Ligeira alta na produção industrial é insuficiente para mudar tendência de estagnação, dizem analistas

Condições monetárias restritivas e o elevado endividamento das famílias devem manter tendência de esfriamento na indústria

Publicidade

O respiro na produção industrial brasileiro em outubro, que mostrou alta de 0,3% ante setembro após duas quedas consecutivas, não será suficiente para modificar a tendência de desaceleração nos próximo, de acordo com a opinião de economista e analistas de mercado.

A avaliação é que o momento de normalização de estoques somado às condições monetárias mais restritivas e o elevado endividamentos das famílias, com efeitos sobre a demanda doméstica, devem manter a produção estagnada.

Segundo o relatório XP Macro, o efeito de carry-over (carregamento) estatístico da produção industrial do trimestre encerrado em setembro para o quarto trimestre de 2022 foi de -0,4%. “A produção manufatureira está 1,1% abaixo do nível registrado em dezembro de 2021 e 2,1% abaixo da marca pré-pandêmica”, destaca o texto

Continua depois da publicidade

Para a XP, especialmente as categorias de Bens de Capital deve prejudicar a PIM nas próximas divulgações. Essa categoria surpreendeu e despencou 4,1% em outubro em relação a setembro, bem mais do que a estimativa e deve trazer carregamento de -2,7% para o último trimestre do ano.

Especificamente o grupo de Máquinas e Equipamentos recuou 9,1% na comparação mensal, encerrando uma sequência de dois avanços consecutivos. “Além disso, a categoria de bens de consumo duráveis encolheu 2,7% em outubro, ficando 5% abaixo do nível de dezembro de 2021 e impressionantes 18,8% abaixo da marca pré-pandêmica”, aponta a XP.

Por outro lado, duas das quatro categorias industriais avançaram em outubro ante setembro. A produção de Bens Semi e Não Duráveis ​​avançou 0,3% após duas quedas mensais expressivas (com contração acumulada de 3,5%).

A recuperação em Alimentos, que saiu de uma queda de 4,2% em setembro para uma alta de 4,8% foi o destaque positivo, impulsionada pela recuperação da fabricação e refino de açúcar (+21,2%), pelo impacto do atraso no processamento da cana devido às condições climáticas.

Dada essa tendência captada em outubro, a estimativa preliminar da XP para a produção industrial de novembro é de queda de 0,2% mensal, com alta de 0,6% na anual.

O Goldman Sachs também diz ver no futuro ventos contrários para atividade relacionados ao impacto defasado da de juros mais alta e pelos retornos marginais decrescentes da normalização da atividade pós-pandemia.

Continua depois da publicidade

O que pode compensar um pouco esse quadro é o impacto das transferências fiscais para as famílias, que “devem amortecer a esperada desaceleração da atividade”.

O banco de investimentos projeta que a produção industrial no quarto trimestre deve mostrar queda de 0,4%. Para o ano, a projeção é de -0,7%

Fraqueza generalizada

O Itaú também considera que, apesar de a produção industrial em novembro ter vindo ligeiramente mais forte do que a estimativa, a divulgação mostrou fraqueza generalizada em outubro, com o setor manufatureiro permanecendo estável e com baixo índice de difusão.

Continua depois da publicidade

“Olhando para frente, o carry over da produção industrial do quarto trimestre é de -0,4%. Esperamos que o setor permaneça relativamente estável nas próximas divulgações, o que significa que a produção industrial pode encerrar o quarto trimestre em campo negativo”, diz relatório assinado por Natália Cotarelli e Matheus Fuck.

O BTG Pactual afirma que apesar do avanço no mês, a composição mostrou leitura negativa, com queda em 19 dos 26 ramos pesquisados. “Para o quarto trimestre, esperamos que a indústria continue em processo de desaceleração, impactado negativamente pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração das perspectivas com a demanda global”, diz relatório do banco.

O banco destaca que o indicador de confiança antecedente de novembro da FGV recou 3,6 pontos, registrando deterioração do sentimento para as expectativas e para a situação atual. “Os entrevistados relataram percepção da redução da demanda interna e externa, aumento do nível de estoques e política monetária contracionista.”

Continua depois da publicidade

Para o Bradesco BBI, a desagregação das subindústrias na PIM continuou a apresentar um quadro sombrio. “De fato, Bens de Capital mantiveram comportamento bastante errático, com alta volatilidade entre os meses, mas principalmente andando de lado desde 2021”, comenta relatório.

“Além disso, o péssimo desempenho das subindústrias mais uma vez reforça nossa visão de um provável período negativo para a atividade econômica nos próximos meses, já que as altas taxas de juros continuam afetando a economia.”