Combate ao coronavírus

Governo de SP amplia horário de funcionamento de comércios, mas restringe atuação de bares

A decisão passa a valer a partir deste sábado (12) em todos os municípios do estado de São Paulo

Viewpoint of Paulista
(Fernando Fileno/ Getty Images)

SÃO PAULO – Nesta sexta-feira (11), o governo de São Paulo anunciou que irá alterar os horários de funcionamento de comércios, bares, lojas de conveniência e restaurantes no estado.

Com as mudanças, houve uma ampliação de 10h para 12h na jornada de funcionamento do comércio e de shoppings. Por outro lado, houve redução no horário dos bares. Esses estabelecimentos devem fechar até as 20h.

Lojas de conveniência e restaurantes poderão manter seu funcionamento até as 22h, embora a venda de bebidas alcoólicas seja permitida apenas até as 20h. Todos os estabelecimentos devem operar com 40% da capacidade original.

A decisão passa a valer a partir de amanhã (12), para todos os municípios do estado.

Segundo o governo de São Paulo, o horário reduzido para vendas de bebidas alcoólicas visa diminuir aglomerações na noite paulistana, principalmente entre os mais jovens.

“O grupo etário que mais nos preocupava era de idosos, já que representam 77% dos casos graves e mortes no estado. Porém, o que temos observado é uma mudança no perfil etário da pandemia em São Paulo.  Nas últimas três semanas, a faixa etária mais atingida foi entre 30 e 50 anos”, explicou Jean Gorinchteyn, secretário estadual da saúde, em coletiva de imprensa na sede do Instituto Butantan (São Paulo).

Como explicou Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do estado, as medidas anunciadas também são uma estratégia para evitar o contágio pelo novo coronavírus durante as compras de Natal e fim de ano.

“Nos últimos dias, dialogamos com diversas associações do comércio. Foi unânime esse horário de funcionamento para o fim do ano. Vimos que era muito importante realizar um ajuste nos horários de funcionamento”, afirmou Patrícia na mesma coletiva.

Gorinchteyn disse que o estado, com ajuda dos municípios, irá ampliar as fiscalizações “nas mais de 100 municipalidades com densidade demográfico superior a 70 mil habitantes” para garantir que as novas normas de funcionamento possam ser cumpridas. Cristina Megid, diretora técnica da Secretaria Estadual da Saúde, explicou que, a partir de amanhã, a fiscalização da Vigilância Sanitária do estado irá contar com mil novos agentes para ajudar na fiscalização.

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“Temos feito um grande esforço e vamos atuar mais fortemente no horário noturno. A população precisa entender que isso não é punição. O papel da vigilância é promover a saúde da população, através da fiscalização das regras que preservam essa saúde. Nós somos parceiros da população do estado”, afirmou Cristina.

Gorinchteyn também anunciou que irá ampliar em dois mil o número de novos leitos destinados pa pacientes diagnosticados com Covid-19 em São Paulo. “Lembrando que, no pré-pandemia, a Secretaria de Saúde contava com 3,5 mil leitos de UTI. Este número foi ampliado para 8,5 mil leitos de UTI, mais de 140% de aumento. Desses 8,5 mil leitos, 2 mil não estão habilitados pelo Ministério da Saúde. Então, o anúncio do governo do estado de São Paulo hoje é que ele garantirá o funcionamento desses 2 mil leitos para atendimento dos pacientes Covid”, completou Eduardo Ribeiro, secretário-executivo da Saúde.

Entretanto, as mudanças nos horários de funcionamento dos comércios durante este fim de ano não alteram em nada o planejamento do Plano São Paulo, explicou João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19. “Fica agendado para o início do mês de janeiro a nova reclassificação do Plano SP”, explicou Gabbardo.

No dia 30 de novembro, João Doria (PSDB), governador de São Paulo, havia anunciado que todo o estado voltaria para a fase amarela do Plano SP, de reabertura da economia durante a pandemia do novo coronavírus. O horário de funcionamento para atendimentos presenciais ficou restrito até dez horas por dia e o total de ocupação limitado a 40%.

Como anda a vacinação em São Paulo

João Doria, governador de São Paulo, afirmou nesta sexta-feira (11), durante o 19º Fórum Empresarial LIDE, que o estado já tem 6,125 milhões de doses da CoronaVac atualmente. A CoronaVac é a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Vale lembrar que a CoronaVac ainda não recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por enquanto, a CoronaVac apenas mostrou resultados satisfatórios sobre as fases 1 e 2 de testes, revelando-se segura e capaz de produzir uma resposta imune do organismo contra o coronavírus em 97% dos casos, conforme estudo publicado na revista científica The Lancet. Dimas Covas, diretor do Butantan, afirmou que os estudos sobre eficácia da fase 3 devem ser divulgados no dia 15 de dezembro.

Um dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou ao jornal O Globo que quer apresentar um voto criando uma exceção, para autorizar a aplicação de vacinas mesmo sem registro na agência. Governadores buscam o mesmo, mas evocam a apelidada “Lei Covid”. Ela permite o uso de uma vacina no Brasil se o imunizante tiver o aval de agências sanitárias de alguns países específicos, sem depender de uma aprovação nacional.

“Torcemos pelas vacinas, e não pela vacina”, disse Doria nesta sexta-feira. “Para a imunização de 215 milhões brasileiros ao mesmo tempo, em um país de dimensões continentais, vamos precisar de várias vacinas e adaptadas às condições climáticas. Algumas vacinas precisam de estrutura de refrigeração em 70 graus Celsius negativos. Não serão todas as regiões que terão essa estrutura logística, mas há locais onde essas vacinas poderão ser usadas e não devemos descartá-las”, acrescentou o governador.

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Doria anunciou o começo da produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan nesta quinta-feira (10). Até o final de janeiro, a projeção do estado é chegar a 46,120 milhões de doses. Até o final de fevereiro, 60 milhões. Cerca de 4 milhões de doses foram disponibilizadas a outros estados brasileiros. Segundo Doria, 11 governadores formalizaram o interesse pelas vacinas.

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