Governo reúne setores de máquinas, calçados, plástico e têxtil para discutir tarifaço

Reuniões coordenadas pelo Ministério da Indústria servirão para calibrar pacote de apoio às empresas

Agência O Globo

Imagem de drone mostra contêineres e navios no porto de Santos - 
03/04/2025
(Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Imagem de drone mostra contêineres e navios no porto de Santos - 03/04/2025 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

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O governo federal se reúne nesta terça-feira (21) com com representantes de alguns dos setores mais afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

As reuniões serão lideradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mas também devem contar com a participação da Fazenda.

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Segundo o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, os segmentos mais atingidos pela nova taxação, que começa a valer amanhã, são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.

Devem ser ouvidos hoje a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), segundo interlocutores. Outras reuniões devem acontecer na quarta-feira.

A orientação do governo é ouvir individualmente os segmentos atingidos para mapear perdas de contratos, riscos para a produção, impactos sobre empregos e necessidade de crédito. A partir desse diagnóstico, a equipe econômica pretende calibrar o alcance das medidas de socorro, que deverão respeitar as limitações fiscais e priorizar os setores mais vulneráveis.

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As reuniões ocorrem poucos dias após o anúncio de que o Executivo estruturará um programa de apoio às empresas afetadas pela decisão do presidente americano Donald Trump. Entre as alternativas em estudo estão a ampliação de instrumentos já existentes do Plano Brasil Soberano, novas linhas de financiamento, reforço às ações de promoção comercial e iniciativas para acelerar a abertura de mercados alternativos às exportações brasileiras.

A avaliação do governo é que ainda não há um retrato preciso dos impactos da sobretaxa sobre cada cadeia produtiva. Por isso, a estratégia será construir as medidas em conjunto com representantes do setor privado antes de anunciar o volume de recursos e os mecanismos que serão utilizados.

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Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não deixará empresários, agricultores, caminhoneiros e trabalhadores “na mão”, mas ressaltou que qualquer ação será tomada de forma criteriosa e em consonância com o compromisso fiscal. Segundo ele, a prioridade é proteger os setores atingidos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Paralelamente ao diálogo com o setor produtivo, o Brasil mantém conversas com autoridades americanas e estuda os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e na Organização Mundial do Comércio (OMC), embora a avaliação seja de que uma eventual reação comercial dependerá da evolução das tratativas bilaterais.