Dirigente do Fed recém-indicado por Trump defende corte agressivo na taxa de juros

Em discurso no Economic Club de Nova York, Miran argumenta que a taxa básica está muito alta e que mudanças recentes na política econômica permitem redução significativa

Gabriel Garcia

Stephen Miran, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para presidir o Conselho de Assessores Econômicos, testemunha durante uma audiência de confirmação do Comitê de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado, no Capitólio, em Washington, D.C., EUA, em 27 de fevereiro de 2025. REUTERS/Annabelle Gordon/Foto de arquivo
Stephen Miran, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para presidir o Conselho de Assessores Econômicos, testemunha durante uma audiência de confirmação do Comitê de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado, no Capitólio, em Washington, D.C., EUA, em 27 de fevereiro de 2025. REUTERS/Annabelle Gordon/Foto de arquivo

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Menos de uma semana após assumir seu cargo, o governador do Federal Reserve (Fed), Stephen Miran, defendeu nesta segunda-feira (22) que a taxa básica de juros dos Estados Unidos está excessivamente alta e deve ser reduzida de forma agressiva.

Em discurso no Economic Club de Nova York, Miran destacou que mudanças recentes em políticas fiscais, de imigração, desregulamentação e a redução dos custos de aluguel criam um cenário econômico que permite ao Fed cortar a taxa em quase 2 pontos percentuais.

Miran explicou que a taxa dos fundos federais, que influencia diversas outras taxas no mercado, deveria estar na faixa baixa de 2%, enquanto atualmente está entre 4% e 4,25%, mesmo após o corte de 0,25 ponto percentual na semana passada.

Segundo ele, manter a política monetária tão restritiva traz riscos significativos para o emprego, podendo causar demissões desnecessárias e aumento do desemprego.

O governador ressaltou que, apesar de sua posição destoar da maioria do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que defende uma abordagem mais cautelosa e cortes graduais, ele acredita que a inflação está em trajetória de queda, especialmente no mercado imobiliário, onde a desaceleração dos aluguéis ainda não foi totalmente refletida nos dados oficiais.

Miran também citou fatores desinflacionários, como a política de imigração, redução de regulações e receitas provenientes de tarifas.

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Nomeado pelo presidente Donald Trump após a renúncia inesperada da ex-governadora Adriana Kugler, Miran afirmou estar otimista com o crescimento econômico, mesmo defendendo cortes mais profundos na taxa de juros.

Ele alertou que a política atual, muito restritiva, pode atrapalhar esse crescimento e criar um hiato de produção desnecessário, caso a taxa não seja ajustada para um nível mais neutro.