores econômicos em dezembro”, avaliam os economistas do Credit.

Assim, em termos de política monetária, esse cenário aumenta a probabilidade de que a autoridade monetária reduza a taxa de juros básica em 25 pontos-base na próxima reunião de 5 de fevereiro, visão esta reforçada também pela XP.

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Esse cenário de continuidade do corte de juros, inclusive, tem levado à queda das principais taxas de juros futuros e à disparada do dólar, até R$ 4,18, na sessão desta quarta-feira.

O câmbio sofre com essas apostas, uma vez que com os juros mais baixos no Brasil o diferencial em relação às taxas cobradas nos Estados Unidos diminui e, como os EUA são a maior economia do mundo e seus títulos os mais seguros, o país naturalmente atrai mais investimentos.

Aliás, a XP ressalta um fator que pode corroborar a expectativa pelo corte de juros ou afastar a ideia de que novas mudanças possam acontecer: “se o IBC-Br de novembro que será divulgado na quinta-feira apresentar um quadro de recuperação aquém do esperado, acreditamos que a discussão sobre Selic terminal abaixo de 4,25% ganhará força”.

A estimativa, de acordo com consenso da Bloomberg, é de uma queda de 0,10% do indicador, considerado uma prévia do PIB, na comparação com novembro. O dado será revelado pelo Banco Central às 9h (horário de Brasília) da quinta e será acompanhado de perto pelo mercado, uma vez que pode ser importante para determinar os próximos passos da política de juros.

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