Exportações do Brasil para os EUA até agosto são as menores desde 2023

Segundo a Amcham Brasil, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, uma queda de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado

(Amanda Garcia/Imagem gerada com auxílio de IA)
(Amanda Garcia/Imagem gerada com auxílio de IA)

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A agressiva política tarifária americana trouxe visíveis impactos negativos na relação comercial com o Brasil neste ano. As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, uma significativa queda de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a mais nova edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat, o recuo no período representa cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas – o que levou as exportações brasileiras ao mercado norte-americano ao menor valor para o período desde 2023.

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Evolução do comércio bilateral

Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, destacou em nota que o comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. “Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”, afirmou.

Especificamente em agosto, as exportações brasileiras aos EUA cresceram 12,1% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025. Mas mesmo esse avanço foi acompanhado por queda de 17,3% na quantidade exportada, que atingiu o menor nível para um mês de agosto desde 2021.

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Segundo a Amcham Brasil, o crescimento em valor foi sustentado pelo aumento dos preços médios, embora produtos como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café também tenham registrado altas relevantes em quantidade. 

A associação destacou que a comparação ocorre sobre uma base já impactada pelas tarifas adicionais de 40% e 50%, implementadas pelos Estados Unidos a partir de agosto do ano passado. “Apesar do crescimento das exportações em valor em agosto deste ano, os produtos atualmente sujeitos às sobretaxas mais elevadas, de 25% a 37,5%, registraram queda de 10,5%”, informou a Amcham.

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Sobretaxas

No acumulado de janeiro a agosto, diz a associação, as exportações dos produtos sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5% tiveram retração ainda mais acentuada, de 29,1%, passando de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões. Considerando todos os bens com sobretaxas, a queda foi de 11,4%, enquanto os produtos sem sobretaxas recuaram 8,3%. 

Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas exportações ao mercado norte-americano no acumulado do ano. Entre as maiores retrações estão madeira de coníferas (-55,3%), fumo não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%). 

Do lado das importações, agosto marcou o segundo mês consecutivo de crescimento, após sete meses de retração. As compras brasileiras de produtos norte-americanos avançaram 1,1% no mês. No acumulado do ano, porém, permanecem em queda.

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O Monitor da Amcham Brasil mostra que a retração das vendas brasileiras aos Estados Unidos no acumulado do ano alcançou os três grandes setores da economia, em contraste com o desempenho das exportações brasileiras para os demais mercados, que registraram crescimento em todos eles. 

Entre janeiro e agosto, as exportações da indústria de transformação aos Estados Unidos caíram 4,9%, enquanto as vendas do setor para o restante do mundo cresceram 6,6%.

Na indústria extrativa, as exportações para os Estados Unidos recuaram 28,9%, enquanto avançaram 19,6% para os demais mercados.

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Na agropecuária, os embarques para os Estados Unidos caíram 26,7%, enquanto cresceram 9,5% para o restante do mundo.

Na indústria de transformação, responsável por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, a queda de 4,9% representa a primeira retração das vendas ao mercado norte-americano desde 2020.

Mesmo com o recuo, os Estados Unidos permanecem como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 15,5% do total. 

Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, seis registraram queda. Em quatro deles, a retração no mercado norte-americano ocorreu em contraste com o crescimento das vendas para o restante do mundo: petróleo bruto (-31,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-4,3%), ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%). 

Principais números (Jan.- Ago. de 2026):

• Exportações Brasil → Estados Unidos: US$ 24,1 bilhões (-9,7%) 

• Importações Estados Unidos → Brasil: US$ 27,3 bilhões (-8,6%) 

• Déficit brasileiro: US$ 3,2 bilhões 

• Bens sem sobretaxa: US$ 13,1 bilhões (-8,3%)

• Bens com sobretaxa: US$ 11,0 bilhões (-11,4%) 

• Produtos sujeitos a sobretaxas de 25%-37,5%: US$ 3,6 bilhões (-29,1%)