Núcleos do PCE de 3 e 6 meses dentro da meta esquentam debate sobre juros nos EUA

Há discussão sobre qual métrica será considerada pelo Fomc nas próximas reuniões para definir início dos cortes; Paul Krugman diz que "batalha contra a inflação acabou"

Roberto de Lira

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Qual métrica de inflação nos EUA deve ser observada para as projeções de decisões futuras sobre juros pelo Federal Reserve? Essa pergunta voltou à tona nesta sexta-feira (26), após a divulgação do índice de preços dos gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês).

Os dados do mês de dezembro e de 12 meses corroboram a leitura de uma desaceleração gradual, mas um recorte mais detalhado indica que os preços já estão rodando dentro da meta de 2%.

O núcleo do PCE teve um aumento marginal de 0,2% (ante 0,1% em novembro), enquanto no acumulado de 12 meses se encontra em 2,9% (ante 3,2% no mês anterior).

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Mas a Moody´s Analytics destacou que, a média móvel anualizada de 3 meses está em 1,5%, enquanto a média de 6 meses está em 1,9%, portanto, dentro da meta.

Essa situação foi ilustrada hoje pelo economista Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia de 2008. O hoje colunista do jornal The New York Times descreve a situação como “um conto de duas medidas de inflação” em sua conta na rede social X. Para ele, quando analistas citam apenas a variação do núcleo tradicional, é uma “negligência profissional”.

Para o economista, também não faz sentido citar a variação da inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês). “O CPI anual cria uma impressão espúria de uma inflação obstinada, com um último quilômetro difícil de percorrer. O PCE dá menos peso à habitação e, no curto prazo, nos diz que já percorremos a última milha”, explica.

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Krugman vai mais longe e diz que a “batalha contra a inflação acabou” e que agora é preciso se preocupar se os efeitos defasados ​​dos aumentos das taxas de juros podem levar os EUA a uma recessão desnecessária.

Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, diz reconhecer que o núcleo da inflação do PCE está rodando perto da meta nos últimos 6 meses e que isso pode levar o Fed a antecipar o corte de juros para o segundo trimestre de 2024. Mas ela adverte que várias medidas de inflação subjacente continuam elevadas, que os salários subiram acima da produtividade e que o mercado de trabalho permanecer aquecido.

Já Gustavo Sung, economista chefe da Suno Research, observa que os dados de hoje são positivos para o cenário do banco central norte-americano, mas pondera que o “segundo processo de desinflação” é mais lento do que a primeiro e, por isso, a autoridade monetária não terá pressa em mudar o atual plano de voo.

“Ainda há um caminho a percorrer para que haja uma convergência da inflação para a meta de longo prazo, de 2,0%”, afirma.

“Nossa expectativa, caso não haja choques que pressionem a inflação, é de uma desaceleração dos preços ao longo dos próximos meses, com uma inflação se aproximando da meta no terceiro trimestre deste ano. Esse cenário seria um gatilho para o início de corte na taxa de juros entre maio e junho deste ano.”