Pandemia de Covid-19

Governo de SP suspende apoio ao sistema Anchieta-Imigrantes; idosos de 69 a 71 anos têm nova data de vacinação

Medida busca reforçar que "quarentena não é férias", para vice-governador. Três faixas da Imigrantes e duas faixas da Anchieta operarão em cada sentido

Santos, em São Paulo
Santos, em São Paulo (Wikimedia Commons/Diego Silvestre/Flickr)

SÃO PAULO – Rodrigo Garcia, vice-governador de São Paulo, anunciou nesta sexta-feira (19) a suspensão da Operação Descida no sistema Anchieta-Imigrantes durante a Fase Emergencial do Plano São Paulo contra a Covid-19.

O objetivo é desestimular o fluxo de veículos da capital para o litoral pelo Sistema Anchieta-Imigrantes. O anúncio foi realizado em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

A medida surge um dia após Bruno Covas, prefeito de São Paulo, anunciar a antecipação de cinco feriados municipais para criar, na prática, um feriado de dez dias entre 26 de março e 4 de abril. A medida entra em vigor já nesta sexta-feira e é válida até o dia 30 de março, segundo decreto publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial. Mas será prorrogada até o fim desse “feriadão”, afirmou João Octaviano, secretário de Logística e Transportes do estado.

Três faixas da rodovia Imigrantes e duas faixas da rodovia Anchieta operarão para cada um dos sentidos. Ficam suspensas as operações de apoio Descida e Subida no período, informou o secretário.

“A gente quer reafirmar com esse cancelamento que quarentena não é férias,” disse Garcia. “Nós faremos de tudo para desestimular qualquer deslocamento de São Paulo de pessoas para o litoral de São Paulo ou outras cidades turísticas”. “A intenção clara do estado é desestimular qualquer viagem que não seja essencial”, complementou Octaviano.

A coletiva também teve a participação de Rogério Santos, prefeito de Santos, que confirmou o fechamento das praias e do calçadão da cidade. “Pessoas de outros lugares: não venham para a Baixada Santista”, disse. “O recado é claro.”

Mais cedo, João Doria (PSDB), governador de São Paulo, criticou Covas, afirmando que “faltou bom senso” na decisão de antecipar feriados. “As prefeituras têm autonomia para suas decisões, e nós reconhecemos isso. Mas há certas decisões que o bom senso recomenda que sejam compartilhadas previamente com o governo, dado o fato de que a decisão de uma cidade muitas vezes implica impacto nas cidades vizinhas”, afirmou o governador, em coletiva no Instituto Butantan. “Faltou aí um pouco de bom senso da Prefeitura de São Paulo em fazer esse compartilhamento prévio, para evitar exatamente o mal-estar que acabou provocando”.

O governador acredita que a decisão, unilateral, não contemplou a necessidade de outras prefeituras, em especial as de cidades litorâneas, que temem uma superlotação de praias.

Em nota, Bruno Covas afirmou que estava fazendo tudo o que podia por sua cidade. “O senso que falta é o senso de urgência. Aqui na prefeitura tem menos falação, foco no trabalho e colaboração”, disse. “Faço o máximo que posso para defender o povo da minha cidade. Sempre aberto a colaborar com outras cidades e com o governo do estado. Mas cada um precisa assumir suas responsabilidades.”

Vacinação contra Covid-19 é antecipada

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O governo também antecipou em dois dias, para o dia 27 de março, a vacinação contra Covid-19 de idosos entre 69 a 71 anos de idade. Segundo Garcia, quase um milhão de paulistas poderão ser vacinados a partir do dia 27 por meio dessa antecipação.

É o segundo adiantamento anunciado nesta semana: a vacinação de idosos entre 72 e 74 anos começou nesta sexta-feira (19), três dias antes do esperado. Essa etapa contempla cerca de 730 mil paulistas.

Somando as vacinações de trabalhadores de saúde, indígenas, quilombolas e pessoas acima de 69 anos, o governo de São Paulo estima que cerca de 5,1 milhões de pessoas podem receber a vacina.

Ocupação de leitos e média de óbitos seguem em alta

A ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) chegou a 90,6% em todo o estado de São Paulo, aumento em 0,7 pontos percentuais desde a última atualização, na quarta-feira (17). Na Grande São Paulo, o número atingiu a marca de 91% de ocupação.

“As internações mostram o quanto nós temos que orientar ainda mais, para que as pessoas atendam às nossas solicitações e fiquem em casa”, disse Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde.

Já a média diária de óbitos nesta semana epidemiológica teve mais um crescimento expressivo nesta semana. Pela primeira vez na média semanal, mais de 400 pessoas estão morrendo de Covid-19 diariamente no estado. O aumento em relação à semana epidemiológica anterior é de 29,7%.

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