Combate ao coronavírus

Vacinação em SP começa em janeiro e resultado da CoronaVac sai no dia 15 de dezembro, diz Doria

Doria questionou o prazo de vacinação apresentado pelo Ministério da Saúde: "Se podemos fazer em janeiro, por que começar em março?"

Governador de SP, João Doria, com caixa da vacina CoronaVac (REUTERS/Amanda Perobelli)

SÃO PAULO – Nesta quinta-feira (3), mesmo dia em que os insumos da CoronaVac chegaram a São Paulo, João Doria (PSDB), governador paulista, anunciou que a vacinação contra a Covid-19 começa em janeiro no estado.

A CoronaVac é a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. É um dos imunizantes mais avançados atualmente em termos de desenvolvimento (conheça outras vacinas em estágio de desenvolvimento avançado).

Até o momento, apenas quatro vacinas no mundo, das dez que estão na fase três de testes, a última antes da aprovação, apresentaram resultados de eficácia: a vacina da Pfizer em parceria com a BioNTech (95% eficaz); a da Moderna (94% eficaz); a da Oxford em parceria com a Astra Zeneca (até 90% eficaz, mas com resultados questionados posteriormente) e a vacina Sputinik V, do laboratório russo Gamaleya (92% de eficácia).

Em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, o governador afirmou que, atualmente, o estado dispõe de pouco mais de um milhão de doses. Até a primeira quinzena de janeiro, São Paulo contará com 46 milhões de doses, o suficiente para imunizar praticamente metade do estado, considerando o regime de aplicação em duas doses e a população de aproximadamente 45 milhões de habitantes.

Doria ainda disse que espera que a CoronaVac não fique restrita aos paulistas e questionou o prazo de vacinação apresentado pelo Ministério da Saúde. A pasta tem a perspectiva de começar a vacinação contra a doença em março de 2021 e finalizar a campanha somente em dezembro, quando haveria doses suficientes para imunizar toda a população.

“Se o Ministério da Saúde tiver juízo e competência, São Paulo poderá oferecer a outros estados a vacina CoronaVac. Registro a minha indignação ao anúncio do governo federal de que iniciaria a imunização apenas no mês de março. Se podemos fazer em janeiro, por que começar em março?”, questionou Doria.

O governador pontuou que São Paulo irá iniciar a imunização “de forma responsável, seguindo a lei e cumprindo com os protocolos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)” e anunciou que irá divulgar, na próxima segunda-feira (7), o plano de vacinação paulista para a aplicação da CoronaVac.

Em meio a críticas sobre como o governo federal vem conduzindo o combate à pandemia no Brasil, Doria afirmou que espera que a vacina do Butantan seja incluída no Programa Nacional de Imunização (PNI), e caso contrário, irá começar a vacinação em São Paulo de qualquer forma.

“Eu indago se o membros do governo federal não enxergam o fato de que temos mais de 500 brasileiros que morrem todos os dias no Brasil. Vamos perder mais 60 mil vidas esperando até março? Em São Paulo, não vamos aguardar até março e não vamos enterrar mais brasileiros”, afirmou o governador.

Vacina ainda precisa de aprovação da Anvisa

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Para que a vacina possa ser usada no país, é preciso que o imunizante seja licenciado pela Anvisa, após o órgão analisar diversos parâmetros da vacina (veja algumas regras para a autorização). Um dos aspectos avaliados envolve os níveis de eficácia, ainda desconhecidos no caso da CoronaVac.

Mas, como explicou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, a CoronaVac já está com todo o dossiê para o registro sendo encaminhado para o órgão. Os dados de eficácia serão divulgados no começo de dezembro.

“Até o próximo dia 15 de dezembro, teremos a apresentação dos resultados de eficácia da CoronaVac. A CoronaVac é a primeira vacina a ser produzida aqui no Brasil e deve ser a primeira vacina que poderá ser utilizada”, afirmou Covas.

Ainda segundo Covas, o Instituto Butantan não entrará com o pedido de aprovação emergencial para a vacina, já que deve pedir o registro definitivo do imunizante.

“Todas as vacinas que tiverem segurança e eficácia comprovada devem ser incluídas no PNI [Programa Nacional de Imunização]. Só assim poderemos vacinar os brasileiros do Brasil, e não apenas o brasileiros de São Paulo. O Butantan é do Brasil e a CoronaVac também”, completou Jean Gorinchteyn, secretário estadual de Saúde.

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