O que está acontecendo no Equador? Entenda como onda de violência pode impedir reformas

Combate ao crime organizado é parte dos planos do presidente Daniel Noboa, que busca mais eficiência com redução de despesas e um novo acordo com o FMI

Roberto de Lira

Daniel Noboa, presidente do Equador

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Ao menos 10 pessoas morreram ontem durante a onda de violência no Equador, informam os órgãos de imprensa locais. Segundo o jornal Extra, as ruas da capital Quito estão vazias e o centro histórico da cidade está fortificado por militares e com tanques do Exército após vários incidentes terem sido registrados na terça-feira (9).

A violência eclodiu enquanto o governo tenta prosseguir em um plano de austeridade e se prepara para realizar um referendo com uma série de medidas de segurança e de investimentos.

O país está sob um decreto de “estado de exceção” há dois dias e desde ontem o presidente Daniel Noboa definiu a situação como de “conflito armado interno”, dando mais poderes de segurança pública às Forças Armadas.

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O combate aos grupos do crime organizado no país é apenas uma parte dos planos de Noboa, político de 36 anos que assumiu o cargo no final de novembro, após um ano tumultuado, que incluiu a dissolução do Congresso pelo ex-presidente Guillermo Lasso, e o assassinato do candidato e ativista anticorrupção Fernando Villavicencio, em agosto, lembra a Bloomberg.

O Equador pretende cortar gastos em cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) enquanto o paí enfrenta crises fiscais, de dívida e de segurança, disse no final do ano o ministro das Finanças, Juan Carlos Vega. A nova administração planeja ainda reduzir o número de empreiteiros públicos e reduzir as ineficiências nas empresas estatais para ganhar o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) para um novo programa de financiamento.

O governo gostaria de assinar um acordo stand-by com o FMI, mas busca pelo menos um selo de aprovação da instituição, o que facilitaria o acesso do Equador a empréstimos de outras fontes.

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Fuga da prisão

O estopim da nova onda violência foi aceso com a fuga da prisão no dia 7 do narcotraficante Adolfo Macías, vulgo “Fito”, o líder da gangue criminosa Los Choneros. Esse fato desencadeou vários motins em diferentes prisões no país e ordens dos líderes para iniciar uma série de ataques.

As autoridades equatorianas atribuíram os problemas exatamente ao aumento dos esforços para combater o tráfico de drogas e o crime organizado, à medida que lutavam para controlar surtos de violência que resultaram na morte de mais de 400 detentos desde o início de 2020.

A maior parte das vítimas ontem foi em Guayaquil, cidade que foi alvo dos ataques mais violentos de grupos de criminosos. A prefeitura da cidade informou que atendeu mais de 1 mil ocorrências desde as 14 horas da terça-feira (9), incluindo ataques a prédios públicos, saques em estabelecimentos comerciais e ameaças de bombas.

A ação mais ousada dos criminosos foi transmitida ao vivo, quando um grupo de pessoas encapuzadas invadiu o estúdio da TC Televisión usando armas e mostrando o que seriam explosivos para as câmeras. Vários funcionários foram feitos reféns e a polícia só conseguiu controlar a situação algumas horas depois, prendendo ao menos 13 pessoas.

Em Quito, a área comercial do centro histórico permaneceu a maior parte do tempo fechada após ameaças de saques e o transporte público tem sofrido interrupções seguidas, enquanto a polícia e as Forças Armadas estão em patrulha constante.

A piora no quadro de segurança tem afetado o otimismo dos investidores. O dinheiro prontamente disponível nas contas do Tesouro caiu para apenas US$ 95 milhões na primeira semana do mês, o nível mais baixo em 18 anos, forçando o ministério a angariar US$ 3 bilhões para pagar salários e governos locais através de uma série de medidas provisórias.

(com Bloomberg)