Contas públicas não preocupam em 2022, mas dúvida sobre âncora fiscal em 2023 persiste

Analistas dizem que ano que vem traz grandes desafios em ambiente de inflação e crescimento mais baixos, com menor receita nominal
(Foto: Shutterstock)
(Foto: Shutterstock)

Publicidade

O resultado do setor público consolidado de agosto divulgado na manhã desta sexta-feira (30) pelo Banco Central (BC) – que mostrou déficit primário de R$ 30,3 bilhões, ante superávit de R$ 16,7 bilhões em agosto de 2021 – não coloca grandes preocupações para os analistas quando são projetados nos números para o final do ano. No entanto pairam dúvidas sobre o desempenho das contas a partir do ano que vem.

A equipe do Bradesco BBI destacou que o dado de agosto rompeu a tendência de superávits mensais nas duas divulgações anteriores, com alguma contribuição para isso do acordo com a Prefeitura de São Paulo envolvendo o Campo de Marte.

Para o banco existe uma probabilidade substancial de que o governo central consiga até mesmo registrar um superávit primário para este ano, mas isso não aponta para alívio no exercício seguinte.  “Se este ano não é uma grande preocupação quando se trata de números fiscais, 2023 será um animal totalmente diferente, dada a probabilidade de inflação e crescimento mais baixos, o que significa menos receita nominal”, alertam os economista.

Continua depois da publicidade

O Bradesco BBI também diz que há a alta incerteza sobre qual será a âncora fiscal em vigor nos próximos anos, uma vez que o resultado da eleição ainda está definido.

Para o Itaú Unibanco, a sustentabilidade fiscal está se tornando mais uma vez um desafio significativo. “Não em termos de números de curto prazo, que continuam positivos, principalmente devido ao aumento adicional das receitas com a inflação, o aumento das commodities e o crescimento econômico, mas no caminho aparentemente definido para o futuro”, diz relatório assinado pelo economista Pedro Schneider .

Segundo ele, o próximo governo terá que decidir sobre a continuidade das isenções fiscais federais, a possível compensação pela isenção de impostos estaduais, os benefícios sociais que foram implementados em agosto deste ano. “Além do quadro fiscal que vigorará adiante, em uma economia emergente com alta dívida pública e altas taxas de juros”, destacou.