Idas e vindas

BC projeta retomada irregular da atividade e aponta que espaço remanescente para política monetária pode ser pequeno

Economistas têm alertado para o grau de incerteza em relação à retomada da atividade econômica

Prédio do Banco Central em Brasília (Crédito: Shutterstock)
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O Banco Central afirmou nesta terça-feira, 12, por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), que o espaço para novos cortes da Selic (a taxa básica de juros) é “incerto e pode ser pequeno”. Na semana passada, o BC reduziu a Selic em 0,75 ponto porcentual, de 3,75% para 3,00% ao ano. Ao mesmo tempo, sinalizou a intenção de promover novo corte da taxa em junho, de até 0,75 ponto.

Na ata, o BC voltou a registrar que dois dos oito dirigentes que participaram do encontro do Copom ponderaram que, “mesmo com a possibilidade de elevação da taxa de juros estrutural, poderia ser oportuno prover todo o estímulo necessário de imediato, em conjunto com a sinalização de manutenção da taxa básica de juros pelos próximos meses, de modo a reduzir os riscos de não cumprimento da meta para a inflação de 2021”.

Em outras palavras, dois membros do colegiado chegaram a defender corte superior a 0,75 ponto porcentual da Selic já na semana passada. Depois disso, a Selic ficaria estável em junho.

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“Entretanto, foi preponderante a avaliação de que, frente à conjuntura de elevada incerteza doméstica, o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e pode ser pequeno”, registrou o BC na ata. “Assim, o Copom optou por uma provisão de estímulo mais moderada, com o benefício de acumular mais informação até sua próxima reunião.”

Recuperação 

A recuperação econômica após o pico da pandemia do novo coronavírus pode ser mais gradual do que a esperada e “caracterizada por idas e vindas”, avaliou o Banco Central (BC) segundo a ata.

Na avaliação do BC, os poucos dados disponíveis para o mês de abril já mostram “evidência suficiente de que a economia sofrerá forte contração no segundo trimestre deste ano”.

“Os membros também debateram sobre a velocidade da recuperação econômica. Refletiram que, a menos de avanços médicos no combate à pandemia, é plausível um cenário em que a retomada, além de mais gradual do que a considerada, seja caracterizada por idas e vindas”, diz o comunicado.

Economistas têm alertado para o grau de incerteza em relação à retomada da atividade econômica e citam o risco de “ondas” de pandemia. Algumas cidades da China, país de origem da doença, e outras localidades voltaram a testar seus cidadãos devido ao ressurgimento de casos por transmissão local.

Em meio a essa possibilidade de “idas e vindas”, o cenário básico considerado pelo Copom passou a ser de uma queda forte do PIB na primeira metade deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre deste ano.

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No último Boletim Focus, as expectativas de analistas de mercado é de uma queda de 4,11% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, seguido de alta de 3,20% em 2021.

Os integrantes do Copom também avaliam que, na economia brasileira, o impacto da crise será “desinflacionário e associado a forte aumento do nível de ociosidade dos fatores de produção”.

“A elevação abrupta da incerteza sobre a economia deve resultar em aumento da poupança precaucional e consequente redução significativa da demanda agregada”, acrescenta o comunicado.

Ociosidade

Após cortar a Selic, o Copom manteve seu cenário básico com fatores de risco para inflação em ambas as direções. Na ata divulgada nesta terça e referente ao Copom da semana passada, o BC manteve, de um lado, a avaliação de que o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado.

“Esse risco se intensifica caso a pandemia provoque aumentos de incerteza e de poupança precaucional e, consequentemente, uma redução da demanda agregada com magnitude ou duração ainda maiores do que as estimadas”, enfatizou o BC.

Por outro lado, na visão do BC, “políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do País de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco e gerar uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.

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(Com Agência Estado)

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