Ucrânia e Polônia tentam aparar arestas na questão da exportação de grãos

Nesta semana, o presidente Zelensky disse na ONU que é “perturbador” que parceiros da UE estejam "ajudando" a Rússia ao impor restrições

Roberto de Lira

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky participa da Assembleia Geral da ONU em Nova York (Adam Gray/Getty Images)

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Os ministérios da Agricultura da Ucrânia e da Polônia devem se reunir nos próximos dias para aparara arestas e renegociar termos de permissão de exportações de grãos ucranianos. A temperatura dos debates subiu nos últimos dias, após a Ucrânia ter entrado com uma queixa formal na Organização Mundial do Comércio contra os seus três vizinhos da União Europeia (Polônia, Eslováquia e Hungria) sobre as proibições aos seus cereais.

Na semana passada, num movimento contrário ao defendido pela União Europeia, Polônia, Hungria e Eslováquia anunciaram proibições às importações de alimentos ucranianos para os seus mercados locais. A Croácia se juntou ao grupo nesta semana. Os quatro afirmaram que vão continuar a permitir que esses produtos atravessem as suas fronteiras, mas para regiões onde as pessoas passam fome, como a África.

Também houve forte reação de autoridades polonesas após o presidente Volodymyr Zelensky ter discursado na terça-feira (19) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), classificando como “perturbador” que parceiros da União Europeia pareçam desempenhar o seu próprio papel enquanto estão ajudando o governo da Rússia.

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Mesmo sem a Polônia ter sido diretamente citada, o presidente Andrzej Duda deu entrevista em Nova York comparando o líder ucraniano a alguém que que está se afogando e se agarra a qualquer coisa que pode, tornando-se perigoso até para quem quer salvá-lo.

Coincidência ou não, o primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, anunciou na quarta-feira (20) que o país deixará de enviar armas para a Ucrânia, a fim de se concentrar os gastos militares na modernização sua própria defesa.

O governo polonês tem sido pressionado por lideranças do setor agrícola, que se queixam de condições competitivas desiguais dos grãos da Ucrânia nas vendas para países europeus, em meio a uma campanha política para as eleições parlamentares no próximo mês.

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Katarzyna Pełczyńska-Nałęcz, ex-embaixadora polonesa em Moscou, comentou o jornal Fakt que a externalização do conflito econômico não ajuda nem a causa ucraniana nem a segurança de seu país. “Ambos os lados perdem com isso, especialmente quando discutimos na arena global, na presença de países terceiros”, alertou.

O governo polonês ficou particularmente incomodado porque foi um dos que mais ajudou no esforço de guerra ucraniano desde o ano passado. Na ONU, Duda reforçou em seu discurso oficial a solidariedade com o país invadido, comparando a situação com o ataque à sua nação pela Alemanha nazista em 1939, que precipitou a Segunda Guerra Mundial.

“É precisamente por isso que compreendemos a tragédia da Ucrânia melhor do que qualquer outro país do mundo, e a tragédia de outros países que vivem o pandemónio da guerra”, afirmou.

Ele também declarou que a posição da Polônia face a qualquer guerra é clara e simples: exiges respeito absoluto pelas fronteiras nacionais reconhecidas internacionalmente. “A inviolabilidade destas fronteiras é um elemento fundamental da ordem mundial. Hoje, a vítima é a Ucrânia. Amanhã, poderá ser qualquer um de nós, se não seguirmos estas regras rígidas, se não impormos insistentemente o cumprimento do direito internacional.”

Ele defendeu também os países que ajudam a Ucrânia militarmente, que muitas vezes são acusados ​​de prolongar a guerra. “Essa é uma lógica completamente falsa. Como se estivesse colocando a culpa em um vizinho que vem ajudar os vizinhos a defender sua própria casa contra um assaltante”, comparou.